Oficinas de cultura: professores comentam importância das aulas e adaptações ao momento


29.Junho.2020 - 17h06min

Há mais de vinte anos, desde 1998, o Sintrajufe/RS oferece aos colegas diversas oficinas de cultura em várias áreas. Neste período de pandemia e quarentena, o sindicato e os oficineiros e oficineiras encontraram uma forma de não parar o aprendizado, a interação e a camaradagem que caracterizam as oficinas desde seu início: as aulas seguem online, em formatos organizados pelos professores de acordo com as necessidades de cada aula. Nas últimas semanas, o Sintrajufe/RS publicou matérias sobre a história das oficinas e sobre a perspectiva de colegas que são, também, alunos e alunas. Agora, ouvimos alguns professores e professoras e acompanhamos seus olhares sobre as próprias oficinas e o momento diferente, que exige criatividade de todos e todas.

Poesia para expressar emoções, formas e significantes

O poeta Ronaldo Augusto ministra há quase dois anos a oficina de poesia do Sintrajufe/RS. Ele conta que tem sido um trabalho interessante o de atuar para “familiarizar pessoas que estão em processo de criação de poesia e de textos literários com as necessidades de formação para essa prática”. Ronald lembra que, como as demais formas de arte, a poesia demanda uma série de informações, referências formas, estéticas e técnicas: “A poesia não é só expressão de emoções, é expressão de formas e de significantes”, afirma. Um dos objetivos centrais da oficina, assim, é justamente o de possibilitar que, a partir do aprendizado técnico, os alunos e as alunas possam expressar-se melhor por meio da poesia.

Ronald explica que, no momento, mesmo com o distanciamento, os alunos seguem produzindo seus poemas – uma parte da qual foi veiculada em um podcast das oficinas –, demonstrando “um interesse muito grande em melhorar a sua formação como poetas ou como candidatos a se tornarem poetas”, conforme avalia. E completa: “É um trabalho bem bacana, bem interessante, e eu me orgulho de fazer parte da equipe de professores das oficinas culturais do Sintrajufe/RS”.

Estímulo à criatividade

Professora da oficina de teatro, Elaine Regina tem exercitado a criatividade para adaptar as práticas ao momento de distanciamento. É ela quem vem produzindo podcasts com alunos e professores das oficinas, que estão sendo disponibilizados no site do Sintrajufe/RS. É a mesma criatividade que ela busca estimular em seus alunos e alunas: “A oportunidade de oferecer oficinas online me fez repensar outras formas de comunicação. Para as aulas de teatro, esse formato é aprendizado diário e desafiador”, comenta, ressaltando que as adaptações continuam constantemente para que se possa descobrir as melhoras formas de, à distância, acolher cada participante da oficina. Elaine comemora que a produção dos podcasts “proporcionou momentos preciosos e de contato entre nós. Assim, foi possível conhecer o trabalho de colegas, alunos e alunas, além de contribuir com artistas da cidade”.

Para a oficineira, é importante que o Sintrajufe/RS, juntamente com os professores, tenha conseguido manter as oficinas neste período de distanciamento: “O sindicato manter as oficinas e os programas neste período de quarentena, onde muitas pessoas estão fragilizadas, mostra o compromisso com profissionais da área artística e com pessoas que desejam participar de momentos para estimular a criatividade, sensibilidade, trazer reflexões, além de proporcionar o mais importante: acolher aos corações”.

Experimentar e aprender

Juliano Freitas, que ministra as oficinas de yoga do Sintrajufe/RS desde 2006, sublinha que a prática do yoga “ensina a percepção do corpo, nas mais diversas atividades da nossa vida, em equilíbrio com a mente. Além disso, ensina a ter mais respeito com o próximo e harmonia, seja nas ações, pensamentos ou palavras”. Ao mesmo tempo, nas oficinas do sindicato, Juliano conta que utiliza a metodologia da “yogaterapia”, ou “yoga preventivo”, o que ajuda a proteger os alunos e alunas de lesões ocasionadas pelos movimentos repetitivos no trabalho. Mas há mais: “O yoga tem ferramentas que vão além do equilíbrio físico e mental, sendo um pacote quase completo para quem busca mais do que o fortalecimento físico e correção postural. As oficinas de yoga do Sintrajufe são também um lugar lúdico, para atualizar a própria existência, experimentar e aprender a reconectar corpo e mente, buscar o equilíbrio, sem tempo, data ou memória. A proposta é experimentar, aprender e atualizar”.

Nesse sentido, o ano de 2020 tem sido desafiador. Juliano comenta que foi necessário “reaprender a comunicação”, já que a proximidade foi impedida pelo contexto. Para ele, nas oficinas, foi possível “atualizar as relações” por meio das redes sociais e dos contatos virtuais, em um aprendizado que continua. Com os vídeos que ele tem gravado e disponibilizado para a prática de yoga e para as oficinas, há, também, pontos positivos: “Na crise, criamos uma rede infinita de comunicação e atingimos um público muito maior que o das oficinas presenciais e o resultado desta nova proposta é que ficará o registro permanente, à disposição dos alunos”, aponta.

Reinvenção e amorosidade

A professora de técnica vocal, Elizabeth Jaeger, ministra a oficina há 20 anos. Agora, após dois meses do início da oficina de forma online, ela enxerga o momento como uma “oportunidade única de nos reinventarmos como seres humanos e como profissionais”. Ela confessa que, no início, teve receio, mas a adaptação logo começou. Desafios como a adaptação à tecnologia e a reestruturação da didática para a realidade virtual, “afinada com as necessidades dos alunos durante a pandemia”, foram encontrados e estimularam novos caminhos: “Criamos um grupo no Whatsapp, onde eu posto vídeos de reforço às aulas e os alunos também gravam áudios caseiros com músicas cantadas por eles, e eu vou avaliando e sugerindo com base no que já foi exercitado e trabalhado nos encontros”, conta.

Conforme Elizabeth, a pandemia e as vulnerabilidades provocadas pelo momento exigem que estejamos, todos, mais atentos, cuidadosos e sintonizados amorosamente consigo mesmo e com os outros. “E sem esquecer que a leveza e a alegria, que são fundamentais para que a gente traga o melhor nosso e das pessoas”, completa. Ela destaca que os alunos começam sérios, mas, aos poucos, vão se soltando, e as aulas acabam cheias de risada e interação. “Isso é muito bonito. Não se deve descuidar desse momento da parte humana. Estamos lidando com seres humanos que estão passando por muitas dificuldades. Então eu entendo isso e tenho olhado para isso. Ao mesmo tempo, vou me recriando. É um processo que é daqui pra lá e de lá pra cá, e a gente vai crescendo juntos”.

Em Porto Alegre, atualmente, são realizadas as oficinas de escrita criativa, dança ritmos, inglês, francês, poesia, teatro, técnica vocal, yoga regular e yoga maturidade. Também são oferecidas oficinas no interior do estado.

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