Sintrajufe/RS participa de reunião da Frente dos Servidores Públicos, que marca mobilização unificada para 14 de novembro


25.Outubro.2019 - 19h36min

Na tarde desta sexta-feira, 25, o Sintrajufe/RS participou de reunião da Frente dos Servidores Públicos, criada no dia 15 deste mês por entidades representativas de diversas categorias de trabalhadores do serviço público nas esferas municipal, estadual e federal. As cerca de 20 entidades que estiveram presentes na reunião desta sexta definiram a realização de uma grande mobilização unificada no dia 14 de novembro, tendo a luta contra o pacote de Eduardo Leite (PSDB) e contra a reforma administrativa de Jair Bolsonaro (PSL) como principais eixos.

Foto: Guilherme Santos / Sul 21

A reunião aconteceu na sede do Cpers/Sindicato, ameaçado pelo governo de Eduardo Leite em diversos itens do pacote que deve ser enviado nos próximos dias à Assembleia Legislativa. Em assembleia, o Cpers – que representa professores e funcionários de escolas estaduais – já definiu que entrará em greve 72 horas após o envio do projeto. Com a perspectiva de envio na próxima terça-feira, 29, o início da greve pode ser combinado com um ato da categoria na próxima sexta, 1º de novembro.

Luta unificada para barrar ataques

Além das pautas específicas das categorias – os colegas do Judiciário Estadual, por exemplo, também estão em greve –, o objetivo da reunião foi preparar uma agenda unificada de luta e conectar a defesa do serviço público e dos direitos dos trabalhadores em todos os âmbitos. Logo na abertura do encontro, todas as entidades presentes – inclusive o Sintrajufe/RS – somaram-se à iniciativa de realização de uma audiência pública, ainda sem data, a ser concretizada a partir da Comissão de Serviço Público da Assembleia Legislativa e que irá tratar do pacote de Leite.

O diretor do Sintrajufe/RS Marcelo Carlini, presente à reunião, destacou a importância de unificar as lutas e deixar claro para o conjunto da população que são ataques de mesmo sentido os que ocorrem em todas as esferas, ataques que atingem não apenas os servidores públicos, mas todos os trabalhadores. "A derrota do Eduardo Leite é a derrota do Bolsonaro", destacou, defendendo que os servidores públicos podem ser o catalizador de mobilizações massivas que questionem o conjunto de políticas contrárias aos trabalhadores. Ele lembrou o exemplo chileno, onde a questão da tarifa de metrô serviu como fagulha para uma rebelião popular ampla. Conforme o dirigente, a unidade deve ser a mais ampla possível para que se possa fazer o enfrentamento real a esse discurso e às políticas que a ele se conectam.

Também esteve na reunião o diretor do Sintrajufe/RS Zé Oliveira. Em sua fala, ressaltou a importância da Frente como um espaço de articulação dos servidores das esferas federal, estadual e municipal. "Temos nossas especificidades, mas precisamos tentar casar as pautas e conciliar os eixos de luta", afirmou, defendendo que se comece a discutir uma paralisação geral dos servidores públicos brasileiros.

Estiveram em discussão durante a reunião as diversas linhas de ataque dos governos contra os trabalhadores e o serviço público, desde as reformas previdenciária e administrativa de Bolsonaro até o pacote de Eduardo Leite e a intenção do governador de acabar com a obrigatoriedade de plebiscitos para privatizar algumas das empresas públicos do Rio Grande do Sul. Conforme apontou Carlini, essas medidas estão conectadas entre si e dialogam com um relatório recentemente divulgado pelo Banco Mundial.

No enfrentamento a esse projeto de destruição do serviço público e de ataques a direitos dos trabalhadores, é crescente o número de categorias em greve – depois do Judiciário Estadual, os professores e funcionários de escolas devem ser os próximos. E, para o dia 14 de novembro, começa a ser preparada uma grande mobilização que deve parar Porto Alegre, reunindo servidores das três esferas.

Dirigentes destacam unidade e mobilização

Para a presidente do Cpers, Helenir Schürer, "é importante essa organização que abrange os servidores federais, estaduais e municipais com eixos de luta do interesse de todos. Tivemos há pouco a reforma da Previdência, no Rio Grande do Sul a reforma administrativa, o governo federal já apontando que virá a reforma administativa também... portanto, é um espaço de aglutinar forças e, coletivamente, enfrentar aqueles que atacam o serviço público. A Frente cada dia se fortalece mais e, no dia 14, será o dia da grande assembleia geral do serviço público em Porto Alegre, para demonstrar que não teremos perda de direitos sem muita resistência".

O diretor do Sindjus/RS Fabiano Zalazar destaca que os servidores do Judiciário Estadual estão "há 32 dias em greve, uma greve absolutamente exitosa, onde temos conseguido, acima de tudo, formar consciência na nossa categoria, os colegas cada vez mais sabedores de que temos que resistir e lutar. Sobretudo uma luta por dignidade e valorização profissional, que está absolutamente conjugada com a luta dos servidores públicos nas três esferas. Então é imprescindível termos unidade dos trabalhadores, porque só assim vamos poder resistir e sair vitoriosos desse processo".

Marcolino Oliveira, diretor do Sindiserf/RS, defende que "temos que chamar as catgorias para essa mobilização do dia 14, em Porto Alegre e tentar trazer o pessoal do interior. O nosso sindicato vai estar junto nessa luta. O governo aqui do estado está fazendo isso, e o federal também: depois da reforma da Previdência, vem com a reforma administrativa, que vai ser um caos também. É importante integrar as lutas, quanto mais força, melhor".

O presidente da CUT/RS, Claudir Nespolo, critica Eduardo Leite: "o governador do estado quer jogar os trabalhadores gaúchos contra os servidores públicos, é nítido o desenho do pacote que ele apresentou, para passar a ideia de que somos privilegiados. O nosso papel tem sido esclarecer, junto às categorias do setor privado, que quem precisa de serviço público é o povo trabalhador, o rico tem dinheiro para pagar saúde, para pagar educação, e, na medida em que esse projeto enfraquece a educação pública e restringe o dinheiro para a saúde, a grande vítima não é o servidor público, é o trabalhador que não tem como pagar para ter esses serviços. Nós precisamos do serviço público e precisamos de servidores".

Na próxima semana, a direção do Sintrajufe/SR irá divulgar os passos para a preparação da atividade do dia 14 de novembro, pois a luta contra a reforma administrativa de Bolsonaro já começou.

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