10º Congrejufe: "temos que nacionalizar a luta contra o assédio moral", diz diretor do Sintrajufe/RS em painel sobre saúde


30.Abril.2019 - 21h56min
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Na manhã desta terça-feira, 30, o 10º Congresso da Fenajufe (Congrejufe) debateu os problemas de saúde dos trabalhadores do Judiciário Federal no contexto laboral. O palestrante foi o professor Emílio Peres Facas, da UnB, que apresentou a Pesquisa de Saúde da Fenajufe. Em intervenções após a palestra, foram apresentados pela direção do Sintrajufe/RS dados das duas pesquisas realizadas recentemente no Rio Grande do Sul.

O painelista começou esclarecendo que uma pesquisa é sempre o retrato de um momento, e lembrou que o momento é difícil, de muitos ataques, o que impacta na saúde dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, afirmou, a pesquisa é apenas um instrumento, que não tem importância apartada das lutas dos trabalhadores.

Ele apresentou alguns dados obtidos na Pesquisa da Fenajufe, iniciando pelo preocupante fato de que 66% dos pesquisados teve algum problema de saúde vinculado ao trabalho – além do déficit gerado pela subnotificação. Há, conforme apontou Facas, diversos fatores de risco que geram adoecimento e assédio moral: número de pessoas insuficiente para fazer o trabalho, prazos irrealistas e metas inatingíveis (o que gera sobrecarga de trabalho), gestão individualista do trabalho, entre outras questões vinculadas à estrutura e à organização do trabalho no Judiciário.

O professor criticou a existência de um modelo de gestão que atende a uma lógica da iniciativa privada e as administrações tentam encaixar no serviço público, comparando com um brinquedo no qual se tenta encaixar uma estrela em um quadrado: não encaixa e, se forçar, o brinquedo quebra. Nesse contexto, as pessoas não se sentem reconhecidas nos esforços que fazem no trabalho e fica faltando sentido nesse trabalho – a pessoa não acredita que o seu trabalho é útil para a sociedade. Conforme destacou, o ser humano não pode ser tratado como máquina e, quando isso acontece, gera sofrimento.

Os dados mostraram, ainda, que o problema é estrutural. Ao mesmo tempo, há a questão pessoal, o assédio no qual o trabalhador fica com vergonha de expor a situação. Assim, o enfrentamento deve também combinar ações coletivas macro com ações específicas: "o grande desafio em relação ao assédio moral, para além das lutas que são mais macro, é um trabalho de base de discutir o tema. E não existe melhor maneira de discutir o tema do que escutar as pessoas que passam por esse tipo de situação". A pergunta que fica, defendeu, é "como a gente pode resgatar a esperança?". Faca contou que tem percebido nos trabalhadores "um sentimento de desesperança, de desencanto. E nós só resgatamos a esperança, a dignidade, nós só nos resgatamos como seres humanos na medida em que a gente se junta com outras pessoas, que a gente enfrenta junto as situações difíceis", completou.

Debate

Após a palestra, foi aberto espaço para intervenções, e três delegados do Rio Grande do Sul falaram ao microfone. A colega Rejane dos Anjos, da Justiça Federal de Rio Grande, falou das dificuldades geradas pelo teletrabalho, como a falta de responsabilização da administração pelas condições de trabalho dos servidores e a dificuldade gerada na organização sindical pelo distanciamento em relação aos colegas em teletrabalho.

Os diretores do Sintrajufe/RS Rodrigo Mércio e Ruy Almeida também falaram, apresentando dados da Pesquisa de Saúde do sindicato e dialogando com os resultados da pesquisa da Fenajufe. Rodrigo falou primeiro, lembrando os casos de assédio entre colegas e ressaltando que todos devem se ajudar e denunciar qualquer problema, ao mesmo tempo em que os sindicatos devem, como tem feito o Sintrajufe/RS, cobrar das administrações o enfrentamento estrutural ao assédio moral. Rodrigo ainda citou o caso da Justiça Eleitoral, que, embora tenha menos servidores, é a segunda em número de casos de assédio. Para ele, uma das prováveis causas é a estrutura dos cartórios eleitorais, onde há poucos servidores – o que gera ainda maiores dificuldades para que o assédio seja comprovado.

Em seguida, Ruy destacou o fato de a Justiça do Trabalho ser campeã de assédio moral nacionalmente e no Rio Grande do Sul, relacionando o problema do assédio às metas abusivas, o que foi identificado na nova Pesquisa de Saúde realizada pelo Sintrajufe/RS e que será divulgada nas próximas semanas. Ruy lembrou que muitas vezes algumas administrações fazem pouco caso do assunto, mesmo quando levantado pelos sindicatos. Por fim, Ruy defendeu a importância de nacionalizar as lutas contra o adoecimento e o assédio moral, colocando o Sintrajufe/RS à disposição das demais entidades para a construção conjunta desse enfrentamento.

Ainda nesta terça, na parte da noite, será eleita a nova diretoria da Fenajufe. O regimento eleitoral foi debatido e aprovado pelo plenário na noite de segunda-feira, 29.

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