Militares terão mais verba do que Educação em 2021; diferença é de R$ 5,8 bilhões


17.Agosto.2020 - 17h08min

O país está em guerra? Parece. Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo denuncia, nesta segunda-feira, 17, que o governo pretende destinar mais verbas aos militares do que à Educação em 2021. O jornal teve acesso à proposta de divisão orçamentária entre os ministérios, que será enviada ao Congresso ainda neste mês, e identificou que a diferença entre a projeção para o Ministério da Defesa e o Ministério da Educação é de R$ 5,8 bilhões em favor do primeiro.

Conforme a previsão orçamentária à qual o Estadão teve acesso, a Defesa terá um acréscimo de 48,8% em relação ao orçamento deste ano, passando de R$ 73 bilhões para R$ 108,56 bilhões em 2021. Enquanto isso, a verba do Ministério da Educação deve cair de R$ 103,1 bilhões para R$ 102,9 bilhões. A proposta de divisão de verbas ainda passará por discussões internas antes de ser finalizada e enviada ao Congresso.

Cada vez mais para os militares

O aumento de quase 50% no orçamento, ultrapassando o investimento em Educação, não é um elemento isolado. É, na verdade, mais uma demonstração da busca de Bolsonaro por uma aproximação crescente com os militares e por seu uso como sustentáculo da escalada autoritária que o país vive neste momento. As benesses ao setor se enfileiram desde o início do atual governo.

No final de julho, o Sintrajufe/RS denunciou a intenção do governo, ainda em voga, de reajustar em até 400% os benefícios dos militares, além da criação de cargos exclusivos para eles no governo. Em outros momentos, também destacamos diversos favores de Bolsonaro ao setor: privilégios na reforma da Previdência, ingresso no serviço público sem concurso, reajuste salarial periódico, possibilidade de receber acima do teto, ampliação da presença em ministérios e cargos, reajuste em penduricalhos que custará R$ 26 bilhões.

Cada vez menos para a Educação

Por outro lado, a Educação sofre com o desmonte programado. Os ataques às instituições, aos professores e pesquisadores são reiterados. A tentativa de acabar com o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) foi um dos casos mais recentes, mas não o único. As intervenções na autonomia das universidades, inclusive na escolha dos reitores, é uma das práticas que vem se consolidando no último período. Além disso, os constantes cortes nas bolsas vêm prejudicando pesquisas de grande importância em andamento nas universidades públicas. Pesquisadores, estudantes e toda a comunidade acadêmica têm sofrido com os cortes orçamentários, a falta de incentivo e, até mesmo, a perseguição política.

Agora, novos cortes de orçamento, enquanto que os militares recebem mais dinheiro, prometem ampliar o desmonte. Ao mesmo tempo, o governo direciona recursos para a militarização do Estado, um de seus trunfos frente à crise que se aprofunda no país.

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