O auditório do Cpers, no Centro de Porto Alegre, ficou lotado nessa quarta-feira, 27, na plenária de mobilização em defesa da Previdência. Sindicatos e movimento social da capital e de diversas cidades do interior do estado participaram da atividade que tinha como objetivo organizar a luta para impedir que o governo Bolsonaro (PSL) acabe com o direito à aposentadoria dos brasileiros. Foram aprovadas diversas propostas e um calendário de mobilização. Colegas da categoria estavam presentes à atividade, convocada pelo Fórum Gaúcho em Defesa da Previdência, integrado por diversas entidades, entre elas o Sintrajufe/RS.
 Ao falar no início da atividade, o diretor do Sintrajufe/RS Cristiano Moreira explicou que o Fórum foi criado como uma ferramenta dos trabalhadores para enfrentarem a reforma da Previdência do então presidente Michel Temer (MDB), falou sobre o protagonismo em mobilizações massivas, culminando com a derrota da proposta. Agora, afirmou o dirigente, enfrentamos ataques ainda mais perversos, e nossa já limitada democracia está ameaçada . Em janeiro, diante dos ataques aos trabalhadores promovidos por Bolsonaro da iminência de apresentação de reformaconcretizada com a proposta de emenda à Constituição 6/2019 “, o Fórum foi reativado, como um espaço para unir esforços em defesa da Previdência. Para Cristiano, é necessária e urgente a construção de uma greve geral e mobilizações massivas, pois o andar de cima está unido a favor da reforma; cabe ao lado de cá abrir mão das diferenças, unir esforços e parar este país .
 Durante as diversas manifestações na plenária, uma palavra se destacou: unidade. Foi consenso que unificar os trabalhadores, deixando de lado divergências pontuais, é fundamental para derrotar a proposta de Bolsonaro, que utilizará de todos os meios para extinguir o sistema previdenciário atual. Nas falas, foi ressaltado que está em jogo o futuro dos atuais e futuros aposentados. A proposta de emenda à Constituição 95/2016 (EC 95/2016), a reforma trabalhista e esta proposta de reforma constituem, na prática, rasgar a Constituição Federal de 1988. Os trabalhadores, os jovens, as mulheres, os movimentos negro e LGBT precisam estar nas ruas, agregando a discussão sobre Previdência e aposentadoria a suas pautas para a construção de uma grande greve geral. Informar a população sobre o que está em jogo, sobre as mentiras a respeito do déficit, em uma linguagem direta e acessível, com campanhas em redes sociais, rádio, TV, cartazes e outros meios foi outro ponto destacado: temos que disputar corações e mentes, muitos trabalhadores estão sendo enganados , disse um manifestante.
Em outras falas, foi afirmado que a proposta de Bolsonaro acaba com o atual regime, público, baseado na solidariedade entre gerações, e joga a aposentadoria para os bancos, que só visam lucro. Também foi advertido que sem Previdência pública vários municípios podem falir, pois os benefícios de aposentados são um dos principais propulsores da economia, principalmente em pequenas localidades. É um novo modelo de sociedade, não apenas de Previdência, um modelo em que não há solidariedade, apenas cada um por si. A CPI da Previdência, que provou a falácia do déficit, foi citada, assim como a Auditoria Cidadã da Dívida, ambas com dados importantes que precisam ser divulgados de forma ampla e direta para a sociedade. Também foi proposto que se pare de falar em reforma , porque o que o governo propõe é a extinção, o desmanche.
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Em sua manifestação, o diretor do Sintrajufe/RS Rafael Scherer ressaltou que o ataque à Previdência não é algo isolado, mas se insere em um conjunto de outros ataques que usam o mesmo discurso, como se fosse incorreto o trabalhador reivindicar seu direito a trabalho e direito à aposentadoria e o melhor fosse ser empreendedor , com trabalho precarizado e sem direitos. O dirigente lembrou aos presentes o caso do Chile, cujo sistema de capitalização da Previdência, implantado na ditadura de Augusto Pinochet, levou aposentados à miséria e mesmo ao suicídio. Rafael concluiu fazendo um chamamento à unidade e à luta, contra Bolsonaro, sem esquecer os ataques ao funcionalismo promovidos pelos governos de Eduardo Leite (PSDB), no estado, e Nelson Marchezan Jr. (PSDB), na prefeitura de Porto Alegre: a gente vai pra cima, rumo à greve geral .
Propostas aprovadas
A plenária aprovou, por unanimidade, o Manifesto em defesa da Previdência: construir a luta ao lado do povo, rumo à greve geral .
Foram aprovadas, ainda, as seguintes propostas:
“ Produzir uma campanha contra a reforma da Previdência;
“ Convidar a seção regional da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para que participe do Fórum;
“ Usar a palavra extinção , em vez de reforma da Previdência;
“ Inserir nos sites das entidades um simulador de aposentadoria;
“ Realizar atividades do Fórum no interior do estado.
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 Calendário de mobilização:
“ 8 de março: Dia Internacional de Luta das Mulheres, atividades a partir das 7h30min no Largo Glênio Peres, Centro de Porto Alegre, e caminhada às 18h;
“ 14 de março: ato público em memória de Marielle Franco e Anderson Gomes, às 18h, na Esquina Democrática, Centro de Porto Alegre;
“ 22 de março: Dia Nacional de Mobilização contra a Reforma da Previdência, atividade convocada pelas centrais sindicais;
“ 28 de março: atividades em memória de Edson Luís, estudante assassinado pela ditadura em 1968, no Rio de Janeiro;
“ 30 de março: seminário contra a reforma da Previdência, organizado pelo Fórum.













