Dia de luto e luta: Em defesa da vida, dos direitos e do serviço público, Sintrajufe/RS participa de ato em Porto Alegre


07.Agosto.2020 - 15h49min

Na manhã desta sexta-feira, 7, um ato público convocado pelas centrais sindicais denunciou as políticas do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) frente à pandemia. O Sintrajufe/RS esteve presente na atividade, no Largo Glênio Peres, em Porto Alegre, com manifestações em defesa da vida, dos direitos dos trabalhadores e dos serviços públicos. São 100 mil mortes – muitas das quais poderiam ter sido evitadas com políticas públicas de enfrentamento à pandemia –, número recorde de desempregados e o aprofundamento do projeto de desmonte dos serviços públicos. Contra essa realidade, negada ou defendida pelo atual governo, os manifestantes foram às ruas.

Porto Alegre

A atividade foi parte do Dia Nacional de Luta em Defesa da Vida e dos Empregos, que teve atos também em outras partes do país. Em Porto Alegre, a mobilização começou às 11h, em frente ao Mercado Público, com participação de diversos sindicatos, centrais e movimentos populares. O Sintrajufe/RS participou do ato com uma faixa que denunciava as 100 mil mortes da covid-19 no país e trazia como dizeres “Em defesa da vida, dos serviços e concursos públicos e dos direitos dos trabalhadores – Fora Bolsonaro”. Os manifestantes soltaram balões pretos em homenagem e denúncia sobre as quase cem mil vítimas já confirmadas da pandemia do novo coronavírus no Brasil, resultado da política genocida de Bolsonaro.

O ato público também denunciou os constantes ataques do governo a direitos dos trabalhadores, que Bolsonaro, Paulo Guedes e Rodrigo Maia (DEM-RJ) tentam acelerar durante a pandemia, “passando a boiada”, como sugeriu o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. A defesa dos serviços públicos também esteve em pauta na atividade, questionando-se a intenção do governo de acabar com a estabilidade e reduzir os salários dos servidores, parte do processo de desmonte do setor pretendido por Bolsonaro e Guedes para liberar mais recursos para o mercado financeiro.

Atos em todo o Brasil

Diversas capitais tiveram mobilizações de rua, faixas afixadas em viadutos, cartazes e panos pretos nas janelas e sacadas. Alguns dos locais onde houve atividades de luta foram Manaus, São Paulo, Maceió, Florianópolis, Brasília, Belém, Salvador, São Luís, Aracaju, Curitiba, João Pessoa e Fortaleza. Também no interior dos estados foram realizadas mobilizações. No Rio Grande do Sul, São Leopoldo, Erechim e Sapucaia do Sul registraram protestos. No ABC paulista, trabalhadores e trabalhadoras atrasaram a entrada em algumas fábricas em 100 minutos, em homenagem às vítimas fatais da pandemia no Brasil. Em todo o país, estradas também foram locais de manifestações, com atos simbólicos e faixas pedindo o fim do governo Bolsonaro.

Previsão de 200 mil mortos até outubro, Bolsonaro propõe "tocar a vida"

O entendimento dos manifestantes é de que a situação, que já é de desastre social, deverá piorar com a continuidade do atual governo e de suas políticas. Nessa quinta-feira, 6, em entrevista à agência AFP, o coordenador do Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, Domingos Alves, afirmou que o Brasil pode chegar a 200 mil mortos pelo novo coronavírus em outubro.

Ao mesmo tempo, o desemprego segue aumentando, sem qualquer proteção governamental à renda dos trabalhadores e das trabalhadoras. Conforme dados do IBGE divulgados nesta semana, 8,9 milhões de brasileiros e brasileiras perderam seus empregos no trimestre encerrado em junho, levando a taxa oficial de desemprego a 13,3%. O resultado representa uma alta de 1,1% na comparação com o trimestre encerrado em março (12,2%) e de 1,3 ponto percentual em relação ao mesmo trimestre de 2019 (12%). A taxa de desemprego só não foi ainda maior porque muitos trabalhadores deixaram de procurar emprego neste momento, pela falta de postos de trabalho disponíveis ou pelos riscos da pandemia – esse grupo não aparece como desempregado nos números oficiais. Entre a população economicamente ativa, há mais pessoas sem trabalho do que trabalhando.

Se avizinham uma reforma administrativa e uma reforma tributária que prejudicam os interesses e necessidades do povo e favorecem os banqueiros, especuladores e grandes empresários. Assim, o governo vai protegendo os super-ricos e deixando os trabalhadores e as trabalhadoras ainda mais carentes de serviços públicos e direitos.

Enquanto as mortes e a miséria crescem, Bolsonaro faz uma live para dizer que “vamos chegar a 100 mil mortos, mas vamos tocar a vida”. Mais uma vez, tenta naturalizar o desastre que está construindo. Para ele, o “novo normal” parece ser a convivência com mais de mil mortes diárias que seriam evitadas com políticas públicas de verdade. A agenda do atual governo é a do genocídio, a morte planejada do próprio povo.

Importância da mobilização

Conforme a diretora do Sintrajufe/RS Mara Weber, “o ato hoje foi um em memória dos 100 mil brasileiros e brasileiras que morreram por covid-19 mas que também morreram por omissão do Estado. Essas mortes não precisavam ter acontecido. Impossível não responsabilizar esse projeto de morte que se chama ‘Bolsonaro’.  O movimento sindical tem compromisso com a vida e com a proteção de todas e todos que são vulneráveis nessa luta entre o capital e o trabalho. Temos lado e, mesmo com as dificuldades impostas pela pandemia, não calaremos o grito por justiça, saúde, renda e emprego para o nosso povo”.

Já o diretor Fabrício Loguércio ressalta que “nós, do movimento sindical e popular, nos importamos com 100 mil brasileiras e brasileiros que morreram de covid-19. Esse foi um ato de protesto contra o descaso do governo federal com a vida e a saúde do nosso povo. Foi muito representativo. Há um consenso entre que participaram de que só com a saída do governo Bolsonaro é que poderemos controlar a pandemia e retomar o desenvolvimento do país”.

Também diretor do Sintrajufe/RS, Marcelo Carlini avalia que "todo alerta e toda mobilização são necessários. A base do governo, junto com Rodrigo Maia, sinaliza que o texto final do projeto de reforma administrativa que acaba com a estabilidade, os concursos públicos e que pode reduzir os salários deve ser encaminhada em breve. Na linha de ‘passar a boiada’, o governo segue buscando destruir os serviços públicos. No setor privado, o objetivo de Guedes é a ‘carteira verde amarela’: sem Previdência, FGTS e férias.  Enquanto isso, Bolsonaro manda ‘seguir a vida’, apesar dos 100 mil mortos (números oficiais) e combina a tragédia sanitária com o desastre social. Esse governo, fruto do golpe, tem que acabar o quanto antes, para o bem do Brasil”.

A diretora do sindicato Clarice Camargo reforça que “foi muito importante a manifestação de hoje. É necessário fazer alguma coisa, inclusive na rua, apesar de todos os problemas que estamos tendo. Esse luto realmente tem que se transformar em luta. Não são só as pessoas que morrem, são famílias inteiras que estão perdendo seus entes queridos. É necessário fazer esse debate com toda a sociedade, na rua, para que todos entendam o que está acontecendo e entendam que há um culpado, Bolsonaro. Por isso o ‘fora Bolsonaro’ é o adequado neste momento. São 100 mil mortes!”.

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