Enquanto desemprego e informalidade disparam, patrimônio dos super-ricos brasileiros cresce R$ 175 bilhões, mais do que a estimativa de gastos com o auxílio emergencial


27.Julho.2020 - 16h57min

Estudo divulgado nesta segunda-feira, 27, demonstra mais uma vez o que o Sintrajufe/RS vem apontando em diversas publicações: no Brasil, a crise sanitária só tem gerado uma crise econômica para os trabalhadores e as trabalhadoras; os donos do dinheiro estão cada vez mais ricos. A ONG Oxfam publicou levantamento que mostra que, desde a chegada da pandemia ao país, o patrimônio dos chamados “super-ricos” brasileiros aumentou 34 bilhões de dólares, o equivalente a R$ 175 bilhões. Como parâmetro de comparação, o gasto do governo com o auxílio emergencial de R$ 600 era estimado em R$ 154 bilhões para março, abril e maio, beneficiando mais de 50 milhões de brasileiros e brasileiras apenas até o final de maio.

O documento “Quem Paga a Conta? – Taxar a Riqueza para Enfrentar a Crise da Covid-19 na América Latina e Caribe” aponta que 73 bilionários da América Latina e do Caribe aumentaram suas fortunas em R$ 249,2 bilhões entre março (início da pandemia) e junho deste ano. O Brasil tem 42 desses bilionários que, juntos, tiveram suas fortunas aumentadas em US$ 175 bilhões. O patrimônio líquido deles subiu de R$ 636,4 bilhões em março para US$ 812,2 bilhões em julho. O estudo usou como base a lista de bilionários da Forbes publicada neste ano e o ranking de bilionários em tempo real da Forbes. O relatório completo pode ser acessado AQUI.

Trabalhadores pagam a conta com aumento do desemprego, suspensão de contratos e redução dos salários

A crise econômica é real e deve aprofundar-se, afetando os recursos do Estado e a vida da população, mas, enquanto os mais ricos enriquecem ainda mais, os trabalhadores pagam sozinhos essa conta. No Brasil, o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) tem optado por políticas que deixam completamente desprotegido quem trabalha. A permissão para demissões, para a suspensão de contratos e para o corte de salários tem como resultado a piora das condições de vida da maioria da população.

Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua), do IBGE, o desemprego subiu para 12,9% no trimestre encerrado em maio, atingindo 12,7 milhões de pessoas, com um fechamento de 7,8 milhões de postos de trabalho em relação ao trimestre anterior. A mesma pesquisa traz outros dados preocupantes: é a primeira vez que menos da metade da população em idade de trabalhar está ocupada. As taxas de desalento (quem desistiu de procurar emprego) e de população subutilizada também bateram recordes: 5,4 milhões e 30,4 milhões, respectivamente. Dos empregados, 37,6% são informais. A massa de rendimento real foi estimada em R$ 206,6 bilhões, uma queda de 5% frente ao trimestre anterior. Levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostrou que, desde o início da crise, mais de 600 mil micros, pequenas e médias empresas brasileiras já fecharam as portas. No serviço público, Bolsonaro, Paulo Guedes e Rodrigo Maia (DEM-RJ) aproveitam o momento para tentar fazer avançar propostas que acabam com a estabilidade dos trabalhadores, confiscam salários e prejudicam as carreiras. Seja nos trabalhos informais, nos postos regidos pela CLT ou no setor público, trabalhadores e trabalhadoras são empurrados a pioras nas condições de vida enquanto o patrimônio dos bilionários cresce.

Quem são os bilionários brasileiros?

A lista da Forbes “em tempo real” tem atualizações diárias e, no momento em que esta matéria é escrita, tem 48 brasileiros – e não 42, como quando foi feito o estudo da ONG Oxfam. A lista inclui, por exemplo, Luciano Hang, dono da Havan, apoiador do atual governo e de todas as medidas que retiram direitos dos trabalhadores. No momento, Hang tem atuado especialmente contra as medidas de proteção sanitária frente à pandemia. Ele tem sido alvo de operações da Polícia Federal e de ações no Supremo Tribunal Federal (STF) que visam combater a rede de fake news no país. Sua fortuna é estimada pela Forbes em 3,5 bilhões de dólares, mais de R$ 18 bilhões.

Dos 48 brasileiros da lista atual, 11 são banqueiros, incluindo o homem mais rico do país, Joseph Safra. Outro é André Esteves, do BTG Pactual, preso em 2015 e que, em 2019, esteve na ala VIP da posse de Paulo Guedes. O ministro da Economia foi, na década de 1980, um dos fundadores do banco Pactual, que está na origem do BTG Pactual. Também está na lista, aliás, Júlio Bozano, outro banqueiro ligado a Guedes, que foi um dos dirigentes da Bozano Investimentos. Bozano teve seu patrimônio fortemente impulsionado pelas privatizações dos anos 1990.

Autuada cinco vezes por uso de mão de obra análogo à escravidão de 2011 a 2014, a construtora MRV é de propriedade de Rubens Menin, também presidente da CNN Brasil e mais um dos bilionários brasileiros. Em suas redes sociais, Menin não economiza publicações com elogios ao governo Bolsonaro. No final de 2018, logo após a vitória de Bolsonaro, o bilionário disse ao jornal Correio Braziliense que “Os empresários brasileiros estão eufóricos com o futuro”. Na ocasião, elogiou Bolsonaro e os filhos do presidente, a quem atribuiu “comportamento 100% ético”. Ele destacou três aspectos que considerava positivos: “O primeiro deles é a equipe econômica, que é o sonho de consumo de qualquer brasileiro que entende minimamente do assunto”, disse. E seguiu: “O segundo é o caso dos generais. Uma parte da sociedade ainda tem um certo preconceito. Mas olha a equipe de militares que está no governo. São pessoas altamente treinadas, acostumadas ao comando, éticas e que gostam do Brasil”. O terceiro aspecto, por fim, eram os filhos de Bolsonaro.

Reforma tributária de Bolsonaro não toca nos privilégios reais

Na semana passada, o governo enviou ao Congresso a primeira parte de sua proposta de reforma tributária. Nesta etapa, o objetivo central é criar a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), unificando o PIS/Cofins com uma alíquota de 12% sobre o consumo. Na sequência, Guedes e Bolsonaro querem readequar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); reduzir a tributação sobre as empresas no Imposto de Renda; e promover a “desoneração da folha salarial”. Aumenta, assim, a isenção para as empresas, enquanto os impostos pesam ainda mais sobre o bolso dos trabalhadores. Os bilionários seguem protegidos, sem taxação das grandes fortunas ou das heranças e com a manutenção da isenção para bens de luxo como jatinhos, aviões, helicópteros, barcos, motos aquáticas e iates.

Com informações da ONG Oxfam e do G1.

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