Eduardo Leite e entidades empresariais constroem verdadeira campanha pela redução de salários dos servidores públicos


09.Julho.2020 - 15h53min

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite(PSDB), segue sua cruzada contra os servidores públicos. Enquanto os índices de avanço da pandemia do novo coronavírus não param de crescer no estado, Leite alia-se a dirigentes de entidades empresariais que querem usar os servidores públicos como bodes expiatórios da crise econômica e desviar, assim, a atenção do desastre da política de “distanciamento controlado” baseado nas bandeiras que mudam de cor dependendo da pressão recebida.

Em declaração à Globo News há alguns dias, Leite defendeu, mais uma vez, a redução dos salários dos servidores públicos estaduais. O governador argumentou que “todos estão no mesmo barco” e que “não é razoável que haja uma categoria blindada dos efeitos dessa crise”. E completou: "Acho que o Congresso precisa discutir, dentro das propostas de emenda constitucional que estão tramitando, para que se viabilize a constitucionalidade dessa redução salarial dos servidores públicos”.

No final do mês passado, Leite, juntamente com o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr. (PSDB), lamentou decisão do Supremo Tribunal Federal que declarou inválido o dispositivo da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que permite a redução salarial de servidores e servidoras para que estados e municípios adequem as contas às exigências da LRF. Leite e Marchezan se unem a Jair Bolsonaro (sem partido), Paulo Guedes e Rodrigo Maia (DEM-RJ) e aos setores mais ricos da sociedade, grandes empresários e especuladores, para colocar a crise econômica na conta dos servidores e aproveitar o momento para fazer avançar seu projeto de desmonte dos serviços públicos oferecidos à população.

Nessa terça-feira, o presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul, Ivanir Gasparin, foi no mesmo sentido. O empresário disse que o setor público, por meio de seus servidores, precisa “fazer a sua parte”, contribuindo com a permissão de uma redução de salário, já que “estão trabalhando em casa e recebendo integralmente”. O presidente da CIC também criticou a decisão do STF já lamentada por Leite e Marchezan. Conforme Gasparin, enquanto o funcionalismo público não tem descontos no salário, os empresários realizam “uma força fora do normal para abrir as portas de seu negócio com extrema dificuldade financeira”. Sua explicação sobre isso, porém, promove a confusão entre o papel dos empresários e o dos trabalhadores: “Todas as empresas de Caxias estão com uma redução salarial de seus colaboradores na ordem de 25% e até 50%”, disse. Ou seja, para “comprovar” que os empresários estão “fazendo uma força fora do normal”, Gasparin usa como exemplo a redução do salário dos trabalhadores. Esses, sim, estão pagando a conta da crise, enquanto o grande empresariado recebe todo tipo de suporte do governo para manter os lucros em alta.

A receita do governo e dos empresários só gera mais crise  

No setor privado, o desemprego dispara – 2,6 milhões de brasileiros e brasileiras já pediram o seguro-desemprego durante a pandemia – e os empresários são autorizados a demitir, confiscar salários ou suspender contratos. No setor público, trabalhadores e trabalhadoras, que já tiveram seus salários reduzidos pela reforma da previdência de Bolsonaro, seguem em atividade, em grande parte com cargas de trabalho iguais ou maiores do que antes, entregando à população os serviços que são fundamentais para que o país continue funcionando e os direitos básicos sejam garantidos.

Ao invés de cobrar dos governos a ampliação do auxílio emergencial e medidas de estímulo ao consumo, grande parte dos empresários engrossa o coro da desregulamentação dos direitos trabalhistas e o do desmonte dos serviços públicos. Junto com Paulo Guedes e parte do Congresso apostam na ampliação da Carteira Verde Amarela com contratação por hora, sem Previdência Social ou Fundo de Garantia. Esta receita serve somente para aumentar ainda mais a desigualdade social no país e aumentar a margem de lucro de parte dos empresários, porque a maior parte dos donos de pequenos e médios negócios irão padecer pela redução da massa salarial que circula mercado.

Com informações da Globo News e do Pioneiro.

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