Em grande ato público unificado, mais de 20 mil servidores dizem não aos pacotes de Bolsonaro, Leite e Marchezan


14.Novembro.2019 - 20h48min

As ruas centrais de Porto Alegre foram tomadas por bandeiras com as cores dos sindicatos de servidoras e servidores públicos federais, estaduais e municipais nesta quinta-feira, 14. O ato unificado das três esferas reuniu mais de 20 mil pessoas, das mais diversas categorias, que denunciaram e mostraram força e disposição para lutar contra os ataques dos governos de Jair Bolsonaro (sem partido), Eduardo Leite (PSDB) e Nelson Marchezan Jr. (PSDB), apresentados em pacotes de reformas que atacam diretamente os servidores e os serviços públicos. A atividade foi convocada pela Frente dos Servidores Públicos do RS, do qual o Sintrajufe/RS faz parte. Colegas do Judiciário Federal de Porto Alegre e do interior, além do Ministério Público da União (MPU), aposentadas e aposentados estavam presentes na mobilização.

Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, apresentaram, na última semana, três propostas de emenda à Constituição (PEC) que atacam diretamente o serviço e os servidores públicos. A PEC 186/2019, a chamada “PEC emergencial”, entre outras coisas, proíbe nomeações e realização de concursos públicos e congela, por exemplo, promoções e reajustes salariais, além de permitir a redução de jornada e salários. Para fazer frente a esses ataques, a categoria aprovou, em assembleia geral, paralisação de 24 horas nesta quinta-feira, 14, e participação no ato unificado.

Estavam presentes mais de 30 entidades e trabalhadoras e trabalhadores de várias categorias, como do Judiciário e do Ministério Público do estado, diversas categorias dos Executivos federal, estadual e municipal, das mais diversas áreas, como educação, saúde e segurança.

Com mobilização, é possível derrotar os ataques do governo Bolsonaro aos servidores e aos serviços públicos

Durante o ato público, manifestaram-se sindicatos representativos de servidoras e servidores das três esferas, centrais sindicais, estudantes e movimento social. Foi denunciado que existe um movimento coordenado, a partir do governo federal e replicado em estados e municípios, para acabar com a aposentadoria e destruir o serviço público, precarizando o trabalho de servidores públicos e atingindo, principalmente, setores mais pobres da população, restringido ainda mais o acesso a serviços básicos como saúde, educação, segurança e Justiça.

A diretora do Sintrajufe/RS Naiara Malavolta falou em nome do sindicato. Ela afirmou que os ataques acontecem nos níveis federal, estaduais e municipais e, por isso, “essa nossa luta é uma luta conjunta”. Destacou que as medidas de Bolsonaro, Leite e Marchezan preveem medidas administrativas que permitem corte de salários, congelam contratações e progressões. A proibição de concursos públicos afeta diretamente a população e a saúde dos servidores. “A gente não pode admitir que isso acontece”. Naiara destacou ainda que o governo Bolsonaro apresentou proposta pode reduzir em 25%. Frente a tantos ataques, ressaltou: “a unificação na luta é a certeza da nossa vitória”.

A diretora do Sintrajufe/RS Adriane Becker disse que “havia muito tempo eu ansiava por essa união dos servidores públicos”. Para ela, “estava mais do que na hora de nos enxergarmos como classe trabalhadora” e a luta unificada é necessária contra os projetos de desmonte do serviço público. Também diretor do sindicato e servidor do MPU, Anderson Mangine, a mobilização foi muito importante para mostrar à população que ela também será afetada pelas medidas, que não é algo que diga respeito apenas ao funcionalismo. Para ele, é necessário ocupar as ruas, dialogar com a população e ampliar o movimento para enfrentar o retrocesso.

A colega Rejane Sacco dos Anjos, aposentada da Justiça Federal de Rio Grande, reforçou que os servidores têm que unir para derrubar as propostas que atacam não apenas o serviço público, mas toda a população: “vivemos em um país tão diverso, tão plural, por isso temos que ir às ruas fazer nossas manifestações; não podemos admitir retrocessos”. A colega Cristiani Pandolfo, da JT de Taquara, disse que ficou “bem orgulhosa do movimento hoje em razão da grande adesão”; ela ressalta que é importante, neste momento, “o maior número de trabalhadores se unirem em razão da gravidade da situação e para darmos maior visibilidade à nossa insatisfação”.

O colega Alan Mezzomo, do TRF4, o ato foi “muito positivo”, com boa participação da categoria; em sua avaliação, como os ataques ao serviço público estão coordenados nas três esferas, é preciso que os servidores lutem unificados pelas mesmas pautas. O colega do TRT4 Rafael Scherer reforçou que os servidores estão à frente dos ataques do governo, mas não são os únicos afetados, pois quem mais sofrerá será a população mais pobre. Em sua avaliação, o ato unitário “deu seu recado” e é necessário aumentar a mobilização.

“Foi um passo muito importante, com impacto bem maior perante a sociedade”, disse o colega Eduardo França, da Justiça Federal de Porto, sobre a mobilização. Para ele, o ato deu um forte indicativo de como as categorias vão ter que passar a agir, de forma coordenada, com unidade, para vencer os ataques dos governos. A diretora do Sintrajufe/RS Cristina Viana dos Santos avaliou o ato como uma retomada positiva da categoria para a mobilização. Para ela, “os servidores estão vendo que tem que se mobilizar” e o quanto serão atingidos. Ela destacou a boa receptividade de pedestres e motoristas durante a caminhada, com palavras e gestos de incentivo e apoio à luta dos servidores: “parece que as pessoas estão acordando para o que está acontecendo no país”.

Para a colega Catarina Piffero dos Santos, da JT Novo Hamburgo, o ato foi muito positivo, mas, pela gravidade das medidas propostas pelo governo, poderia contar com uma participação bem maior de servidoras e servidores do Judiciário Federal; segundo ela, “acho que ninguém está acreditando ainda que pode ser reduzida nossa remuneração”. Da mesma forma, a colega Andrea Martins, do TRT4, avaliou o ato como muito positivo, com grande participação, mas considerou aquém do necessário a presença de colegas da categoria. De acordo com ela, muitos agem “como se nada estivesse acontecendo”, mesmo na “iminência de extinção da Justiça do Trabalho”. Andrea ressaltou que a situação mudou: “antes, a gente lutava por aumento salarial, agora, para não perder direitos, inclusive o salário”.

Na avaliação do diretor do Sintrajufe/RS Marcelo Carlini, “o plano Mais Brasil, de Bolsonaro e Guedes, vai destruir os serviços públicos, aprofundar os efeitos nefastos da emenda constitucional 95. Não pode haver nenhuma dúvida entre os colegas do PJU e do MPU sobre as intenções do governo”. O dirigente ressaltou que “quem fez o que fez na Previdência, com apoio de deputados e senadores venais, está disposto, sim, a reduzir salários e acabar com a estabilidade, atingindo milhões de brasileiros que dependem dos serviços públicos. É hora de acelerar a nossa mobilização, o ato de hoje foi um grande começo!”.

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