Presidente da Fecomércio sai em defesa da redução salarial para os trabalhadores do serviço público


15.Junho.2020 - 16h42min

A edição desta segunda-feira, 15, do jornal Zero Hora traz um artigo do presidente da Fecomércio/RS, Luiz Carlos Bohn, que reforça o discurso de Paulo Guedes, Rodrigo Maia e a tática do governo de jogar o conjunto da população contra os servidores.

No texto, Bohn defende que “a conta deixada pela covid-19 está mal dividida” e que o caminho é reduzir os salários dos servidores públicos em todas as esferas. Diz que os trabalhadores do setor privado são tratados como brasileiros “de segunda linha”, ou seja, os servidores seriam os de “primeira linha”. Mas em que linha estão, então, os grandes empresários, os banqueiros e os especuladores? Estes, sim, têm sido protegidos pelo governo desde o início – e desde antes – da crise, ao contrário da maioria da população.

10 milhões de trabalhadores já tiveram o contrato suspenso ou o salário reduzido na pandemia

Não se pode esquecer, em primeiro lugar, que a crise já vinha antes da pandemia. Michel Temer (MDB) e depois Jair Bolsonaro (sem partido) prometeram que a reforma trabalhista e a reforma da Previdência iriam salvar o país. Não salvaram nem o país, nem os empregos. As “reformas” só permitiram que mais recursos fossem destinados ao mercado financeiro e que os grandes empresários incrementassem seus ganhos às custas dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras. Diferentemente do prometido, o país continuou com crescimento do desemprego e da informalidade e os indicadores econômicos seguiram caminhando para o colapso. A chegada da pandemia ao Brasil só piorou o quadro, e as medidas de Bolsonaro e Guedes frente ao cenário fizeram acelerar o passo.

Nada de proteção aos trabalhadores, apenas a suspensão de contratos de trabalho e redução de salários (10 milhões de contratos atingidos), um auxílio emergencial insuficiente (R$ 600,00) e, ainda assim, arrancados a muito custo, e descumprimento de promessas sobre investimentos na proteção à saúde em meio a uma pandemia sem controle que já levou a vida de mais de 40 mil brasileiros.

Com Bolsonaro e Paulo Guedes, o colapso do país será inevitável

Os números assustam. No mês de maio, a queda de arrecadação de ICMS no Rio Grande do Sul foi de 27%. O “auxílio emergencial” para Estados e municípios – o mesmo que congela salários de servidores até 2021 – equivale somente a 40% da perda de receita. O rombo em 2020 deve ser de mais de R$ 900 bilhões.

É certo que muita coisa deve ser feita, mas as medidas tomadas pelo governo em nada colaboram para estimular a economia e impedir a quebradeira geral. Ao contrário, mesmo o aumento do dinheiro disponível aos bancos para empréstimos nem sequer chega aos pequenos negócios por “falta de garantias”. Basta andar pelas ruas de Porto Alegre para ver centenas de pequenos negócios fechados.

O que se vê é a aproximação de um colapso, com os estados em graves dificuldades financeiras e adotando políticas que punem os servidores, o déficit público explodindo, o aumento do desemprego e da miséria. O governo já escolheu quem pretende salvar e quem deve pagar a conta. Enquanto trabalhadores do setor privado são punidos e os dos setor público são ameaçados, os mais ricos passam incólumes e medidas como a taxação das grandes fortunas, a revogação da emenda constitucional do congelamento de investimentos e o uso das reservas internacionais não são colocadas em pauta.

A política de Bolsonaro, tutelada pelos grandes empresários e especuladores, já está clara: jogar trabalhadores contra trabalhadores, reduzir os salários dos servidores públicos, acabar com a estabilidade, desmantelar os serviços dos quais a população usufrui e no setor privado aprofundar os ataques aos direitos trabalhistas e sindicatos. Assim, é preciso que a atenção seja redobrada: com “deixas” como essa do presidente da Fecomércio, o confisco salarial, novas "reformas" e as privatizações deverão voltar logo à pauta, exigindo capacidade de resposta dos trabalhadores e do conjunto da sociedade.

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