Toma lá, dá cá: governo tenta mais uma vez comprar parlamentares para aprovar ataque à Previdência pública


29.Maio.2019 - 17h44min

O jornal Folha de S. Paulo publicou reportagem nessa terça-feira, 28, denunciando a repetição da tentativa do governo de comprar parlamentares para aprovar a reforma da Previdência. De acordo com a reportagem, a oferta agora é de R$ 10 milhões extras por semestre, para cada deputado fiel, totalizando um acréscimo de R$ 40 milhões até 2020 na verba que os congressistas podem manejar no Orçamento. Mais uma demonstração de que o "toma lá, dá cá" segue correndo solto nas relações entre o governo Bolsonaro e o Congresso. Demonstração, também, de que todos sabem que a proposta de reforma irá prejudicar o país: o governo está tendo que oferecer mais e mais dinheiro para que os deputados votem algo que sabem que ali na frente será cobrado pelo seu eleitorado.

 

Como informa o jornal, o ministro Onyx Lorenzoni, da Casa Civil, é o responsável por mais uma rodada de negociações com líderes partidários. A promessa liberação do dinheiro até 2020 é uma tentativa de amaciar os deputados levando-se em conta a realização de eleições naquele ano. Ou seja: o parlamentar aprova a reforma, o governo Bolsonaro ajuda a reelegê-lo. E segue o toma lá, dá cá.

 

A Folha explica que "de acordo com documento obtido pela reportagem, o repasse será feito direto do ministério de escolha dos parlamentares para o município, e o parlamentar apadrinhará a obra. Congressistas confirmaram que a alocação dos recursos virá de remanejamento interno da pasta, com a atrelação política ao voto do parlamentar: ou seja, deputados que não votarem pela Previdência não poderão beneficiar as obras de seus municípios". Ainda, "o valor oferecido a líderes partidários que aportarem votos de seus deputados é de R$ 80 milhões, o dobro a ser apadrinhado por deputados das bancadas" e, por fim, "o governo também tem conversado com parlamentares no "varejo", em alguns casos passando por cima de líderes das bancadas. E membros da articulação com o Congresso enviaram cobranças a partidos para que enviassem listas de como as bancadas haviam decidido alocar os recursos".

 

O documento entregue às bancadas faz referência a um projeto de "Plano de Políticas Públicas - Fase 1/2019", que poderá receber recursos dos ministérios da Agricultura, Desenvolvimento Regional, Saúde, Educação e Cidadania. Ou seja, o dinheiro que poderia ser destinado, por exemplo, à Saúde e à Educação, será usado para propagandear mandatos de deputados comprados pelo governo.

 

Os recursos não são vinculados às emendas parlamentares a que os deputados têm direito, mas aos ministérios. Hoje, os congressistas podem direcionar para seus redutos eleitorais, anualmente, R$ 15,4 milhões das verbas federais, por ano.

 

Enfrentar a falta de ética com mobilização

 

Enquanto o governo compra deputados, nossa única estratégia possível é a luta. Os trabalhadores estão se mobilizando de forma crescente, e, no dia 15 de maio, mais de duzentas cidades tiveram mobilizações, reunindo mais de um milhão de pessoas em todos os estados do Brasil. O próximo grande dia de lutas será nesta quinta-feira, 30. Em Porto Alegre, o ato público em defesa da Educação e da Previdência ocorre às 18h, na Esquina Democrática. Depois, no dia 14, será momento de parar por um dia para não trabalhar até morrer: a greve geral convocada por todas as centrais sindicais promete para o país em defesa dos nosso direito à aposentadoria.

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