Em seu XXII Encontro Estadual, NAF teve debates sobre conjuntura e consciência negra e atividades lúdicas; nova coordenação também foi eleita


25.Novembro.2019 - 19h36min

Em seu XXII Encontro Estadual, que ocorreu no dia 21, o Núcleo de Aposentados, Aposentadas e Pensionista do Sintrajufe/RS (NAF) debateu sobre conjuntura e consciência negra. Também houve espaço para dirimir dúvidas jurídicas e confraternizar com os colegas e as colegas. Mais de 40 colegas de oito cidades participaram do Encontro.

Veja abaixo vídeo sobre a importância de participar do NAF:

As diretoras do Sintrajufe/RS Clarice Ribeiro Camargo e Arlene Barcellos (também coordenadora do NAF) e a coordenadora do Núcleo Íria Edinger deram início ao Encontro, juntamente com advogados representantes do escritório Silveira Martins Hübner Advogados, responsável pela assessoria jurídica do sindicato. Os advogados tiraram dúvidas sobre diversas ações e também sobre os efeitos para os aposentados com os ataques do governo.

Na ocasião, foi eleita a coordenação do NAF para o biênio 2019/2020. Arlene e Íria foram escolhidas por aclamação para permanecer na coordenação, com a colega Maria Margarida Gomes de Melo e o colega Ari Heck na suplência.

Alternativas para o desmonte do Estado

A conjuntura atual e a reforma da Previdência foram tema de palestra proferida pela economista Marilane Oliveira Teixeira, doutora em Desenvolvimento Econômico e Social e pesquisadora do CESIT-Unicamp na área de Relações de Trabalho e Gênero. A economista destacou a escalada de ações do governo que visam ao desmonte do Estado, cenário que se reflete internacionalmente. Segundo ela, o capitalismo é um sistema volátil, inseguro, e “assim como se gera o capital fictício, também se destrói”, acarretando sucessivas crises ao longo dos séculos XX e XXI: 1929, 1970 e 2008. “No Brasil, chegamos a um Estado minimamente de proteção social, não um Estado de bem-estar social. Com a crise do último período, se tem cada vez mais as finanças controlando todo o sistema”, alertou.

 

Considerando os acontecimentos recentes que colocaram a América Latina em convulsão, como a derrota do neoliberalismo na Argentina, o golpe da direita na Bolívia, além dos protestos no Chile, Marilane lembrou que não há crescimento econômico sem investimento público. “Ninguém vai investir em ampliar empregos e atividade produtiva se não tiver demanda. Só quem pode fazer isso é o Estado, porque ele é autônomo. Para fortalecer os Estados é preciso melhorar os tributos, como tributar os ricos”, avaliou. Para a economista, o Brasil tem que demonstrar energia e ação política para reverter os retrocessos. “Os nossos vizinhos estão mostrando isso. Temos que voltar a botar as pessoas nas ruas por valores e por motivos reais. O diagnóstico pode ser pessimista, mas temos que ser otimistas na ação”.

Racismo estrutural no país

O mês da Consciência Negra também foi tema de palestra no Encontro, com a presença de Lourdes Helena de Jesus da Rosa, aposentada do TRF4, bacharel em Ciências Políticas e Sociais, estudiosa e pesquisadora da História da Etnia Negra no Brasil e no Rio Grande do Sul. A pesquisadora abordou primeiramente o racismo reproduzido nas produções artísticas brasileiras, em especial a obra de Monteiro Lobato, cuja revisão histórica vem sendo reivindicada pelo movimento negro. Os espaços televisivos também foram objeto de debate: “As crianças e os adolescentes negros não se veem na TV. Quando se veem, é como reprodução de velhos estereótipos. Isso prejudica a formação da identidade dos negros e, ao mesmo tempo, constrói o racismo”, explicou.

Lourdes também abordou a importância das cotas e defendeu a inserção da luta contra o racismo na agenda pública brasileira. A pesquisadora finalizou a palestra com o poema "Nem Casa-grande, nem Senzala", que rebate a obra de Gilberto Freyre considerada uma das responsáveis pelo mito da democracia racial no país.

A mesa também foi integrada pelo diretor do Sintrajufe/RS Mario Augusto Silva Marques, que afirmou ser necessária no Brasil uma “segunda abolição”, citando como consequências do racismo a população carcerária majoritariamente negra e a menor presença de negros nos espaços de poder. Durante o debate, diretora do Sintrajufe/RS Ana Naiara Malavolta destacou a importância de trazer temas como esse para espaços majoritariamente brancos, para falar para pessoas majoritariamente brancas. “Essa dor dos negros, os causadores somos nós, brancos. Temos que virar essa chave”, disse.

Expressão e ludicidade

“A arte como expressão da interioridade humana” foi o tema da terceira palestra do evento, com a presença da psicóloga Flora Bojunga Mattos, mestra em psicologia social e da personalidade, especialista em clínica hospitalar, psicoterapeuta de orientação analítica, fundadora e diretora do Espaço Arte-Ciência, em Porto Alegre.

O encontro seguiu com uma atividade lúdica coordenada por Elaine Regina, focalizadora das danças circulares, atriz bonequeira, mestra em Reabilitação e Inclusão, que atua na área de Arte e Educação Especial. Ela realizou exercícios de integração e expressão com as colegas e os colegas presentes.

Ao final, o Encontro foi encerrado com muita conversa e confraternização em meio a um coquetel oferecido pelo NAF.

    Veja também

    Últimas Notícias

    Clique aqui e cadastre-se para receber nossos INFORMATIVOS

    cadastre-se

    Faça seu Login

    Troca de Usuário

    Recuperar Senha / Primeiro acesso

    O e-mail foi enviado com sucesso.

    Ocorreu um erro no envio.