Guedes diz que presidente e ministros do STF devem receber muito mais do que R$ 39 mil; o discurso da falta de dinheiro só vale para o resto do funcionalismo


10.Setembro.2020 - 17h13min

Em live nessa quarta-feira, 9, o ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu o aumento do teto para as cúpulas dos Poderes. Sob o argumento de que “temos que ser mais meritocráticos”, Guedes afirmou, referindo-se a casos como o da Presidência da República e do Supremo Tribunal Federal (STF), que “é evidente que eles têm que receber muito mais do que recebem hoje”. Atualmente, os ministros do STF recebem o teto de R$ 39,2 mil por mês, mais penduricalhos.

Em sua fala, Guedes disse que é preciso existir uma “enorme” diferença entre os salários dos ministros e dos demais servidores. Ele citou como exemplo o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas:  “O Bruno Dantas, em qualquer banco, vai ganhar 4 milhões de dólares por ano. É difícil convencer o Bruno a ficar no TCU porque ele vai receber várias propostas do setor privado”, declarou.

A declaração de Guedes vem no momento em que a inflação estoura no país, com o preço dos alimentos disparando 8,83% nos últimos 12 meses. O arroz, produto básico, tem aumento acumulado de 19,2% no ano; o óleo de soja, 18,6%. Ao mesmo tempo, o desemprego aumenta e o auxílio emergencial, conquistado pela oposição, diminui: passará de R$ 600 para R$ 300. Diversas categorias no setor público estão com os salários congelados há anos, outras também parcelados, como é o caso do magistério gaúcho.

No setor público, Guedes e Bolsonaro, juntamente com Rodrigo Maia (DEM-RJ), buscam a aprovação de uma reforma administrativa ampla, que ataca os direitos dos servidores públicos, inverte a própria lógica de funcionamento do Estado e deixará a população com cada vez menos acesso aos serviços oferecidos. Tudo isso sob o pretexto de “combate aos privilégios”. Mas, para Guedes, os que ganham mais devem poder ganhar ainda mais.

A fala do ministro da Economia alinha-se, ainda, às posições de alguns ministros do Supremo, expressas nos últimos dias. O presidente do STF, Dias Toffoli, e o ministro do Supremo Marco Aurélio Mello saíram em defesa da reforma administrativa. Mello afirmou ser necessário um “enxugamento da administração”, enquanto Toffoli chegou a defender a redução do salário inicial dos juízes, mas disse ser “justo” o atual salário dos ministros do STF – R$ 39,2 mil. Foi o sinal para Guedes sair em defesa do aumento do teto, ignorando a realidade do povo brasileiro, o aumento da miséria, e, na prática, reivindicando o aumento do próprio salário – os ministros têm salários a partir de R$ 31 mil, chegando, em alguns casos, a R$ 50 mil.

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