Presidente do Santander defende que trabalhadores compensem supostos ganhos do trabalho remoto dividindo salários com empresas


29.Junho.2020 - 17h34min

Em uma entrevista publicada recentemente no Youtube, no canal do Santander Brasil, o presidente do banco no país, Sérgio Rial, dá uma pista sobre um dos caminhos que os mais ricos pretendem seguir para, no contexto da pandemia do novo coronavírus e em sua sequência, produzir um “novo normal” no qual os trabalhadores e as trabalhadoras saiam prejudicados. Rial defendeu que, com o avanço do trabalho remoto, os trabalhadores podem compensar os “ganhos” que terão ao ficar em casa dividindo salários ou benefícios com as empresas que os contratam. A mesma política foi defendida na última semana muito perto da categoria, pelo presidente do TRT do Rio de Janeiro.

O presidente do Santander Brasil foi taxativo: “A gente tá discutindo, se em tudo isso de poupar tempo, você deixa de gastar combustível, tua vida fica mais fácil,  por que não talvez dividir uma coisa dessa com a empresa? Por que que não pode ser um voluntário com alguma abdicação de algum benefício, de algum salário, desde que seja voluntário… e isso, nós vamos construir de uma maneira com diálogo, mas acho que esse é o caminho que pelo menos nós, como Santander, vamos”, disse Rial.

A íntegra da transmissão está disponível no canal do Santander Brasil no Youtube. O trecho da entrevista que trata do trabalho remoto pode ser visto aos 24 minutos e 31 segundos de vídeo.   Devido à pandemia, o Santander chegou aumentar em 20% a quantidade de empréstimos no primeiro trimestre de 2020, o que levou o banco a ter um salto de 10,5% nos lucros registrados ante o mesmo período de 2019. O resultado do lucro líquido foi de R$ 3,853 bilhões, segundo relatórios apresentados pela empresa.

A fala de Rial não está isolada. Os grandes empresários tentam aproveitar a crise para gerar mais lucros às custas da fragilização dos trabalhadores e das trabalhadoras, jogados à informalidade, ao desemprego e à miséria pela falta de proteção social. É a agenda que vem sendo defendida por grandes empresários e banqueiros e tocada pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e Paulo Guedes com o desmonte da legislação trabalhista, iniciado com a reforma de 2017 (ainda com Michel Temer) e que agora é aprofundado. No horizonte, medidas como o “Programa Verde Amarelo”, estendendo para todos os trabalhadores e trabalhadoras a realidade de precarização.

Outros atores institucionais também defendem esse caminho, como o Sintrajufe/RS noticiou (https://www.sintrajufe.org.br/ultimas-noticias-detalhe/17409/presidente-do-trt1-defende-que-com-trabalho-remoto-nao-faz-sentido-pagar-vale-alimentacao-e-vale-transporte) a respeito da posição do presidente do TRT1, desembargador José Fonseca Martins Junior. Na última semana, ele pronunciou-se a favor da retirada de direitos no novo cenário. Segundo Martins, “a pandemia nos obriga a fazer uma revisão da interpretação das normas do direito do trabalho”, o que inclui o entendimento de que direitos como vale-alimentação e vale-transporte não são necessários. Ou seja, a ameaça, para os servidores e as servidoras do Judiciário Federal, está logo ao lado, e faz parte de uma ampla agenda levada adiante à revelia dos trabalhadores e das trabalhadoras dos setores público e privado e que pode gerar ainda mais prejuízos para quem vive do próprio trabalho.

Com informações da Carta Capital e da Folha de S. Paulo.

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