Governo federal quer entregar ao Haiti quase o dobro de testes que enviou ao RS; no dia 25, Sintrajufe/RS realiza live sobre combate à pandemia e vacinação


11.Fevereiro.2021 - 17h51min

Sem um verdadeiro plano nacional de testagem ou de vacinação, os brasileiros e as brasileiras vão perdendo a oportunidade de enfrentar com ações públicas a pandemia e de mitigar os efeitos da crise sanitária. Como o Sintrajufe/RS já denunciou, o Brasil tem milhões de testes de Covid-19 vencendo ou prestes a vencer. Agora, noticia-se que 1 milhão deles poderão ser doados ao Haiti – quase o dobro do que foi enviado pelo governo federal ao Rio Grande do Sul, por exemplo.

O Haiti é a primeira república negra do mundo e o primeiro país do hemisfério ocidental a abolir a escravidão. Em 2010, foi vítima de um terremoto que deixou milhares de mortos. Entretanto, a maior tragédia que aquele país sofreu foram as sucessivas ocupações de potências estrangeiras e golpes de Estado que jogaram sua população na miséria. A ação do governo federal, contudo, não é motivada pela solidariedade entre os povos, mas pela tentativa de empurrar testes que perderam ou estão prestes a perder a validade por ação do próprio governo.

Em novembro, o jornal O Estado de S. Paulo revelou que o Ministério da Saúde estava estocando 7,1 milhões de testes, e a maior parte (96%) teria de ser jogada fora de dezembro a janeiro, pois perderia a validade. Após a publicação da notícia, o governo recorreu à Anvisa, que deu aval para a fabricante estender o prazo de vencimento por mais 4 meses. Desde então, 2,1 milhões de exames foram entregues. Ou seja, há 5 milhões de testes sendo perdidos pelos brasileiros.

Uma política nacional de testagem seria um dos fatores determinantes para subsidiar o combate à pandemia. Porém, em nenhum momento, mesmo após quase um ano da chegada da crise sanitária ao Brasil, o governo trabalhou com essa perspectiva. Pelo contrário: minimizou a pandemia, estimulou o uso de medicamentos sem comprovação científica e não protegeu a população. O resultado são mais de 230 mil mortes. Nos Estados Unidos, onde a política do ex-presidente Donald Trump assemelhou-se à aplicada por Jair Bolsonaro no Brasil, cerca de 40% das mortes poderiam ter sido evitadas se a resposta do governo não fosse “inepta e ineficiente”, conforme estudo da revista científica Lancet, recém publicado.

Neste momento, juntamente com a testagem, a construção de uma política nacional de vacinação gratuita e pelo SUS para todos e todas é uma urgência para salvar as vidas de brasileiros e brasileiras. E esse é outro problema: conforme o Sintrajufe/RS publicou nesta semana, no ritmo atual o Brasil vai chegar a 2024 com apenas 70% da população imunizada.

No dia 25, Sintrajufe/RS realiza live “Minha vacina chega quando?”

Para debater esse tema fundamental, no dia 25 de fevereiro o Sintrajufe/RS realiza a live “Minha vacina chega quando?”. Será às 18h30min, pelo canal do Sintrajufe/RS no Youtube e pelo Facebook,  tendo como painelista o médico e ex-presidente da Anvisa Gonzalo Vecina Neto. A live também contará com a participação de outros dois debatedores. Estarão presentes a médica infectologista, diretora do Sindicato dos Médicos de SP e da CUT/SP, Juliana Salles; e do médico especialista em saúde pública e integrante da assessoria de saúde do Sintrajufe/RS, Geraldo de Azevedo e Souza Filho.

Veja AQUI todas as informações sobre a atividade.

    Veja também

    Últimas Notícias

    Clique aqui e cadastre-se para receber nossos INFORMATIVOS

    cadastre-se

    Faça seu Login

    Troca de Usuário

    Recuperar Senha / Primeiro acesso

    O e-mail foi enviado com sucesso.

    Ocorreu um erro no envio.