Comunidade escolar, prefeituras: todos rejeitam calendário de Eduardo Leite, que propõe volta às aulas quando a pandemia cresce no estado


17.Agosto.2020 - 18h45min

O Cpers Sindicato e a Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) realizaram consultas sobre a sugestão de cronograma do governo de Eduardo Leite (PSDB), de volta das aulas presenciais em todos os níveis de ensino, de forma escalonada, começando pela educação infantil, em 31 de agosto. Na comunidade escolar, a rejeição é de 86% e, nas prefeituras, de 93,7%.

O que pensa a comunidade escolar

A consulta online do Cpers, chamada de “Educação e Pandemia no RS”, foi respondida 1,7 mil pessoas, entre mães, pais, educadores e educadoras e equipes diretivas, todos contrários à retomada das atividades presenciais sem vacina contra o novo coronavírus. Os dados preliminares foram consolidados pelo Dieese. De acordo com o Cpers, os resultados revelam a distância entre o discurso do estado e a realidade das escolas da rede no que tange à capacidade de retomada das aulas.

À pergunta “Você acha possível retomar as aulas antes do advento e disponibilização de uma vacina eficaz contra a Covid-19?”, 86% responderam “não”. Apenas 6% responderam que é possível; os demais afirmaram não saber. Entre pais e mães, 84% afirmaram que não mandariam os filhos à escola antes da disponibilização de uma vacina e 77% acreditam que a educação infantil deve ser a última modalidade a retomar as atividades presenciais.

Prefeituras contra o retorno

O resultado da consulta da Famurs foi divulgado na manhã desta sexta-feira, 17, com resposta de 367 dos 497 prefeitos e prefeitas do estado. O resultado é que 93,73% são contrários ao cronograma proposto pelo governo de Leite (PSDB), que prevê a retomada pela educação infantil, em 31 de agosto, e retorno total, em todos os níveis de educação, no ensino público e privado, até 8 de outubro. Nesse caso, 38,66% entendem que é preciso aguardar uma vacina e 35,17%, a redução dos casos. Entre diversos problemas apontados para a volta às aulas presenciais, está desde equipamentos de proteção, elevado número de casos e transporte até o risco para alunos e profissionais, este o que mais preocupa, 94,3%.

Desde o início da pandemia, o governo Bolsonaro busca reforçar que tem é preciso escolher entre a proteção à vida e a economia. Empresários utilizam o desemprego e a situação precária das famílias para forçar um retorno, ignorando as mortes, que já passam de 107 mil no Brasil e continuam em um crescendo, caso do Rio Grande do Sul.

Se, para muitas pessoas, a condição para voltar é o retorno às aulas, porque isso mostraria que a situação está controlada (hipoteticamente, ninguém quereria colocar a vida de crianças em risco), o governo Leite mostra o contrário. É preciso mandar as crianças para escola para que mães e pais trabalhadores voltem ao trabalho, seja em que circunstância for.

Ao falar sobre essa questão, em relação ao Distrito Federal, mas muito adequado ao que está ocorrendo no RS, o médico infectologista Alexandre Motta afirmou que “a pressão econômica e o ano letivo não podem estar acima das vidas. O mercado quer a volta das aulas porque visam à economia, pensando que a pessoa pode voltar a trabalhar e colocar a responsabilidade da segurança e da saúde de seus filhos na escola, o que não é verdade. Você mandaria seu filho para escola sabendo que lá pode ter um tiroteio ou pode pegar fogo a qualquer momento?”, questiona.

Em conversa com Sintrajufe/RS para esta matéria, a presidente do Cpers Sindicato, Helenir Schürer, afirma que a entidade “recebeu com incredulidade” a proposta do governo, em um momento de curva ascendente da pandemia. Segundo ela, as escolas não têm estrutura suficiente, não só física quanto de recursos humanos. Na avaliação da dirigente, seria necessária a contratação de 6 mil funcionários para as escolas estaduais, a fim de garantir a higienização e a desinfecção adequadas, e o governo não sinaliza com contratações. Helenir afirma que a proposta “é prematura, é irresponsável e estamos fazendo e faremos todos os momentos para defender a vida de nossos alunos e da comunidade escolar. Escolas fechadas, vidas preservadas.”

Sintrajufe/RS, com informações de Cpers Sindicato, Zero Hora e Sinpro/DF.

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