Entregadores de aplicativos realizam segundo dia de paralisação neste sábado; entenda as pautas e saiba como apoiar


24.Julho.2020 - 15h05min

Neste sábado, 25, entregadores vinculados a aplicativos organizam paralisação dos trabalhos em todo o Brasil. Será a segunda paralisação da categoria nas últimas semanas. Dessa vez, o “breque dos apps” ocorrerá num sábado, porque durante o final de semana é maior a procura pelos serviços de delivery de comida. Os entregadores pedem que a população apoie a paralisação, não realizando pedidos nesse dia.  As pautas seguem as mesmas, com a categoria reivindicando melhores condições de trabalho e mais direitos na relação com as empresas de aplicativos como Ifood, Uber Eats e Rappi.

Entre as reivindicações dos trabalhadores e das trabalhadoras, estão o aumento do preço mínimo, o aumento do preço por quilômetro, o fim de bloqueios indevidos, o seguro acidente e o pagamento de auxílios, como os para alimentação e para a compra de equipamentos de proteção individual (EPIs) para a defesa da saúde no contexto da pandemia. O objetivo final, conforme lideranças do movimento, é a formalização e o reconhecimento como funcionários das empresas – atualmente, a relação é informal e os trabalhadores são tratados como se fossem outras pequenas empresas subcontratadas.

Em reportagem publicada quando da primeira paralisação, no final de junho, o Sintrajufe/RS detalhou as condições de trabalho e a realidade dos entregadores. São jornadas exaustivas, baixa remuneração e nada de direitos trabalhistas, enquanto as empresas alcançam lucros gigantescos sem fornecer sequer os equipamentos de trabalho. Com a pandemia, a situação piorou, com a queda na remuneração por entregas e o aumento dos riscos à saúde e à vida desses trabalhadores e trabalhadoras. Somado a isso, o cenário de aumento do desemprego leva novos grupos de trabalhadores a esse tipo de atividade, incrementando a quantidade de brasileiros e brasileiras que precisam que as pautas dos entregadores avancem.

Rotina de desproteção e precariedade

A BBC Brasil publicou, nesta sexta-feira, reportagem tratando da rotina dos entregadores do IFood que operam na modalidade de “Operador Logístico”. Ele funciona como uma empresa menor, subcontratada para “organizar e gerenciar uma frota de entregadores fixos”, conforme a BBC. A reportagem segue explicando que “nesse modelo, o entregador tem uma escala de trabalho semanal: ele precisa cumprir um horário fixo todos os dias, além de ter direito a uma folga por semana, desde que ela seja combinada com antecedência”. Ele não pode, porém, desligar o aplicativo quando quiser nem decidir ficar em casa determinado dia. E, “apesar de cumprir jornadas e escalas pré-determinadas, ao estilo de um trabalhador formal registrado pela CLT, o entregador OL do IFood não tem salário fixo, férias e folgas remuneradas, ou mesmo 13º salário. Ele também não ganha qualquer remuneração quando fica parado esperando por corridas — só recebe se fizer alguma”.

O trabalho dos Operadores Logísticos começa às 10h30 e vai até meia-noite, período dividido em três turnos, com um intervalo de 20 minutos entre os turnos. A reportagem conta que, normalmente, os trabalhadores fazem dois turnos, mas muitos trabalham nos três horários. As remunerações variam muito. A BBC Brasil entrevistou um entregador que relata receber entre R$ 2.800 e R$ 3.100 por mês, mas outra entrevistada diz que nunca ganhou mais de R$ 840 por quinzena. Além disso, arcam com toda a manutenção das motos ou bicicletas utilizadas nas entregas.

Há, ainda, a modalidade de “Entregador Nuvem”, aquele que espera uma corrida geralmente parado em ruas com concentração de restaurantes e supermercados. Ele faz seu próprio horário, mas sua remuneração é ainda mais baixa do que a do Operador Logístico.

A reportagem da BBC Brasil demonstra que as diferentes modalidades são utilizadas também como forma de divisão da categoria. Conforme a matéria, “Áudios com ameaças de bloqueios no aplicativo, supostamente enviados por gerentes OL, têm circulado em grupos de entregadores no WhatsApp. Em um deles, um homem afirma que não aceitava que seu subordinados participassem de uma greve no início deste mês: ‘A gente que é OL é diferenciado, outra qualidade de entregador. A gente não se envolve em nenhum tipo de manifestação. Se alguém estiver descontente com a plataforma, me procura na base que eu te mando para nuvem. Se você tiver com adesivo (de protesto) na bag, vou pedir para você tirar. Se estiver descontente, a gente resolve essa questão e você se vira na nuvem’”.

Como apoiar

Os organizadores da paralisação orientam, como da outra vez, três formas principais pelas quais todos e todas podem apoiar a mobilização:

- Não peça comida pelos aplicativos – se cozinhar em casa, publique fotos com #ApoioBrequedosApps;

- Avalie os apps negativamente nas playstories e publique comentários em apoio à paralisação nas lojas de apps;

- Ajude na divulgação do movimento nas suas redes.

Com informações da BBC Brasil, Rede Brasil Atual e Brasil de Fato.

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