Reforma da Previdência de Bolsonaro é construída em cima de mentiras


13.Setembro.2019 - 17h42min
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A reforma da Previdência que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) vem tentando impôr aos brasileiros, e que aguarda votação no Plenário do Senado, avança envolta em uma série de mentiras apresentadas pelos poderosos para enganar e retirar direitos dos trabalhadores. A farsa do déficit da Previdência é uma dessas mentiras, talvez a mais conhecida, mas não a única.

Em reportagem nesta semana, a revista Carta Capital destrinchou as planilhas obtidas depois de muita dificuldade (retrato da falta de transparência) nas quais o governo detalha diversos aspectos da proposta de reforma. Na reportagem, a revista explica que as planilhas manipulavam diversas contas, como por exemplo "inflava o déficit ao descartar as contribuições empresariais acima do teto até R$ 11700,00". como lembra a matéria, "são estas as contas que ilustram as apresentações enganosas feitas por representantes do governo desde abril".

Como mostram as planilhas, conforme a Carta Capital, "o trabalhador mais pobre pós-reforma continuará recebendo salário mínimo, mas precisará contribuir cinco anos a mais, ou 33% a mais. Para salários superiores ao piso, o desconto do salário para a aposentadoria com a reforma, será, na condição mínima de 15 a 20 anos de contribuição, de 40%. Hoje é de apenas 15% para 15 anos de contribuição e de apenas 10% para 20 anos de contribuição. Ou seja, o subsídio para os pobres pós-reforma será muito menor, e não maior como alegam os cálculos do governo. É exatamente este corte no valor da aposentadoria que jogará milhões de famílias na pobreza".

Franceses reagem com greve a proposta de reforma da Previdência de Macron

Na França, como no Brasil, o governo tenta atacar a aposentadoria dos trabalhadores como caminho para a manutenção e expansão dos lucros dos mais ricos. Nesta sexta-feira, 13, em meio a essas ameaças, Paris amanheceu em luta. Como resposta a uma proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo de Emmanuel Macron, os trabalhadores dos transportes públicos da capital francesa estão em greve e geraram uma bola de neve de paralisação da produção e da circulação dos demais trabalhadores nesta sexta. A greve é realizada pelos trabalhadores dos metrôs e dos ônibus e deve ser seguida, a partir de segunda-feira, também por outras categorias.

Foto: AFP

Conforme o jornal francês Le Parisien, dez das 16 linhas do metrô de Paris estavam fechadas e as demais saturadas na manhã desta sexta. Além disso, os ônibus circulavam em número reduzido e, nos arredores de Paris, havia mais de 235 quilômetros de congestionamentos. Um início de resposta dos trabalhadores à proposta do governo de criação do que chama de um "sistema universal" de Previdência, que desconsidera as particularidades das profissões, ignorando, por exemplo, os trabalhos com periculosidade.

Trata-se da maior greve do setor de transportes na França nos últimos 12 anos. Em 2007, o ex-presidente Nicolas Sarkozy também apresentou um projeto de reforma da Previdência, que acabou aumentando a idade de aposentadoria da maioria dos servidores públicos franceses.

Os ataques à Previdência social não são um "fenômeno" brasileiro. O abalo global da economia em 2008, cujas causas ainda estão vivas nos mercados, levou diversos governos dos mais variados espectros políticos a buscarem nos recursos das aposentadorias dos trabalhadores o remédio para a crise. Bilhões de dólares foram drenados dos cofres públicos sem com isso resolver o problema: não faltam economistas para alertar sobre uma nova crise igual ou maior que há pouco mais de dez anos.

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