Oficinas de cultura: na pandemia, além de aprendizado, socialização e apoio mútuo


07.Julho.2020 - 18h00min

A cada semestre, as oficinas de cultura oferecidas pelo Sintrajufe/RS reúnem dezenas de alunos e alunas. O aprendizado a cada aula é acrescido de amizade, companheirismo e muita interação e parceria. Neste momento, com a pandemia e o isolamento social, esses são elementos ainda mais importantes e que, de alguma forma, seguem sendo supridos pela iniciativa de manter as oficinas em funcionamento neste período, agora de forma online. Professores e professoras adaptaram os formatos e as dinâmicas e continuam em atividade as oficinas de escrita criativa, dança ritmos, inglês, francês, poesia, teatro, técnica vocal, yoga regular e yoga maturidade.

Nas últimas semanas, o Sintrajufe/RS publicou matérias sobre a história das oficinas e sobre a perspectiva de colegas que são, também, alunos e alunas. Depois, ouvimos alguns professores e professoras e acompanhamos seus olhares sobre as próprias oficinas e o momento diferente, que exige criatividade de todos e todas. Agora, falamos com os demais oficineiros e oficineiras para tratar da importância das aulas e da sociabilidade proporcionada neste momento.

Mais saúde, mais imunidade, melhor humor

Paula Pazos ministra a oficina de dança juntamente com Maurício Miranda. Paula conta que eles preparam um formato diversificado para as aulas, buscando contemplar as diferentes necessidades do momento. Nas terças-feiras, enviam vídeos para as alunas, que podem, então, assistir e treinar em casa no tempo de cada uma, o que faz com que se mantenham mais ativas fisicamente. Nas quintas-feiras, por sua vez, realizam as aulas online, o que favorece a socialização, a interação.

Paula conta que houve uma queda importante na quantidade de participantes da oficina, mas que, nas alunas que continuam ativas, é fácil perceber grandes ganhos no bom humor que prossegue. A oficineira admite que todo mundo reclama de não poder sair, que as alunas gostavam de, depois das aulas, sair para algum bar, mas explica que, no final das aulas, é hora de bater papo: “Então termina a aula e a gente fica um tempinho conversando, pra ter essa parte da socialização, e a gente percebe que elas gostam de trazer isso para a aula”. Somado ao movimento proporcionado pelos exercícios de dança, a qualidade de vida aumenta: “Elas se mantêm mais saudáveis, a imunidade delas está melhor, o humor delas é mais equilibrado... Elas conseguem lidar com a pandemia de uma maneira mais leve”, comemora.

Válvula de escape

A oficina de criação literária é ministrada pelo escritor Caio Riter e, como ele conta, as aulas vêm ocorrendo pela plataforma Google Meet, com encontros semanais de duas horas. Conforme Caio, raramente algum aluno ou aluna falta e, pela primeira vez, a oficina do primeiro semestre irá terminar sem nenhuma desistência, o que demonstra a importância do exercício artístico – e, especificamente, da escrita – para que se lide melhor com um momento como este: “Talvez isso ocorra por estar acontecendo em um momento em que se torna bastante importante a gente ter válvulas de escape, e a arte, a escrita, podem ser essa válvula”, conta o professor, que completa: “É um momento de integração, em que a gente lê textos, debate textos dos alunos e cria literatura”.

Caio lembra que muitos achavam que este momento de isolamento abriria espaço e criatividade para a escrita, mas relata que muitos alunos – assim como muitos escritores e escritoras consolidados – têm reclamado que a tensão do lado de fora também atua dentro da pessoa, na produção, dificultando o exercício da escrita. Mesmo assim, conforme Caio, a oficina do semestre foi bastante produtiva e deve seguir online na segunda parte do ano. Ele reforça a importância da manutenção das oficinas em meio à pandemia e ao distanciamento social: “É importante a iniciativa do sindicato de seguir com as oficinas, porque é um momento em que muitas pessoas que estão isoladas podem interagir, trocar ideias e se permitir se sensibilizar com a arte”.

Os alunos, juntamente com Caio, criaram um projeto chamado “Literatura Isolada”. O oficineiro conta como funcionou: “nós pegamos palavras que têm a ver com o momento que estamos vivendo, fizemos três séries de palavras e definições poéticas para essas palavras. Uma das séries foi de “palavras iluminadas”, que trouxe palavras positivas, como “abraço”, “solidariedade”, que foram definidas poeticamente pelos alunos”. Foi criado um perfil no Instagram, disponível AQUI, para divulgar o material produzido.

Energia e aprendizado para professoras e alunos

Nas oficinas de línguas, além de aprender novos idiomas, alunos, alunas e professoras constroem amizades e apoiam-se mutuamente nos momentos difíceis, como este. A oficineira Vera Santos, que ministra as aulas de inglês desde 2006, diz que “falar sobre as oficinas de inglês é falar sobre uma das boas partes da minha vida”. Ela conta que, quando as aulas eram presenciais, havia dias em que saía para dar aula sem estar se sentindo muito bem, mas se concentrava para que tudo corresse bem durante a aula e, depois de compartilhar algumas horas com alunos e alunas, se sentia com a energia renovada. “Ter essa experiência é maravilhoso”, ressalta, destacando também a alegria de ver o crescimento dos alunos, vários dos quais participam da oficina já há alguns anos. “Eu sinto a confiança, o carinho, o respeito de cada um deles, assim como eu tenho por eles. E me sinto muito bem dentro do Sintrajufe, porque sempre fui muito respeitada como profissional. É um desenvolvimento contínuo, é algo realmente muito bom”, conta, explicando que as mesmas sensações boas continuam agora, com as interações possíveis no período de isolamento e com a realização das aulas online.

Nara Furlan, professora de francês, começou a ministrar as aulas em 2017. Ela lembra que, nesses anos, teve ótimas experiências, “novos conhecimentos, pessoas que vieram, que participaram, que gostaram. Tem pessoas que estão desde o início”. Nara explica que as aulas sempre tiveram muita interação e, com a pandemia, no início, foi complicado, inclusive porque muitos não estavam habituados às tecnologias utilizadas para as aulas online. Ela admite que se preocupava com a qualidade das aulas no novo formato, mas comemora o fato de que, “aos pouquinhos, fomos adaptando, as alunas foram se interessando, foram se preparando, e nós conseguimos”. Agora, as aulas seguem nas segundas-feiras à tarde, momento de conversa, aprendizado e, como conta Nara, momento também em que “fazemos esse contato que é tão importante e que está tão difícil na época atual. Eu posso dizer que a experiência tem sido muito positiva, muito produtiva e isso me tem feito um bem muito grande”.

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