Legado de desrespeito e ataques à cultura


20.Maio.2020 - 18h06min

Depois de menos de dois meses de sua nomeação, Regina Duarte não é mais secretária de Cultura do governo Bolsonaro. Ela deixa oficialmente um cargo no qual, na verdade, nunca esteve de fato e no qual nada fez.

Agora, a seu pedido e, provavelmente, em uma costura com a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), ela vai dirigir a Cinemateca Nacional, substituindo uma especialista com mais de 36 anos na casa.

A passagem de Regina Duarte pela Secretaria de Cultura deixa como legado não um trabalho com projetos para o setor cultural, seriamente atingido pela pandemia do novo coronavírus, mas uma inocultável história de desrespeito à classe artística repleto de ataques à cultura e desamparo aos seus milhares de trabalhadores, na sua maioria em grandes dificuldades.

Deixa um rastro de descaso com a democracia e com a vida expressos pelos seus indisfarçáveis afagos à ditadura e desprezo omisso quando vários nomes importantes da cultura nacional pereceram em sua gestão.

Seu fracasso burocrático é muito mais do que a notória incompetência, o despreparo e os chiliques. É a expressão de um governo de morte e de alguém que minimiza a tortura e ainda diz não poder "carregar um cemitério nas costas"!

Cultura e arte são compromissos irrevogáveis com a vida. Desde os nossos ancestrais, são celebrações da vida nas quais a personificação da morte só transita como o espectro a ser enfrentado e vencido.

Paulo Oliveira

Coordenador da Secretaria de Formação, Cultura e Lazer do Sintrajufe/RS

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