Associação de produtores de soja de estado que arde em chamas defende aceleração da reforma administrativa


18.Setembro.2020 - 16h22min

A Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) do Mato Grosso deu início, na última semana, a uma campanha pela aceleração da tramitação da reforma administrativa. A posição da Associação não acontece por acaso e nem visa o interesse público: a falta de fiscalização ambiental, agravada durante o governo de Jair Bolsonaro (sem partido), beneficia diretamente os maus produtores e terá sua situação piorada caso a reforma seja aprovada.

A campanha tem como mote “É hora de redução da máquina pública, Já! Reforma administrativa primeiro”, defendendo que a reforma administrativa tramite antes da tributária. A campanha da Aprosoja afirma que “em 2019, o país gastou com a folha de pagamentos o dobro do que investiu na educação e três vezes e meia mais do que investiu na saúde. E gasta vinte vezes mais com folha de pagamento do que com saneamento”. A Associação quer que os brasileiros e as brasileiras acreditem que é possível fazer educação, saúde e saneamento sem servidores, sem pessoas. Quem vai dar aulas, atender pacientes, fiscalizar a produção de alimentos e o uso indiscriminado de agrotóxicos? Se o Estado demitir seus servidores, ninguém vai fazer isso, e só terá acesso a esses direitos quem puder pagar. A dificuldade de acesso ainda existente não será resolvida com menos serviços e menos servidores, e sim com mais.

A Aprosoja parece ter interesse em aprofundar o desmonte da fiscalização ambiental. Com a reforma administrativa, haverá cada vez menos servidores para esse trabalho. Além disso, com as novas modalidades de contratação, prescindindo de concurso público e sem estabilidade, os novos contratados não terão mais a independência e a autonomia necessárias para atuar à parte dos interesses dos poderosos.

A produção de soja, juntamente com a criação de gado, está entre as grandes responsáveis pelo desmatamento, conforme o Observatório do Clima. Reportagem da Deutsche Welle denuncia o papel dos produtores de soja na destruição das matas e nas queimadas, o que ocorre tanto na Amazônia como em outras regiões do Brasil, como o Mato Grosso do Sul ou o Pantanal. Esse processo foi acelerado no governo Bolsonaro, com recordes de desmatamento e queimadas que afetam a sustentabilidade do país, levam à morte animais e plantas e prejudicam as fontes de renda e alimentos de populações inteiras. A reforma administrativa, que tem por base o desmonte do Estado, tende a piorar a situação, já que a fiscalização será ainda mais prejudicada.

Luta contra a reforma

A luta contra a reforma, por parte dos trabalhadores e das trabalhadoras, já está em marcha. No dia 15, o Sintrajufe/RS participou de um ato público unificado, em Porto Alegre, que deu início à campanha em defesa dos serviços públicos e dos servidores, reunindo representantes do funcionalismo federal, estadual e municipal.

No dia 30 de setembro, novo ato será realizado como parte do Dia Nacional de Mobilização contra a reforma. Será às 11h, em frente ao Hospital de Pronto-Socorro (HPS), em Porto Alegre (Largo Teodoro Herzl, s/nº, bairro Bom Fim).

A campanha contra a reforma administrativa, além das atividades de rua, terá ações de mídia e outras atividades que serão divulgadas ao longo dessa luta nos meios de comunicação do Sintrajufe/RS.

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