Sintrajufe/RS participa de 1º Encontro Nacional de Mulheres do PJU e do MPU


02.Dezembro.2019 - 18h09min

No último sábado, 30, ocorreu o 1º Encontro Nacional de Mulheres do Poder Judiciário da União e do Ministério Público da União. Servidoras de todo o país se reuniram em Brasília para debater questões relativas à conjuntura atual, relações de trabalho e questões de gênero como a importância da participação das mulheres nos espaços políticos e sindicais.

O Sintrajufe/RS esteve presente com uma delegação eleita a partir de critérios definidos pela Direção e aprovados no Núcleo de Mulheres do Sintrajufe/RS (NUMAS), a fim de que fosse feita a representação equânime de segmentos: duas negras, uma aposentada, uma mulher LBT, uma mulher aposentada e uma mulher que não se enquadrasse nesses critérios, eleita em conjunto com todas as demais, que não tivessem sido sorteadas nos critérios anteriores. Representando a direção do sindicato, a diretora Clarice Camargo acompanhou a delegação.

 

 

No encontro, as servidoras participaram de painéis com conferencistas, se dividiram em grupos de trabalho e encaminharam algumas propostas acerca dos ataques do governo ao serviço público e em relação a questões de gênero e raça. Um dos encaminhamentos é para que a Fenajufe implemente em caráter urgente o coletivo de mulheres para execução das decisões do X CONGREJUFE e, além disso, decidiram por aconselhar os sindicatos para que nas delegações para os eventos da Fenajufe seja observada a paridade de gênero e raça.

 

A criação de espaços de acolhimento psicológico e assessoria jurídica às mulheres nos sindicatos e nos tribunais, para casos de assédio, foi outra pauta dos encaminhamentos, além da realização de um curso de formação anual sobre gênero. Ainda, a necessidade de os sindicatos informarem a população sobre o desmonte do serviço público por parte do governo Bolsonaro (sem partido) também foi debatida no encontro.

Na avaliação da diretora do Sintrajufe/RS Clarice Camargo, “temos ainda temas nos quais precisamos avançar a nossa participação. Nossas entidades de base têm que proporcionar isso, e a Federação pode atuar de maneira que favoreça mais a participação feminina. Vemos que muitos problemas são os mesmos de norte a sul, com pequenas variações. Nós somos maioria na categoria e precisamos ter políticas voltadas para as mulheres de forma efetiva.”

 

Integrante da delegação do Sintrajufe/RS e representante LBT, Eduarda conta que foi a primeira vez que ela participou de um encontro nacional e que aprendeu com mulheres de outras regiões do país. “Fiz parte de um grupo colorido que luta por liberdade. Trocamos experiências e concordamos que somos a força capaz de abrir mentes e libertá-las dos preconceitos. O governo quer acabar com o funcionalismo público e nós mulheres somos as mais afetadas com a reforma da previdência. Não podemos abrir mão do que já foi conquistado”.

Elaine Lidia de Souza Craus, uma das representantes das mulheres negras na delegação, ressalta que o encontro foi um momento valioso de discussão do papel das mulheres na participação social e institucional. “A partir dos diversos relatos, tanto das painelistas quanto das participantes, a constatação a que se chega é que ainda somos atingidas por diversos tipos de violência pelo único e exclusivo fato de sermos mulheres”. Para a colega Roberta Liana Vieira, também representante das servidoras negras, “tanto as palestrantes como as servidoras reunidas em grupo trataram de questões cruciais para a luta sindical e a defesa dos direitos das mulheres dentro e fora do ambiente de trabalho.”

Conjuntura e relações de trabalho

O painel de abertura do encontro debateu “Conjuntura, relações de trabalho e atuação política e sindical da mulher”, com a economista e pesquisadora da Unicamp Marilane Teixeira. A partir de um panorama histórico do sistema financeiro e das mudanças geradas por governo neoliberais no mundo, como a flexibilização da jornada de trabalho, a precarização das relações de trabalho e a baixa remuneração das trabalhadoras, a economista explicou que o Estado mínimo serve apenas ao capital. “Não é só um estado mínimo, mas sim um estado de privilégios, porque ao mesmo tempo, você retira recursos de programas de políticas públicas, mas mantém intactos os privilégios das forças armadas, por exemplo.”

A economista lembrou que a unidade e a ação conjunta são fundamentais para reverter esse cenário. “A luta das mulheres não começou agora. Temos um movimento feminista muito forte e capaz, então nós temos que nos aliar com os oprimidos, movimentos sociais, sindicais e de mulheres. Essa luta é nossa.”

A professora do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Juliana Iglesias Melim ressaltou as dificuldades das mulheres de participarem de espaços sindicais por conta do acúmulo de funções, muitas vezes assumindo duplas e triplas jornadas,portanto a reprodução social da vida , sem contrapartidas. A docente também homenageou a estudante e militante quilombola, Elitânia Souza, estudante de Serviço Social da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), que foi vítima recentemente de feminicídio.

Juliana Iglesias Melim citou os dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), na última terça-feira (26), que aponta que 1 de cada 5 mulheres relataram violências física ou sexual de seus companheiros nos últimos 12 meses. Já no Brasil, segundo a docente, a cada 4 minutos uma mulher sofre violência física. Em 2018, foram registrados mais de 145 mil casos de violência física, sexual e psicológica sofridas por mulheres. “Além da violência sexual e física contra as mulheres, a violência também se expressa na desigualdade salarial, nas jornadas extras de trabalho, nos altos índices de desemprego, na falta de acesso à saúde e educação de qualidade, de moradia, às condições dignas de vida, na criminalização do aborto, que condena milhares de mulheres todos os anos”.

Violência de gênero

A violência de gênero também foi tema de painel no encontro. Para Danieli Balbi, professora de comunicação e realidade brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é de extrema importância a luta pela emancipação das mulheres em todos os espaços de convivência, principalmente, nos de decisão. “O objetivo de um grupo que chega ao poder é se perpetuar neste espaço enquanto detentor de recursos e cooptar entre os perdedores aqueles que constroem o senso comum de validação. O velho mecanismo que chamamos de hegemonia”.

Já Samantha Guedes, professora da Rede Municipal de Educação do Rio de Janeiro, no complexo da Penha, lembrou que “vivemos um retrocesso muito grande dos nossos direitos. Nós poderíamos ter tido políticas que não criminalizassem o aborto, o nosso kit contra a homofobia, pois não basta apenas ter uma legislação específica, temos que ter políticas públicas, para termos uma sociedade de fato sem machismo, racismo e lgbtfobia.”

(Com informações da Fenajufe)

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