É fake news que a maioria da população é a favor da reforma da Previdência


13.Maio.2019 - 16h42min

Grande parte da imprensa repercutiu uma pesquisa do Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirmando que a maioria da população seria a favor da reforma da Previdência. A divulgação ocorreu no dia em que o ministro da Economia Paulo Guedes foi à Comissão Especial da reforma na Câmara dos Deputados, carregando um sentido bem definido: passar a falsa ideia de que o povo apoia essa reforma que significa a destruição da Previdência pública e o fim do direito à aposentadoria de grande parte da classe trabalhadora.

O principal dado utilizado para criar essa interpretação, destacado pelo próprio Ibope, é que 59% dos entrevistados seriam favoráveis a uma reforma da Previdência, contra apenas 36%. À primeira vista, poderia parecer que a percepção sobre a reforma virou, já que as pesquisas anteriores sempre apontaram o contrário. Porém, a pergunta da pesquisa não diz respeito à reforma da Previdência do governo Bolsonaro que tramita no Congresso e que, entre outras coisas, impõe idade mínima de 65 anos para homens e 62 para mulheres, reduz aposentadorias de forma geral e decreta 40 anos para o recebimento do benefício integral.

O que a grande mídia escondeu é que a reforma da Previdência do governo Bolsonaro é conhecida por apenas 36% dos entrevistados. E entre os que conhecem seus pontos, a maioria, 51%, são contrários, contra 36% que são favoráveis, concentrados justamente entre aqueles que ganham mais. Ou seja, a ampla maioria da população desconhece os pontos da reforma, e dentre os poucos que conhecem, a grande maioria é contrária.

O que poderia explicar essa aparente contradição? Pense na realidade da grande maioria dos aposentados que sobrevivem com um salário mínimo de R$ 998, sendo que o mínimo constitucional deveria ser, segundo o Dieese, de R$ 4 mil. Ou na maior parte da classe trabalhadora brasileira, submetida à informalidade e precarização, e cuja expectativa é não se aposentar ou, na melhor das hipóteses, aposentar-se com um salário mínimo ou um pouco além disso. Do outro lado, vê juízes e políticos se aposentando com fortunas e acumulando privilégios. É óbvio que se alguém perguntar se isso precisa ser mudado (ou “reformado”, como capciosamente questiona a pesquisa), vai concordar.

Outro exemplo de como isso ocorre. A pesquisa e a imprensa destacam também que subiu o número de pessoas que defendem o estabelecimento de uma idade mínima para se aposentar. Segundo o Ibope, os defensores da idade mínima subiram de 65% para 72% nos últimos quatro anos. Agora, qual é essa idade mínima? Quase todos, 80%, acham que ela deveria ser de 60 anos ou menos. Quase a mesma percentagem, 73%, não acham que as pessoas devam trabalhar mais tempo para se aposentar do que trabalham hoje. Só 6% acham a aposentadoria só deveria valer após os 65 anos, que é a idade mínima proposta pelo governo para os homens. Novamente, a conclusão da pesquisa contradiz o que a grande imprensa quer fazer parecer.

Outra manipulação: o déficit da Previdência. A pesquisa diz que a maior parte da população é contrária a pagar mais impostos para resolver o rombo da Previdência. A pergunta já incute uma resposta, porque já parte do pressuposto defendido pelo governo, banqueiros e a imprensa, de que há um rombo na Previdência causado pelas aposentadorias, o envelhecimento da população etc. Diante disso, a maior parte afirma que o “problema” deve ser resolvido alterando as regras da Previdência. Logo, apoiariam a reforma. Distorcem conscientemente os dados para fazer parecer popular uma medida indefensável.

Rumo à greve geral

A pesquisa e a manipulação massiva praticada pela imprensa, em muitos casos financiada diretamente pelo governo, reafirmam a necessidade das centrais, dos sindicatos, movimentos sociais e populares, de explicarem aos trabalhadores, à população, o real significado dessa reforma que atinge os mais pobres para beneficiar os banqueiros.

Junto a isso, é necessário defender o rechaço total a essa reforma, que não tem “pontos bons” e “pontos ruins”, como afirmam alguns. Ela, no total, é contra os trabalhadores e deve ser repudiada por completo. E finalmente organizar, nas fábricas, escolas, locais de trabalho e nos bairros, a resistência a essa reforma, rumo à greve geral convocada pelas centrais para o dia 14 de junho. Os servidores do Judiciário Federal e Ministério Público da União no Rio Grande do Sul decidirão sua participação nessa greve em assembleia geral da categoria nesta quinta-feira, 16 de maio.

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