Inflação segue subindo e cesta básica de Porto Alegre registra alta de 21,60% em 2020


12.Janeiro.2021 - 18h53min

Comer está cada vez mais difícil: estudo publicado nesta semana pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que a cesta básica em Porto Alegre registrou alta de mais de 20% em 2020. Em dezembro ela chegou ao valor de R$ 615,66. A jornada de trabalho necessária para comprar a cesta básica foi, com isso, de 129 horas e 37 minutos, sendo que o percentual do salário mínimo necessário para a compra foi de 63,69%. Ou seja: para um trabalhador ou uma trabalhadora que recebe um salário mínimo mensal comprar uma cesta básica, precisa gastar quase dois terços do que recebeu. Ainda conforme os cálculos do Dieese, o salário mínimo necessário deveria ser de R$ 5.304,90, ou 5,08 vezes o mínimo vigente de R$ 1.045,00.

Veja AQUI o estudo completo.

Inflação aumenta, especialmente para os mais pobres

A inflação galopante também preocupa: o índice oficial fechou 2020 com alta de 4,52%, a maior desde 2016 e mais do que o previsto pelos analistas de mercado – a última previsão ficara em 4,37%. Em dezembro, o IPCA ficou em 1,35%, acima dos 0,89% de novembro, pressionado principalmente pelo aumento a energia elétrica. Foi a maior variação mensal desde fevereiro de 2003 (1,57%) e o maior índice para um mês de dezembro desde 2002 (2,10%). Em dezembro de 2019, a variação havia ficado em 1,15%.

Os preços dos alimentos acumularam aumento de 14,09% no ano, a maior alta desde 2002. Assim, para os mais pobres, a inflação foi ainda mais pesada: a inflação percebida por famílias com renda entre um e cinco salários mínimos mensais - fechou 2020 em 5,45%, a maior taxa desde 2016 (6,58%), após alta de 4,48% em 2019.

Desemprego e redução da massa salarial

Ao mesmo tempo em que sobem os preços, aumenta o desemprego. As taxas recordes, que já ultrapassam 14%¨, deverão crescer ainda mais nos próximos meses, com o fim do auxílio emergencial. Também deverão ser elevadas pela recessão econômica, estimulada pelas políticas do governo, que reduz investimentos e desprotege os trabalhadores e as trabalhadoras.

O fim do auxílio emergencial, como o Sintrajufe/RS já denunciou na última semana, poderá gerar uma calamidade social sem precedentes no país. Ao aumento da miséria, da pobreza e do desemprego (já que haverá queda no consumo), soma-se a redução da massa salarial em mais de R$ 60 bilhões, esfriando cada vez mais a economia. Destes 120 milhões de brasileiros e brasileiras, só seguirão recebendo suporte do governo os beneficiários e beneficiárias do Bolsa Família. Receberão, ainda assim, um valor bem menor – contra os R$ 600 da primeira fase do auxílio emergencial, conquistado pelos movimentos sociais e pela oposição no Congresso, o valor médio do Bolsa Família, após a reestruturação que o governo pretende promover, deve ficar em torno de R$ 200, conforme matéria publicada na última quinta-feira, 7, no jornal O Estado de S. Paulo.

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