Sintrajufe/RS participa de ato unificado de lançamento de campanha contra a reforma administrativa de Bolsonaro e Guedes


15.Setembro.2020 - 14h43min

Na manhã desta terça-feira, 15, o Sintrajufe/RS participou de um ato público que lançou em Porto Alegre a campanha dos trabalhadores e trabalhadoras contra a reforma administrativa que pode acabar com o serviço público no Brasil. O ato reuniu dezenas de representantes de entidades e categorias das esferas federal, estadual e municipal. O próximo ato está marcado para o dia 30 de setembro, integrando a luta no Rio Grande do Sul ao Dia Nacional de Mobilização convocado nacionalmente por centrais sindicais, federações, frentes e sindicatos para dizer “Não” à reforma administrativa.

A atividade desta terça foi definida a partir de reunião da Frente dos Servidores Públicos do Rio Grande do Sul, que reúne entidades sindicais das três esferas. O ato deu a largada para uma campanha conjunta contra a reforma administrativa, enviada ao Congresso no dia 3 de setembro e que, por meio de ameaças à estabilidade, aos concursos públicos, aos salários, às carreiras e a outros direitos, coloca em risco a própria existência dos serviços públicos no Brasil.

Simbolicamente, o ato desta terça foi realizado em frente à Escola Estadual Rio Grande do Sul, ameaçada de fechamento pelo governo de Eduardo Leite (PSDB), alinhado, como o prefeito Nelson Marchezan Jr. (PSDB), à política de Jair Bolsonaro (sem partido) e Paulo Guedes de desmonte dos serviços públicos e de ataque à educação, à saúde, à Justiça e à população. Durante a atividade, revezaram-se ao microfone representantes de diversas categorias, denunciando a reforma administrativa e o projeto de Bolsonaro e Guedes para o país, refletido no RS e em Porto Alegre por Leite e Marchezan.

Defender os serviços públicos e lutar por mais direitos, não menos

Os trabalhadores e as trabalhadoras presentes ao ato, mantendo o distanciamento e as medidas de proteção à saúde, destacaram que é preciso inverter a lógica que os governos vêm aplicando: não se trata de acabar com os serviços, mas de aprimorá-los e fortalece-los. Não se trata de apontar para menos direitos, e sim para mais.

O Sintrajufe/RS esteve presente representado por vários diretores e diretoras, acompanhados de colegas da categoria. As faixas levadas à atividade pelo sindicato resumiam a posição da entidade: “Não à reforma administrativa: por mais e melhores serviços públicos” e “Em defesa do serviço público e dos direitos”. Em sua fala durante o ato, o diretor Zé Oliveira destacou o simbolismo de que a mobilização seja realizada em frente a uma escola ameaçada de fechamento. E denunciou “mais uma falácia do governo”, que prometeu resolver a situação do país com a reforma da Previdência e a reforma trabalhista, mas a situação só piorou. Além disso, “é a sociedade quem precisa da escola público, do posto de saúde, do SUS. É a sociedade quem não vai ter a assistência do serviço público, porque o que está por trás dessa proposta é a destruição do serviço público, é só ter direito quem tiver dinheiro para pagar. É essa a luta que estamos fazendo na rua. O fim da estabilidade, o fim do concurso público, não é só ataque aos servidores, é ataque à população”.

 

Luta está apenas começando

Para o diretor do Sintrajufe/RS Marcelo Carlini, "se quisermos levar a PEC 32/2020 ao pé da letra, não podemos falar em reforma. Ela é o fim dos serviços públicos. A pedra angular é a mudança no artigo 37 da Constituição Federal, que trata dos princípios da administração pública. Bolsonaro propõe colocar o princípio da subsidiariedade, ou seja, o Estado só entra onde a iniciativa privada não puder atender. O Estado é acessório, portanto. É daqui que parte a intenção de colocar as Organizações Sociais, as chamadas parcerias com o setor privado, em todo o lugar. Ou seja, sai o Estado e entra o lucro sobre os serviços públicos. Queremos o contrário, queremos mais e melhores serviços públicos. Um alerta que não posso deixar de repetir, face à onda de mentiras do governo e da maioria da imprensa: essa PEC pega todo mundo, ativos, inativos, atuais, futuros, e atinge também todos aqueles que precisam dos serviços públicos, ou seja, a maioria da população brasileira”.

Mara Weber, diretora do sindicato, ressaltou a necessidade de que a população compreenda os reais efeitos da reforma: “as pessoas precisam ser esclarecidas sobre o que representa a reforma administrativa. Ela representa a volta do ‘trem da alegria’ no serviço público, onde cada prefeito, cada governador, cada prefeito, vai escolher os seus amigos pra colocar para atender a população na educação, na saúde, na Justiça... quando você for ser atendido quem vai estar lá vai ser alguém de confiança daquele governo, e não de confiança da população, que passaram por um concurso público, que tenha a capacidade de dizer não para abusos dos governantes”.

Conforme o diretor Zé Oliveira, a reforma administrativa “é mais uma falácia do governo”. Para ele, “o que o governo deveria fazer é assumir o que defende, que é a destruição do serviço público. Esse governo não defende a escola pública, não defende o posto de saúde. É o fim do serviço público, essa é a proposta do governo Bolsonaro. É fundamental que a gente vá para a rua denunciar que o fim dos concursos públicos e da estabilidade é para favorecer apadrinhados do governo, é para facilitar os desmandos do governo que estiver no poder”.

A diretora Arlene Barcellos alertou para a ameaça aos aposentados do setor público contida na reforma: “O governo Bolsonaro repete como um mantra que a reforma vai atingir somente os novos servidores. Isso é uma grande mentira. Há na reforma a possibilidade da quebra da paridade, e, quando isso acontecer, os aposentados do serviço público não terão mais com quem ser comparados para seus reajustes, que são assegurados justamente por conta da paridade. Nós, aposentados, temos que estar atentos e participando. E, na realidade, a reforma é não apenas contra os servidores, mas significa a destruição dos serviços públicos, do acesso que a sociedade pode e deve ter aos serviços públicos”.

Também diretora do Sintrajufe/RS, Clarice Camargo destacou que o ato desta terça foi apenas o início da mobilização: “Esse é o pontapé inicial. A luta é muito árdua e, apesar da pandemia, vamos ter que fazê-la. A reforma vai atingir todos nós. É muito importante que a gente faça a defesa do serviço público para toda a população”.

Milton Oliveira, colega da Justiça do Trabalho, também esteve no ato. Para ele, “estar na luta é a nossa obrigação. E temos que denunciar também a situação no estado, onde o governador segue todas as políticas ultraliberais do governo Bolsonaro. É um fiel lacaio do governo Bolsonaro”.

O diretor do Sintrajufe/RS Fabrício Loguércio destacou que a luta contra a reforma passa pela defesa dos direitos dos servidores e servidoras, mas vai além: “Essa é uma luta em defesa da nação e do serviço público. Quem utiliza o serviço público são os trabalhadores e as trabalhadoras do país. Estamos iniciando essa luta em defesa da saúde, da educação, da Justiça, da segurança. Se não tivesse estabilidade no serviço público, imaginem o que seria dos servidores e das servidoras da saúde nessa pandemia! O Bolsonaro tirou dois ministros, ele teria tirado todos os servidores da saúde se não tivesse estabilidade. A estabilidade do servidor é a continuidade dos serviços públicos, é disso que estamos falando”.

Paulo Guadagnin, outro diretor do sindicato presente à atividade, defendeu que, com a pandemia, a necessidade dos serviços públicos ficou ainda mais claramente demonstrada e reforçou a importância de que o ato de lançamento da campanha contra a reforma fosse realizado em frente a uma escola ameaçada de fechamento: “O fechamento de uma escola é a síntese desse projeto do Bolsonaro, representado aqui por Eduardo Leite e Nelson Marchezan. A luta contra a reforma administrativa não é só uma luta pelos direitos dos servidores, que estão ameaçados, mas também é uma luta pela população, que necessita dos serviços que nós prestamos”.

O ato desta terça foi apenas o pontapé inicial de uma grande campanha em defesa dos serviços públicos e contra a reforma, uma campanha que sai em defesa dos direitos do conjunto da sociedade, mais uma vez ameaçados por Bolsonaro, Leite e Marchezan. No dia 30 de setembro, novo ato será realizado como parte do Dia Nacional de Mobilização contra a reforma.

Veja a transmissão ao vivo feita pelo Sintrajufe/RS durante o ato.

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