Campanha Natal Solidário 2019 do Sintrajufe/RS recolhe presentes até dia 6


25.Novembro.2019 - 18h41min

O prazo para recolhimento de presentes da campanha Natal Solidário 2019 do Sintrajufe/RS vai até o dia 6 de dezembro. Este ano, o sindicato arrecadará presentes de Natal para cerca de 400 crianças de três comunidades quilombolas urbanas (Quilombo dos Machado, Quilombo dos Flores e Quilombo dos Lemos) e duas ocupações de Porto Alegre (Ocupação Mulheres Mirabal e Ocupação Lanceiros Negros).

As datas são as seguintes:

- Até 29/11 – passagem do Sintrajufe/RS nos locais de trabalho disponibilizando as cartinhas (elas também estarão disponíveis na sede do sindicato (Marcílio Dias, 660) e no Encontro do Núcleo de Aposentados, Aposentadas e Pensionistas (NAF).

- Entre 2 e 6/12 – recolhimento dos presentes nos locais de trabalho ou na sede do sindicato

- Entre 9 e 13/12 – entrega dos presentes nas comunidades

A escolha das comunidades onde serão feitas as doações não é por acaso: trata-se de movimentos sociais de grande relevância para a cidade, através dos quais o Sintrajufe/RS se propõe a discutir dentro da categoria a importância da interligação de uma ação social com as pautas do racismo, da ocupação urbana da cidade e da violência contra as mulheres. Cada um destes espaços de resistência é ocupado por um conjunto de pessoas que transformou sua vida na própria luta pelo direito à existência e à dignidade. Conheça um pouco das histórias destes movimentos e nos ajude, através da escolha de uma ou mais das cartas destas crianças, a nos responsabilizarmos conjuntamente pelo avanço destas lutas e pela defesa destes territórios e destas pessoas.

Quilombo dos Machado

O Quilombo Família Machado está localizado dentro da Comunidade 7 de Setembro, ao lado do supermercado BIG, na avenida Sertório, Zona Norte de Porto Alegre, no entorno da área da Arena do Grêmio, onde o mercado imobiliário estende seus tentáculos.

Morando na região desde a década de 1960, a Família Machado recebe o reforço na sua luta pela retomada do território com a união de cerca de 30 famílias, no dia 7 de setembro de 2012, criando a comunidade de mesmo nome que hoje reúne cerca de 270 famílias quilombolas e não quilombolas.

Em 2013, a Real Empreendimentos (que deseja construir um shopping no local) entrou com pedido de reintegração de posse da área onde está localizado o Quilombo da Família Machado, território quilombola já certificado pela Fundação Palmares. Embora já certificado, o quilombo encontra entraves para a titulação de seu território junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que já concluiu o laudo histórico e hoje trabalha no laudo antropológico que permitirá a conclusão do processo na Justiça Federal. O prazo hoje previsto é de três anos para a finalização dos trâmites.

Apesar das muitas carências do local, a comunidade conta com creche comunitária, biblioteca, aulas de capoeira e realiza festas junina e do Dia das Crianças.

Número de crianças atendidas pelo Natal Solidário: 270

Casa de Referência da Mulher – Mulheres Mirabal

No dia 25 de novembro de 2016, um grupo de cerca de cem mulheres de Porto Alegre ocupou um imóvel abandonado na rua Duque de Caxias, onde antes funcionava o Lar Dom Bosco, dos Irmãos Salesianos. A data e o nome da ocupação, Mulheres Mirabal, fazem referência ao aniversário do assassinato das irmãs Mirabal – Patria, Minerva e María Teresa –, assassinadas pela ditadura de Rafael Truijillo, na República Dominicana, em 1960. Os corpos das três irmãs, que já haviam sido presas e torturadas pelo governo, foram atirados em um penhasco, dentro de um carro, para simular um acidente. O objetivo da ocupação, desde o início, era dar às mulheres vítimas de violência na capital um atendimento que o serviço público não disponibiliza: um espaço na cidade que fosse um Centro de Referência à mulheres vítimas de violência.

Entre reintegrações e retomadas de posse e o deslocamento para outro imóvel (na rua Souza Reis, 132 , bairro São João, Porto Alegre), a ocupação se transformou em um aparelho de proteção, a Casa de Referência da Mulher - Mulheres Mirabal, que subsiste de doações e projetos de auto sustentação (doações podem ser feitas clicando AQUI).

Número de crianças atendidas pelo Natal Solidário: 26

Quilombo dos Lemos

A família Lemos chegou no território, que fica ao lado do Asilo Padre Cacique, em 1964. Na época, o lago Guaíba chegava até a porta do asilo e não havia transporte público. O casal Jorge e Délzia trabalhou durante cerca de 40 anos fazendo serviços gerais no Asilo. Como tinham que se deslocar da Lomba do Pinheiro até o local de trabalho, ocuparam um terreno baldio ao lado do prédio, onde capinaram e construíram casa e família, criando sua própria forma de subsistência: plantação de milho, criação de porcos e de galinhas.

Reconhecida como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares, a família Lemos aguarda o julgamento do processo que tramita na Justiça Federal, mas enfrenta de tempos em tempos o fantasma da reintegração de posse, com brutalidade, sempre no meio das noites. O Asilo busca ampliar seu espaço físico e para isso reivindica a área usada pela família, alegando que a área teria sido doada por Dom Pedro II para atender órfãos.

O Quilombo dos Lemos tem cinco casas onde hoje moram cerca de 60 pessoas e, mesmo titulada, aguarda decisão judicial sobre a posse.

Número de crianças atendidas pelo Natal Solidário: 23

Ocupação Lanceiros Negros

Iniciada em novembro de 2015, como parte integrante de um importante movimento nacional chamado Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) a Ocupação Lanceiros Negros garantiu durante quase dois anos moradia digna, acesso à creche e à educação, emprego e transporte para mais de 70 famílias, colocando em evidência a existência de dezenas de prédios públicos e privados vazios, enquanto mais de 75 mil famílias não têm teto.

Depois da reintegração de posse do Hotel Açores, para onde a Ocupação Lanceiros Negros foi após o despejo violento de um prédio estadual na General Andrade Neves em Porto Alegre, em 2017, as cerca de 70 famílias ficaram desalojadas e somente seis delas conseguiram obter o benefício do aluguel social. Outras retornaram para suas moradias anteriores, em bairros afastados do Centro Histórico, em municípios próximos ou foram para a casa de parentes.

O prédio do Hotel Açores, onde a ocupação ficou até 2017, continua fechado e abandonado pelo Estado, após o despejo. As famílias se mantém em contato e na luta por moradia digna.

Número de crianças atendidas pelo Natal Solidário: 44

Quilombo Flores

Sendo a comunidade mais recente a buscar a titulação – Portaria 221/2017, DOU 16/08/2017 – o Quilombo da Família Flores busca reconhecimento junto aos poderes municipal e federal. O terreno, no bairro Glória, no qual vivem há mais de 50 anos, tem 2.435m² e é pressionado há décadas por interesses imobiliários, encontrando-se em litígio judicial com herdeiros dos antigos proprietários.

O terreno foi herdado de Adão Fausto Flores da Silva, pai de Geneci, conhecido pelos seus conhecimentos de cura através das plantas e uso da religião de matriz africana. O processo de usucapião foi iniciado em 1983.

Número de crianças atendidas pelo Natal Solidário: 27

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