Editora Abril ataca direito à ação sindical de presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo


17.Novembro.2020 - 17h11min

A Editora Abril, proprietária, entre outros veículos, da revista Veja, convocou o presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP), Paulo Zocchi, a voltar ao trabalho na empresa a partir de 30 de outubro próximo, encerrando cinco anos de liberação sindical sem prejuízo de vencimentos, iniciada em 2015. O caso demonstra que o ambiente de cerco à organização dos trabalhadores no Brasil encontra reflexos também na mídia empresarial.

O cumprimento da jornada normal de trabalho impede o desempenho pleno das atividades ligadas à Presidência da entidade. A própria Abril reconhecia isso no acordo de liberação sindical, assinado pelas partes em 2015, no qual está escrito: “Considerando-se a solicitação da entidade sindical para a liberação do empregado para o exercício de suas atividades sindicais em período integral, vez que seriam incompatíveis com a manutenção de suas atividades profissionais na empresa”. Zocchi é também vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

O Sindicato dos Jornalistas tem questionado a Editora Abril por irregularidades trabalhistas e, agora, sofre uma reprimenda como essa, que afronta a democracia e o direito de organização dos trabalhadores e trabalhadoras. Entidade como a Fenaj e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), além de diversos parlamentares, já se manifestaram repudiando a decisão da Abril e exigindo a manutenção da liberação sindical. A categoria, ao mesmo tempo, se mobiliza pelo direito de Zocchi e pela liberdade de atuação sindical. Jornalistas de diversos veículos de São Paulo já divulgaram notas e publicaram declarações contra a decisão.

Para defender o direito atacado, está em andamento a campanha #AbrilRespeiteoSindicato, que teve, inclusive, protesto em frente à empresa, em São Paulo. Conforme o sindicato, “na prática, a atual cassação da liberação sindical do presidente do SJSP ataca frontalmente os jornalistas, que devem sofrer consequências. Iniciaram-se as campanhas salariais dos segmentos de jornais e revistas do interior e litoral e de rádio e televisão. A do segmento de jornais e revistas da capital se iniciará nas próximas semanas. Se estiver cumprindo sua jornada de trabalho, como exige a Abril, teremos de fazer as negociações sem a participação do presidente da entidade! Além disso, as assembleias e reuniões de discussão com a categoria serão seriamente prejudicadas por essa medida”.

O Sindicato dos Jornalistas de SP divulgou um texto sugerido para moções contra a decisão, onde afirma que “a revogação da liberação sindical sem prejuízo de vencimentos só pode ser compreendida como uma inaceitável medida antissindical, como uma retaliação ao Sindicato por defender os interesses dos jornalistas face aos seus empregadores, e, em particular, face ao Grupo Abril. A decisão é um ataque ao exercício do mandato de presidente do SJSP, entidade de destaque na defesa da liberdade de expressão e de imprensa, e da própria democracia, em nosso país”. O texto reivindica, assim, a “manutenção da liberação do jornalista Paulo Leite Moraes Zocchi para o exercício do mandato sindical, sem prejuízo de vencimentos e direitos, até o fim do atual mandato, em agosto de 2021”.

O Sintrajufe/RS solidariza-se com o jornalista e sindicalista Paulo Zocchi e com o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e reafirma sua posição em defesa da liberdade de atuação sindical e da autonomia da organização dos trabalhadores e das trabalhadoras, sob cerco cada vez mais fechado no Brasil.

Veja abaixo a íntegra do texto da moção sugerido pelo Sindicato dos Jornalistas:

À Abril S.A.

Ao presidente do Grupo Abril, sr. Fábio Carvalho:

A (nome da entidade) dirige-se à Abril S.A, e a Fábio Carvalho, presidente do Grupo Abril, para reivindicar a manutenção da liberação do trabalho, sem prejuízo de vencimentos, do presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, empregado desta empresa, Paulo Leite Moraes Zocchi (também vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas). Sua atuação à frente de entidade, de âmbito estadual, exige dedicação integral, como a própria empresa já reconheceu.

A revogação da liberação sindical sem prejuízo de vencimentos só pode ser compreendida como uma inaceitável medida antissindical, como uma retaliação ao Sindicato por defender os interesses dos jornalistas face aos seus empregadores, e, em particular, face ao Grupo Abril. A decisão é um ataque ao exercício do mandato de presidente do SJSP, entidade de destaque na defesa da liberdade de expressão e de imprensa, e da própria democracia, em nosso país. Lamentamos que uma empresa vinculada à área de comunicação adote tal medida contra o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, e reivindicamos do Grupo Abril:

- Manutenção da liberação do jornalista Paulo Leite Moraes Zocchi para o exercício do mandato sindical, sem prejuízo de vencimentos e direitos, até o fim do atual mandato, em agosto de 2021.

Com informações do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP).

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