Ato convocado pela Frente de Servidores Públicos reúne milhares de pessoas no centro de Porto Alegre, ao final, truculência policial deixa 12 feridos


26.Novembro.2019 - 19h36min

Na tarde desta terça-feira, 26, os servidores públicos do Rio Grande do Sul deram continuidade ao calendário de mobilização contra os retrocessos promovidos pelos governos de Jair Bolsonaro (sem partido), Eduardo Leite (PSDB) e Nelson Marchezan Júnior (PSDB). O ato, convocado pela Frente de Servidores Públicos, da qual o Sintrajufe/RS faz parte, reuniu milhares de trabalhadores de diversas categorias do funcionalismo municipal, estadual e federal em frente ao Palácio Piratini. O Sintrajufe/RS participou da atividade, representado pelo diretor Zé Oliveira.

 

 

O ato ocorreu após assembleia geral dos educadores, que estão em greve, com mais de 1500 escolas paralisadas e 80% de adesão, segundo o sindicato da categoria. Na ocasião, servidores públicos estaduais de outras categorias anunciaram adesão à greve, para derrubar o projeto do governo, que ataca os planos de carreira e a Previdência dos trabalhadores.

O Sintrajufe/RS esteve presente na atividade e, ainda nesta terça, o sindicato esteve em Brasília, integrando a Plenária nacional das três esferas e das estatais, que aprovou calendário de mobilização.

No Rio Grande do Sul, a próxima atividade está marcada para 5 de dezembro, quando os servidores voltarão a realizar ato unificado.

Assembleia do Cpers termina em repressão da BM; presidente é agredida na cabeça

A assembleia do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande (Cpers), realizada na Praça da Matriz antes do ato, terminou em repressão pela tropa de choque da Brigada Militar. O incidente ocorreu após os educadores aprovarem a continuidade do calendário de mobilização da greve iniciada no dia 18 e quando o comando de greve da categoria aguardava para ser recebido pelo secretário-chefe da Casa Civil, Otomar Vivian (PP).

 

 

A assembleia começou por volta das 13h30min, já reunindo milhares de pessoas nos arredores do Palácio Piratini e da Praça da Matriz — segundo a direção do sindicato, entre 15 e 20 mil pessoas participaram. Tudo transcorreu normalmente, com a aprovação de uma série de atividades de mobilização para dar continuidade à greve da categoria, inclusive com a decisão de entregar um documento ao governo do Estado pedindo a retomada do diálogo e a retirada do pacote de reforma administrativa que traz mudanças ao plano de carreira dos professores.

O problema ocorreu quando o governo se recusou a receber o documento dentro do Piratini, aceitando a recebê-lo apenas na calçada. Neste momento, um grupo de pessoas que estava atrás do cordão de isolamento que separava o palácio da assembleia aparentemente ficou revoltado com a decisão e forçou a derrubada dos gradis e a entrada dentro da sede do governo. Rapidamente, policiais militares que estavam dentro do Piratini utilizaram spray de pimenta e distribuíram golpes de cassetete para conter o avanço. Entre os agredidos, estava a presidente do Cpers, Helenir Aguiar Schürer.

 

 

Ela subiu no caminhão de som e fez um breve pronunciamento relatando o episódio, pedindo calma aos educadores e que não dessem “motivos” para a repressão e para o governo encerrar o diálogo com a categoria. A presidente do Cpers exibia um galo na cabeça em decorrência do golpe. Logo em seguida, ela conversou brevemente com a reportagem. “Eu não sei [o que aconteceu]. Quando eu estava cumprimentando o chefe da Casa Civil [Otomar Vivian], eu vi que começou uma correria. Me empurraram e daí o choque me deu com o cassetete na cabeça”, disse a presidente após o episódio, acrescentando que iria para o Hospital de Pronto Socorro (HPS) para avaliar o ferimento. Ela ainda lamentou o episódio. “Alguém disse que deve ser alguém infiltrado, eu não sei o que aconteceu”.

Diversos educadores ficaram feridos pelos golpes e pelo gás de pimenta. O professor Rafael Quadros, de Porto Alegre e membro do comando de greve do Cpers, exibia dois cortes na cabeça e muito sangramento no rosto. “A gente estava para ser recebido, para entregar um documento. Nós estamos aqui em 15 mil pessoas, num ato gigantesco e queríamos ser recebidos de uma forma digna pelo governo. O chefe de gabinete falou que ia receber o comando na porta do Piratini, e a gente dialogou que queria ser recebido dentro de uma forma digna. Nesse momento, a gente tentou entrar e fomos recebidos a pauladas. Eu recebi uma coronhada na cabeça, sangrou bastante. Outras professores do comando também foram agredidas. Enfim, apanhamos como marginais quando a gente só queria ser recebidos de uma forma digna por esse governo autoritário, que passa a ideia de que é democrático e não é, não quer dialogar, não dialogou em nenhum momento sobre esse projeto. Hoje fez sangrar trabalhadores, pessoas que dão a vida pela educação pública, e fomos recebidos de uma forma cretina. A gente queria dialogar, porque ele fala tanto que é aberto ao diálogo, quando ele tem a oportunidade de dialogar num ato que mostra a força da categoria, ele nos trata como se fôssemos bandidos”, disse.

Toda a confusão durou pouco minutos. Depois de a porta ser fechada, um grupo de manifestantes ainda tentou jogar objetos na direção da porta. Logo em seguida, um pelotão da tropa de choque da BM que estava nos arredores se posicionou diante do portão do Piratini e a direção do sindicato, do carro de som, pediu para que todo mundo se retirasse do local. A situação então normalizou-se antes do início do ato unificado.

De acordo com o Cpers, pelo menos dez pessoas foram levadas ao HPS para receber atendimento, incluindo a presidente e outros dois membros da direção. O sindicato informou, por volta das 17h30min, que Helenir já havia passado pela triagem e aguardava para realizar uma tomografia.

Fonte: Sul 21.

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