Pesquisas mostram que rejeição a Bolsonaro cresce para até 41%; percentual que avalia governo como ruim ou péssimo supera o de ótimo ou bom


03.Setembro.2019 - 17h09min

Nos últimos dias, duas pesquisas confirmaram que a popularidade de Jair Bolsonaro (PSL) não para de cair. Levantamento feito pelo Datafolha mostra que, em dois meses (a contar de início de julho), a rejeição (consideram bom ou ótimo) foi de 33% para 38%. A aprovação (consideram ótimo ou bom) também caiu, de 33% para 29% no mesmo período. A avaliação do governo como regular ficou estável e passou de 31% para 30%. De acordo com a pesquisa XP/Iespe, a rejeição chega a 41% (era 26% em abril); enquanto 30% consideram o governo bom ou ótimo (era 35%) e 27% o avaliam como regular (antes, 31%).

Em pesquisas anteriores do Datafolha, realizadas em julho e abril, o cenário que se apresentava era o país dividido em três partes iguais, entre os que consideravam Bolsonaro ótimo ou bom, ruim ou péssimo e regular. Isso mudou, com o percentual de rejeição se sobressaindo. A avaliação de Bolsonaro é a pior entre os presidentes eleitos em primeiro mandato nos primeiros oito meses de governo. Fernando Henrique, no mesmo período de tempo, tinha 15% de avaliação ruim ou péssima; Lula, 10%; e Dilma, 11%.

Fonte: Folha de S. Paulo

A avaliação de Bolsonaro, como mostra o Datafolha, é pior entre a parcela mais pobre da população, que ganha até 2 salários mínimos (22%), é mais jovem (16 a 24 anos, 24%) e tem baixa escolaridade (só ensino fundamental, 26%). No entanto, o apoio também caiu entre os mais ricos, com renda superior a 10 salários mínimos: a aprovação, que era de 52% em julho, caiu para 37%.

Para um terço dos entrevistados pelo Datafolha, a conduta de Bolsonaro não condiz com a esperada de um presidente. Apenas 15% acham que ele sempre se comporta de maneira condizente (desses, 24% são empresários); para 32%, isso nunca acontece (desses, 11% votaram em Bolsonaro). O nível de confiança no mandatário do país também é baixo, uma vez que 44% afirmam que nunca acreditam nas suas declarações (desses, 57% se declaram pretos); apenas 19% dizem acreditar sempre (desses, 38% votaram em Bolsonaro).

Governo também é reprovado

De acordo com o Datafolha, para 62% dos entrevistados, o presidente fez menos do que o esperado pelo Brasil. Diante desse quadro, cai também a expectativa em relação governo. Em abril, 59% dos brasileiros acreditavam que Bolsonaro faria uma gestão boa ou ótima; esse número caiu para 45%. Por outro lado, o percentual dos que creem que o governo será ruim ou péssimo cresceu de 23% em abril para 32% em agosto. Na pesquisa XP/Iespe, a expectativa era positiva para 50% em abril e caiu para 43%; os que tinham expectativa de que o governo seria ruim ou péssimo eram 23% em abril e chegam a 33% em setembro.

A pesquisa XP/Iese também perguntou sobre a expectativa em relação à corrupção. Em abril, 43% acreditavam que a corrupção iria diminuir ou diminuir muito nos seis meses seguintes; esse percentual caiu para 35%. Por outro lado, os que pensavam que a corrupção iria aumentar ou aumentar muito em seis meses seguintes cresceu de 24% em abril para 30%.

A reprovação ao governo também caiu, e de forma mais expressiva, no Nordeste, com 52% considerando-o ruim ou péssimo, como mostra o Datafolha. Além do Nordeste, a rejeição ao governo é maior entre as mulheres (43%), pessoas com renda superior a 10 salários mínimos (46%), desempregados (48%), pretos (51%) e ateus (76%). Os que mais aprovam o governo são homens (33%), brancos (36%), moradores das regiões Sul e Centro-Oeste (37%), com renda entre 5 e 10 salários mínimos (39%), evangélicos neopentecostais (46%) e empresários (48%).

Nos dois últimos meses, que registram a queda acentuada em sua aprovação, Bolsonaro conseguiu aprovar a PEC 6/2019, de reforma da Previdência, na Câmara dos Deputados, o que representa praticamente o fim do direito à aposentadoria digna para milhões de brasileiros.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, “vários fatores apontam uma deterioração” da imagem do presidente. Nesses dois meses, Bolsonaro também elevou o tom, nas redes sociais, com fake news e opiniões truculentas, muitas vezes batendo boca com internautas. Entre os temas de maior repercussão, estão a insinuação de que o pai de Felipe Santa Cruz, presidente da OAB, teria sido morto não pela ditadura civil-militar, mas por seus companheiros de organização e ter chamado os nordestinos de “paraíbas”. Ele enfrenta, ainda, resistência em sua própria base política em polêmicas envolvendo seus filhos: a indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) à Embaixada nos Estados Unidos e mudanças na Polícia Federal e no Coaf, órgão de investigação financeira que apontou possíveis irregularidades em relação a outro filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

Por fim, discutiu publicamente com o presidente francês, Emmanuel Macron, na maior crise internacional do governo até o momento, por conta das queimadas na Amazônia. Bolsonaro demitiu o presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais depois de afirmar que os dados sobre o aumento das queimadas em seu governo serem mentirosos e, sem qualquer prova, acusou organizações não governamentais de promoverem incêndios criminosos com o propósito de desestabilizar seu governo. Para 51% dos entrevistados, a condução de Bolsonaro no caso das queimadas foi ruim ou péssima.

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