Em comício, Trump rejeita testes para esconder covid-19. Brasil já pode ser o primeiro do mundo em casos


23.Junho.2020 - 18h09min

Em comício realizado no último sábado, 20, em meio à campanha presidencial dos Estados Unidos, o presidente estadunidense, Donald Trump, lamentou a grande quantidade de testes do novo coronavírus realizados no país. Os Estados Unidos são o país com mais casos e mais mortes pela doença no mundo, em uma situação que foi agravada pelo fato de Trump tentar, desde a chegada da pandemia, minimizar a crise sanitária, tendo criticado em diversas ocasiões medidas como o distanciamento social.

No comício, Trump demonstrou descaso pelas vidas e pela saúde dos infectados: "Testar é uma faca de dois gumes. Testamos até agora 25 milhões de pessoas. Provavelmente são 20 milhões a mais do que qualquer outro país. Aqui está a parte ruim: quando você faz tantos testes, encontra mais pessoas, encontra mais casos. Então, eu disse ao meu pessoal: diminuam os testes, por favor", disse o presidente dos Estados Unidos. Ou seja: para ele, o problema não são as vidas perdidas ou as saúdes afetadas, mas encontrar mais casos. São quase 2,5 milhões de casos e 123 mil mortes no país.

No Brasil, a política parece ser a mesma. Jair Bolsonaro (sem partido) vem fazendo “pouco caso” da pandemia desde o princípio e, enquanto o vírus segue avançando e fazendo milhares de vítimas, o presidente continua defendendo a normalidade a qualquer custo e tratando as medidas de proteção como “exagero”. Sobre os testes, o que Trump externa como discurso Bolsonaro já vem pondo em prática: o Brasil é um dos países que menos testa, proporcionalmente, deixando às cegas quem procura construir medidas protetivas para a população.

A subnotificação brasileira em números: desastre anunciado e programado

O Brasil é o segundo país do mundo com mais casos confirmados do novo coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos de Trump: já são 1,1 milhão, na última atualização do Worldometers. Também é o segundo em número de mortes, com 51.502 vidas perdidas, e o segundo com mais casos ativos, 471.824. Também nesses dois índices estamos atrás apenas dos Estados Unidos, que têm 123.126 mortes e 1,2 milhão de casos ativos confirmados.

Tudo isso em meio à grande subnotificação, que vem sendo apontada em reiteradas pesquisas acadêmicas, como a que vem sendo desenvolvida pela Universidade Federal de Pelotas. Esse estudo estima que o número de infectados é sete vezes maior do que o oficial. Ou seja, seriam mais de 7 milhões de infectados, quase o triplo dos casos confirmados nos Estados Unidos, tornando o Brasil o país com maior número de pessoas que têm ou tiveram contato com o novo coronavírus.

Mesmo sendo o segundo país em casos confirmados, em casos ativos e em mortes, o Brasil é apenas o 110º que mais testa, proporcionalmente à população, e o 10º em número absoluto de testes, com a metade da testagem absoluta de países como a Itália e a Espanha, por exemplo, que têm populações muito menores – a população da Espanha, por exemplo, é praticamente a mesma do estado de São Paulo. O Brasil testou 2,5 milhões de pessoas (e quase a metade está infectada), mais de dez vezes menos do que os Estados Unidos, que testaram 29,2 milhões.

A falta de testagem deixa o país às cegas, esconde dados e prejudica a formulação de políticas públicas de combate à pandemia, custando aos brasileiros milhares de vidas que poderiam ser poupadas. No Rio Grande do Sul e em Porto Alegre, por exemplo, as medidas de flexibilização do distanciamento social, notadamente o “distanciamento controlado” criado pelo governador Eduardo Leite (PSDB), têm feito explodir os casos e as mortes por covid-19. Trata-se de políticas que, além de flutuarem frente às pressões de setores do empresariado, tomam por base números irreais, desconsiderando as reais taxas de infecção da população.

Falta de transparência

O governo Bolsonaro tem atuado sem transparência desde o início da pandemia. As tentativas de maquiar números não são novidade, como apontamos em matéria publicada no início do mês. Bolsonaro tenta esconder números, criar confusão e, em vez de governar e enfrentar o problema, atua para escondê-lo e minimizá-lo. Segue, de forma ainda pior, sem testes, o caminho que Trump seguiu nos Estados Unidos e que levou os vizinhos do norte ao cenário desolador para o qual parecemos agora ser conduzidos.

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