Dados de Pesquisa de Saúde do Sintrajufe/RS são apresentados em atividade relativa ao Setembro Amarelo na PRR4


09.Setembro.2019 - 18h09min

Na sexta-feira, 6, a Procuradoria Regional da República na 4ª Região (PRR4) promoveu debate sobre a síndrome de burnout. Entre os participantes estava o médico do trabalho Fernando Feijó, que apresentou dado da Pesquisa de Saúde realizada pelo Sintrajufe/RS em 2018 e da qual foi um dos coordenadores. A atividade integrou o seminário “Prevenção ao suicídio, à depressão e ou burnout”, que teve início no dia anterior.

A síndrome de burnout, também conhecida como síndrome do esgotamento profissional, é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico e emocional. De acordo com um dos debatedores, o psiquiatra Pedro Eugênio Mazzucchi Sant’ana Ferreira, algumas das consequências podem ser: absenteísmo, aposentadoria precoce, conflitos com colegas e com familiares, diminuição da performance profissional, depressão, ansiedade e até suicídio.

Ferreira disse que a sociedade competitiva ao extremo, com cobranças excessivas e a ideia de que não se pode falhar, a falta de apoio na organização e metas irreais podem levar a um quadro de burnout. Para o psquiatra, o problema tem solução, principalmente quando precocemente identificado. É necessária uma ação coletiva, não apenas individual, mas envolvendo a instituição, com melhoria nas condições de trabalho, mais humanização das relações de trabalho, adoção de práticas que reforcem a saúde mental, apoio psicossocial, conscientização sobre burnout, depressão e suicídio.

A psicóloga Michelli Moroni Rabuske, do Ministério Público Federal (MPF), participou por videoconferência e falou sobre as atividades desenvolvidas pelo grupo de trabalho, criado em 2016, a fim de levantar problemas e propor ações de prevenção em relação à saúde mental no MPF. Entre as ações estão o enfrentamento do assédio moral, programas de inclusão e acompanhamento de servidores com deficiência. Para Rabuske, um dos empecilhos para o desenvolvimento do trabalho, até o momento, tem sido a dificuldade em ultrapassar o limite das ações individuais e fazer mudanças na organização do trabalho, acabar com as situações que levam ao adoecimento.

Pesquisa de Saúde

Risco psicossocial se refere à presença de condições de trabalho que influenciam a saúde mental, podendo causar danos psicológicos, sociais ou físicos. Em sua apresentação da Pesquisa de Saúde 2018/2019, Fernando Feijó mostrou que, no Judiciário Federal, o risco alto quanto à segurança psicossocial no trabalho chega a 64,1%. Também foi destacado o alto percentual de estresse ocupacional (diz respeito a demandas de trabalho, autonomia sobre o trabalho desempenhado e alto esforço para desempenhar as tarefas), entre 30% e 50%.

Outro dado ressaltado por Feijó é que, de 2016, data da última Pesquisa, até 2018, aumentou a prevalência de assédio no Judiciário Federal. O assédio eventual subiu de 82,7% para 83% e o assédio moral, de 16,9% para 17,7%. Em sua avaliação, são fatores de risco para o assédio moral: falta de pausas durante a jornada de trabalho (nesse caso, é bidirecional, porque quem é assediado também faz menos pausas), aumento de jornada de trabalho, metas abusivas, cor da pele e orientação sexual (neste caso, o número de respondentes não foi suficiente para dar relevância estatística, mas os dados indicam essa possibilidade). Também foram registrados altos índices de problemas osteomusculres, lesões por esforço repetitivo, sintomas oftalmológicos, dores de cabeça e insônia.

Diante desse quadro, no mesmo período de dois anos entre as duas pesquisas, o percentual de transtornos mentais comuns entre os colegas subiu de 27,2% para 33,5%. Esses transtornos dizem respeito a quadros subclínicos de ansiedade, depressão e estresse. Na categoria, 29,7% apresentaram escore sugestivo de depressão e 12,6%, de episódios depressivos e 4,2% responderam que pensaram em tirar a própria vida nos últimos 30 dias. A ocorrência de assédio moral aumenta em até 981% as chances de ideação suicida.

Vários colegas do Ministério Público da União e do Judiciário Federal assistiram ao debate. Entre eles, a diretora e coordenadora da Secretaria de Saúde e Relações de Trabalho (SSRT) do Sintrajufe/RS, Clarice Camargo, e a assessora Fernanda Pontes, representando o sindicato, e o coordenador da secretaria à época da realização da Pesquisa, Ruy Almeida. Para Clarice, as palestras foram esclarecedoras, ricas de exemplos e possibilidades de atuação, administrativa e médica, e do próprio MPF. “Temas difíceis enfrentados por profissionais e representantes daquele órgão demonstram o interesse de melhorar o ambiente de trabalho e, principalmente, a saúde dos que ali estão em atividade e podem estar adoecidos. Medidas que ali foram expostas podem ser adotadas em outros setores da categoria, uma vez que os servidores do Judiciário têm problemas semelhantes aos dos colegas do MPU”, avaliou.

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