Em semana na qual juristas realizam ato em defesa da democracia, Mourão isenta governo e acusa demais Poderes, imprensa e governadores de levar o país ao caos


14.Maio.2020 - 17h46min

Na quarta-feira, 13, foi realizada uma manifestação, em frente à sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, contra os frequentes ataques à democracia brasileira, a apologia à truculência da ditadura civil-militar e ao negacionismo quanto à pandemia do novo coronavírus e suas consequências. Estavam presentes juristas ligados às entidades Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), Advogados pela Democracia, Justiça e Cidadania (ADJC) e Advogados Públicos pela Democracia (APD).

Com o mote “Em defesa da Vida, da Democracia e da Constituição”, os manifestantes vestiam preto, em luto pelas vítimas da covid-19 e solidariedade às famílias, e portavam um exemplar da Constituição. Tânia Maria de Oliveira, da ABJD, explica que “gritamos juntos em defesa da saúde da população, da democracia no Brasil, tão ameaçada por grupos que pedem o fechamento das instituições, e da Constituição Federal, cujos princípios são todos os dias atacados”. Segundo ela, o ato foi uma resposta a grupos golpistas que têm se manifestado em Brasília. “Quisemos mostrar aos grupos fascistas que se manifestam na mesma praça pedindo o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal que há resistência e luta em defesa do Estado Democrático de Direito”, afirmou Tânia.

Mourão, alinhado a Bolsonaro, ataca oposição e tenta enquadrar imprensa, Judiciário, Legislativo e governadores

Um dia depois, nesta quinta-feira, 14, o Estadão publicou artigo do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, no qual ele afirma que o “estrago institucional” em curso “atingiu as raias da insensatez” e “está levando o País ao caos”. Esse estrago, na opinião de Mourão, tem quatro vertentes, nas quais a “culpa” é distribuída entre imprensa, Legislativo, Judiciário e governadores.

Em primeiro lugar, Mourão fala de uma “polarização que tomou conta da sociedade” e culpa a imprensa, que precisaria, segundo ele, dar o mesmo espaço para as “opiniões distintas” sobre a pandemia, ou seja, deveria dar mais voz a quem é contra o isolamento e defende tratamentos sem respaldo científico. O segundo ponto seria a “degradação do conhecimento político”, o qual estaria sendo usado de maneira “irresponsável” por governadores, magistrados e legisladores. Em terceiro, vem o que Mourão chama de “usurpação das prerrogativas do Poder Executivo”; ao que parece, na visão do vice, nenhuma ação de Jair Bolsonaro (sem partido) poderia ser contestada pelo Legislativo e pelo Judiciário ou pelos governadores. A quarta vertente, por fim, seria o “prejuízo à imagem do Brasil no exterior”, e aqui ele não fala das diversas vezes em que Jair Bolsonaro (sem partido) envergonhou o país, mas de manifestações de “personalidades” que estariam se sentindo desprestigiadas ou inconformadas com o resultado das eleições de 2018. Essas personalidades seriam as que denunciam os vários desmandos de Bolsonaro, mas, na opinião de Mourão, as denúncias de destruição da Amazônia e a piora no aquecimento global, por exemplo, não são mais que “ilações” e “acusação leviana”.

O artigo soa como “cala a boca” mais requintado que o de Bolsonaro; de modo menos tacanho, Mourão fala o mesmo que o presidente: as medidas de proteção à vida estão atrapalhando a economia. Em nenhum momento, são levantados problemas reais não enfrentados pelo governo, como o aumento exponencial no número de mortes por covid-19, a falta de estrutura para tratamento e de condições de trabalho para os profissionais de saúde, o auxílio financeiro aprovado pelo Congresso e que não chega a quem está em graves dificuldades. Mourão acusa os opositores de características que são cada vez mais evidentes no governo de que faz parte: “estatísticas seletivas, discórdia, corrupção e oportunismo”.

Sintrajufe/RS, com informações de ABJD e Estadão.

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