A Câmara dos Deputados cancelou a reunião da Comissão Especial que analisa o projeto da reforma da Previdência que estava marcada para esta quinta-feira, 27. O relator do texto, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), iria apresentar voto complementar à proposta, após os debates que se desenvolveram nos últimos dias na Comissão depois que ele apresentou seu parecer no dia 13 de junho. Com o novo adiamento, o governo encerrará os primeiros seis meses sem ter conseguido votar seu mais importante projeto econômico e um de seus principais ataques aos direitos dos trabalhadores.
Nessa primeira metade do ano, a reforma da Previdência sofreu com forte rejeição popular e com grandes mobilizações. Em todos os estados e em Brasília, os trabalhadores estiveram em luta ininterrupta nesses meses, com protestos, pressão sobre os parlamentares e, finalmente, a greve geral do dia 14 de junho. Os mesmos caminhos que em 2017 barraram a reforma apresentada por Temer conseguiram, pelo menos até aqui, impedir o ainda mais grave ataque de Bolsonaro à nossa aposentadoria. O Sintrajufe/RS e os trabalhadores do Judiciário Federal e do Ministério Público da União no Rio Grande do Sul estiveram sempre presentes nessas lutas.
Debates
Desde o início do ano, o Sintrajufe/RS tem participado de audiências públicas (em março, na Câmara de Vereadores; em junho, na Assembleia Legislativa e organizado atividades de debate, como um seminário e uma plenária, construídos junto com as demais entidades do Fórum Gaúcho em Defesa da Previdência e um ciclo de palestras nos locais de trabalho em Porto Alegre.
Mobilizações
O sindicato também tem atuado em atos públicos, construindo a mobilização nas ruas. O primeiro desses atos aconteceu em 24 de janeiro, marcando o “Dia dos Aposentados”. Depois, em 14 de fevereiro, novo ato unificado começou a fortalecer a luta contra a reforma. No 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, o Sintrajufe/RS voltou às ruas, em uma mobilização com protagonismo das mulheres e que teve a defesa do direito à aposentadoria como pauta central. O mesmo mês ainda teve no dia 22 novo ato público, que terminou apontando a necessidade de construção de uma greve geral para barrar a reforma.
Como não poderia deixar de acontecer, o 1º de maio, Dia dos Trabalhadores, também teve muita luta nas ruas, abrindo o caminho para as grandes mobilizações que ocorreriam naquele mês nos dias 15 e 30. Essas mobilizações, por sua vez, que tiveram caráter nacional e levaram centenas de milhares de pessoas às ruas em defesa da Educação e da Previdência, fortaleceram a preparação para a greve geral que, no dia 14 de junho, mostrou a força dos trabalhadores e a indignação da população contra a reforma.
Brasília
Além das atividades no Rio Grande do Sul, o Sintrajufe/RS tem atuado nacionalmente em defesa do direito à aposentadoria. Por isso, o sindicato tem sido uma presença constante em Brasília desde o início da tramitação da proposta. Além disso, em fevereiro o sindicato participou, em São Paulo, de reunião do Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) e de Assembleia Nacional contra a reforma.
Informação
O Sintrajufe/RS também vem atuando em todos esses meses para fornecer informações de qualidade para a categoria e ajudar a subsidiar o conjunto da sociedade no debate sobre a reforma. Por isso, além de incontáveis matérias publicadas nos meios de comunicação do sindicato, a entidade realizou bancas nos locais de trabalho no interior e na capital e, ao mesmo tempo, tem estado presente nos mídia para discutir a proposta do governo (casos das participações em programas da Bandeirantes e da RDCTV).
Seguir a mobilização para derrotar a reforma
O governo já gostaria de ter aprovado a reforma há muito tempo. Essa proposta é seu fiel da balança na relação com o mercado financeiro e com os bancos, principais interessados no projeto. Por isso, muito dinheiro público tem sido usado na tentativa de comprar os votos de parlamentares e aprovar a reforma. Mesmo assim, a luta dos trabalhadores e a pressão das ruas impediram até o momento que houvesse avanço. Para barrar definitivamente a reforma, porém, é preciso seguir nas ruas, nas redes e no Congresso pressionando cada parlamentar e manifestando a indignação dos brasileiros contra esse ataque à Previdência pública. Com mobilização é possível repetir a vitória que tivemos em 2017 contra o governo Temer e, mais uma vez, derrotar a reforma da Previdência.









