Irresponsabilidade: Bolsonaro descumpre indicações da OMS e do próprio ministério, cumprimenta apoiadores e exalta atos contra a democracia


16.Março.2020 - 17h37min

O último domingo, 15, houve novas demonstrações dos problemas causados ao país pela ausência de um chefe de Estado que esteja à altura do principal cargo da nação. Descumprindo recomendações médicas e orientações da Organização Mundial da Saúde e do próprio Ministério da Saúde, Jair Bolsonaro (sem partido) desrespeitou o isolamento determinado a ele por conta da suspeita de coronavírus, saiu à rua, manteve contato físico com apoiadores e voltou a convocar e exaltar os atos contra a democracia – que também haviam sido objetivamente desaconselhados pelas autoridades de saúde.

Irresponsabilidade

Dos mais de 200 casos confirmados de coronavírus no Brasil, 11 são de integrantes da comitiva de Bolsonaro que foi recentemente aos Estados Unidos. Embora o presidente tenha testado negativo no primeiro exame, é necessário um segundo exame sete dias depois, já que o vírus pode demorar alguns dias para se mostrar detectável. É por isso que Bolsonaro estava isolado, evitando tornar-se um transmissor do coronavírus. Mas, buscando reforçar sua falsa imagem de rebelde, rompeu o isolamento, pode ter contaminado diretamente diversas pessoas (e, indiretamente, incontáveis) e deu um péssimo exemplo em um momento em que cada cidadão precisa conscientizar-se e fazer a sua parte para impedir o aumento da contaminação e o colapso do sistema de saúde.

Riscos

Após a ação desastrada de Bolsonaro, diversas lideranças políticas e técnicas se pronunciaram. Até mesmo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, reforçou que a orientação de distanciamento social vale para todos. Ele explicou que, se cada um não fizer sua parte, a situação irá piorar rapidamente. A tendência, conforme especialistas, é que o pico da doença no Brasil seja entre abril e maio, mas apenas políticas públicas e atitudes da população irão determinar o tamanho do problema e levar à redução ou ao aumento do número de infectados, de pacientes em estado grave e de mortes. No mundo todo, já são mais de 6 mil mortes, e os países que subestimaram os riscos da doença são os mais afetados. Por isso, enquanto o coronavírus ainda chega aos poucos à América do Sul, diversos dos vizinhos do Brasil fecham fronteiras, impedem aglomerações e tomam diversas medidas drásticas para frear a expansão da doença.

Ataques ao serviço público em vez de investimentos em saúde

Enquanto isso, no Brasil, Bolsonaro dá maus exemplos sanitários e tenta utilizar-se do momento para aprovar reformas que desmontam ainda mais o serviço público no país. O presidente faz pouco caso de uma doença grave, que se espalha rapidamente e mata milhares de pessoas, e, ao mesmo tempo, busca aproveitar o caos para forçar o avanço de medidas como o "Plano Mais Brasil", conjunto de propostas de emenda à Constituição (PECs) que, entre outras coisas, permitem a redução salarial de servidores e servidoras e desobriga investimentos em saúde e educação. Sequer cogita, por outro lado, o que diversas entidades têm defendido como uma das formas necessárias de enfrentamento ao coronavírus: a revogação da emenda constitucional 95/2016, que congelou os investimentos públicos e impede que o Brasil se prepare adequadamente para a gravíssima crise sanitária que está chegando ao país.

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