Especialista alerta: fim do auxílio emergencial pode fazer desigualdade voltar ao patamar da década de 1980


02.Dezembro.2020 - 18h52min

O jornal O Estado de S. Paulo publicou nesta quarta-feira, 2, reportagem que traz mais um dado alarmante sobre a situação da pobreza no Brasil. Conforme especialista entrevistado pelo jornal, o fim do auxílio emergencial, previsto e defendido por Jair Bolsonaro (sem partido) e Paulo Guedes, pode fazer com que o país volte aos índices de desigualdade da década de 1980. O índice de pobreza poderá alcançar um quarto da população.

O Estado entrevistou o sociólogo Rogério Barbosa, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Segundo ele, “o índice de pobreza, situação de quem recebe até um terço do salário mínimo (hoje, R$ 348), caiu de 18,7% em 2019 para 11% em setembro de 2020. Sem os benefícios pagos pelo governo federal, esse indicador pode disparar e alcançar 24%, ou seja, quase um quarto de toda a população”. A renda média da população irá cair gravemente: de R$ 1.321 em setembro para R$ 1.187, sem o auxílio. Além disso, o auxílio emergencial garantiu um aumento na renda da população que está entre os 40% mais pobres – as perdas haviam começado em 2014 e vêm se aprofundando, mas o auxílio emergencial vem mitigando o problema.

Desemprego e informalidade

Com a pandemia e as dificuldades para encontrar trabalho, cerca de 15 milhões de brasileiros e brasileiras não estão procurando emprego, o que faz reduzir o número oficial de desempregados. Porém, o fim do auxílio emergencial e o aumento da pobreza irão empurrar muitas dessas pessoas de volta à busca por alguma renda. Isso pode levar o número de desempregos a 30 milhões, conforme o sociólogo. A informalidade, que hoje está em 40%, pode alcançar mais da metade da população.

Pobreza e desigualdade

Esse cenário pode levar um quarto da população à situação de pobreza, algo que não se vê no Brasil há pelo menos 20 anos. Conforme Barbosa, “quando a pandemia passar, nem sabemos quando vai acontecer, os pequenos negócios não voltarão a funcionar automaticamente. Se não houver um tipo de auxílio para segurar as pessoas que ficarão fora do mercado de trabalho, podemos ter problemas muito graves com a desigualdade”.

Prioridade do governo não é o povo

As políticas do atual governo, porém, não enfrentam o problema. Como o Sintrajufe/RS já apontou no início de novembro, nos próximos meses vencem títulos da dívida pública com valores que representam muito mais um ano de pagamento do auxílio emergencial.

As prioridades do governo passam pelo mercado financeiro e pelos bancos, pelos afagos aos militares e aos altos escalões dos poderes. Por outro lado, estão longe das necessidades da população: políticas de geração de emprego, de recuperação econômica na pandemia, de combate à miséria não estão em perspectiva nem de Bolsonaro nem de Rodrigo Maia.

Mobilização

A mobilização aparece, assim, como o único caminho para a classe trabalhadora enfrentar o governo Bolsonaro e dar início à retomada do país. O enfrentamento do desmonte dos serviços públicos e a construção de uma agenda de desenvolvimento e de proteção à população são urgentes. Nesta sexta-feira, 4, o Sintrajufe/RS realiza assembleia geral para preparar a continuidade da luta.

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