Uma semana depois de defender a reforma administrativa, bancos ostentam lucros de R$ 51,8 bilhões


04.Fevereiro.2021 - 19h44min

Foto Aguilar Abecassis

O Sintrajufe/RS noticiou nessa quarta-feira, 3, a pressão dos presidentes dos bancos Itaú e Bradesco pela aprovação de medidas que reduzem os serviços públicos e precarizam o trabalho de servidores e servidoras, assim como pela volta do auxílio emergencial vinculada à redução de gastos públicos. Enquanto isso, seus bancos batem recordes de lucro, como informa nesta quinta-feira, 4, o jornal O Estado de S. Paulo.

Conforme o Estadão, o banco Bradesco teve lucro recorde, mesmo em meio à pandemia. O lucro líquido recorrente do banco no quarto trimestre de 2020 foi de R$ 6,8 bilhões, o maior resultado da história do Bradesco. No acumulado de 2020, embora tenha havido queda, Bradesco, Itaú e Santander lucraram, juntos, R$ 51,8 bilhões. Todo esse lucro mesmo em meio à degradação social pela qual passa o país, com aumento dos desempregados e desalentados, com aumento da miséria e com a desproteção das dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras que recebiam o auxílio emergencial.

Nos últimos dias, o mesmo Estadão publicou declarações dos presidentes do Itaú, Milton Maluhy, e do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, nas quais ambos refutam a ideia de saída de Bolsonaro e demandam a aprovação urgente da reforma administrativa e da PEC Emergencial (186/2019). As medidas, se aprovadas, significarão o corte de 25% dos salários e jornadas de servidores e servidoras, o fim dos concursos públicos, a inclusão na Constituição do princípio da subsidiariedade do setor público, o fim da autonomia de servidores e servidoras, entre outras questões que impactam direta ou indiretamente o conjunto da população e dos serviços hoje oferecidos.

Também defenderam que o auxílio emergencial só deve ser retomado combinado com a redução de outros gastos do governo. Como o Sintrajufe/RS já destacou em mais de uma oportunidade (veja AQUI e AQUI, por exemplo), o fim do auxílio emergencial pode provocar, no próximo período, uma situação catastrófica no país, com aumento substancial da miséria. Os banqueiros, unificados ao discurso do governo e dos novos e antigos presidentes do Legislativo, utilizam essa possível calamidade como moeda de troca para garantir ainda mais arrocho nos serviços públicos.

A "economia" da PEC 186 já tem destino

Não é por acaso: o objetivo é que possíveis sobras de receitas sejam despejadas diretamente em seus bolsos por meio do pagamento de serviços da dívida pública. Governo, banqueiros e setores do Legislativo querem tirar dinheiro dos serviços oferecidos à população, dos salários de servidores e servidoras e do auxílio emergencial para seguir abastecendo os bancos e os demais operadores da dívida pública.

O texto da PEC 186/2019 não deixa dúvidas sobre isso quando determina, em seu artigo 3º, a “destinação do excesso de arrecadação e do superávit financeiro das fontes de recursos, apurados nos orçamentos fiscal e da seguridade Social da União, com exceção do excesso de arrecadação e do superávit financeiro decorrentes de vinculação constitucional e de repartição de receitas com Estados, Distrito Federal e Municípios, à amortização da dívida pública federal”. Ou seja, economizar com direitos do povo para remeter os recursos sobrantes para os bancos.

Parte dos lucros de mais de R$ 50 bilhões acumulados entre os três principais bancos privados do país tem justamente essa origem. A posição dos banqueiros está clara, e a ela alinham-se as intenções de Jair Bolsonaro (sem partido), Paulo Guedes, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Para os trabalhadores, o caminho é o oposto: mais e melhores serviços públicos; recursos públicos direcionados para atender às necessidades do povo; mais direitos, empregos e condições de trabalho; maior proteção social.

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