Entidades lançam manifesto em defesa da Ceitec, estatal de semicondutores ameaçada pelo governo Bolsonaro


30.Junho.2020 - 18h21min

O Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), é a única empresa da América Latina que atua na fabricação de chips e semicondutores, utilizados na fabricação de componentes eletrônicos. Localizada em Porto Alegre, foi criada, em 2008, com apoio dos governos estadual e municipal, empresas e universidades. A empresa é uma das que estão na mira do projeto de privatizações do governo Bolsonaro. Em defesa da empresa, diversas entidades lançaram um manifesto em defesa da empresa.

Funcionário da Ceitec e diretor do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre, Edvaldo Muniz, salienta que mais de 250 servidores concursados da empresa e terceirizados perderão seus empregos.

E as perdas em termos de pesquisa e inovação tecnológica serão ainda maiores. “Com a extinção da empresa, perderemos tudo o que desenvolvemos em termos de pesquisa e de patentes científicas. Hoje temos sensores que são capazes de detectar a covid-19 e não podemos desenvolvê-los em larga escala por uma política do governo federal. Quer dizer, temos uma empresa pública capaz de fornecer um importante instrumento sanitário, mas que não é fabricado por falta de interesse público”, critica o dirigente.

Sobre os argumentos dos defensores da privatização, de que empresa não é lucrativa, Edvaldo destaca que a Ceitec não foi criada para gerar lucro, mas para alavancar o mercado de semicondutores e fazer com que não fossem importados chips e semicondutores da Ásia: “Se houvesse interesse do governo, poderíamos ser uma potência no setor”, ressalta.

Um dos articuladores da criação da Cietec, quando era secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Adão Villaverde pondera que “não dá para confundir os limites da Ceitec com o seu potencial estratégico. Nunca foi o propósito ser uma gigante global de semicondutores, e sim uma indutora da política microeletrônica do país, o que de fato aconteceu”.

No manifesto, é ressaltada a importância estratégica da empresa, em um mundo que “tem como uma de suas características fundamentais o desenvolvimento constante do conhecimento e da inovação tecnológica, de que são expressão a Internet das coisas, os big data e a inteligência artificial, que necessitam de circuitos integrados (chips) permanentemente projetados para atender inúmeras demandas”.

Brasil na contramão

O manifesto destaca que países como China, Rússia e Índia estão investindo pesadamente nesse setor e mesmo países com economias menores, como a Coreia e a Malásia, possuem indústrias na área. E isso é resultado de investimentos públicos, visando ao desenvolvimento “da cadeia eletrônica devido à complexidade de processos, custos elevados de equipamentos e pessoal com formação altamente especializada”.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Microeletrônica, Nilton Itiro Morimoto, acabar com a Ceitec seria um sinal de fracasso total e um retrocesso de anos. "A extinção pura e simples é um completo descalabro. Vai matar todo esforço que a comunidade de microeletrônica brasileira fez nos últimos anos para o desenvolvimento desta indústria", alerta.

O Sintrajufe/RS afirma seu apoio à manutenção da Ceitec estatal e ressalta a importância de investimentos públicos no setor. Com a privatização da única empresa da área, o governo vai na contramão do que está sendo feito em outros países. Como é afirmado no manifesto, isso significa “condenar o Brasil à dependência de tecnologia importada”.

Sintrajufe/RS, com informações de Brasil de Fato, Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Alegre e CUT/RS

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