Ratinho, Datena, Milton Neves, Luciana Gimenez: Bolsonaro contrata “famosos” para fazerem defesa da reforma da Previdência


23.Maio.2019 - 15h31min

O governo de Jair Bolsonaro (PSL) contratou um grupo de apresentadores milionários para fazerem propaganda a favor da reforma da Previdência em tramitação no Congresso Nacional com a proposta de emenda à Constituição (PEC) 6/2019. Além da propaganda que já está sendo apresentada, esta nova campanha contará com ações de marketing nos programas de TV.

Segundo o portal Meio & Mensagem, em apuração junto à Secretaria de Comunicação do governo, a campanha será veiculada em todas as grandes emissoras abertas de alcance nacional (SBT, Record, RedeTV e Band), com exceção da Globo, que não permite merchandising governamental. O custo total será de R$ 40 milhões. O irônico é que todos os nomes confirmados têm renda mensal média estimada em R$ 1,3 milhão (sem considerar o lucro com empresas próprias, propaganda e comissões). Os contratados, com suas respectivas rendas mensais estimadas, são: Ratinho (R$ 3 milhões), Rodrigo Faro (R$ 3 milhões), Milton Neves (R$ 1,3 milhão), Datena (R$ 1 milhão), Ana Hickmann (R$ 700 mil), Luciana Gimenez (R$ 500 mil) e Renata Alves (R$ 100 mil). Milton Neves revelou em sua rede social que o cachê que receberá do governo é de R$ 500 mil.

Isso significa que as pessoas contratadas para tentar convencer os trabalhadores de que a reforma “é necessária” não serão minimante afetadas, uma vez que seus rendimentos estão muito acima da média do país. Um trabalhador brasileiro que recebe R$ 998 por mês teria que trabalhar por 114 anos para acumular um valor igual à média do que esses sete apresentadores ganham em apenas um mês.

“Nenhum deles faz jornalismo na prática. Eles são apresentadores de programas de entretenimento. Eles vendem para os telespectadores deles. Eles vendem produtos, vendem ideia, vendem imagem, vendem ilusão, vendem a verdade. Eles não passam de camelôs eletrônicos. São vendedores que aproveitam o seu espaço, o seu programa, para vender todos os tipos e qualquer produto. Pagou, eles vendem. Foi o que o governo fez. O governo pagou e eles vão vender a ideia que a reforma da Previdência é a melhor coisa para o brasileiro”, disse Edney Almeida, pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas Urbanos e doutor em sociologia urbana, mídia e sociedade, ao Brasil de Fato.

Durante o governo Michel Temer (MDB), a partir de 2016, também foram autorizadas despesas no valor total de R$ 183 milhões para propaganda, pesquisas e sites de apoio à reforma da Previdência. Na época, o governo desistiu da proposta por conta do desgaste político e pela forte pressão das mobilizações dos trabalhadores, incluindo a maior greve geral da história do país.

Fonte: Meio & Mensagem e Brasil de Fato

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