10º Congrejufe: tarde de domingo, 28, tem votação de resoluções e mulheres contra o machismo


29.Abril.2019 - 19h34min

Na tarde deste domingo, 28, os mais de 400 delegados do 10º Congresso da Fenajufe (Congrejufe), em Águas de Lindóia (SP), discutiram e votaram as resoluções de conjuntura internacional e nacional, além de outras resoluções sobre temas diversos. No final do dia, um caso de machismo fez com que as mulheres de diferentes campos políticos se colocassem unidas em defesa do respeito às duas mulheres que coordenavam a mesa.

As resoluções de conjuntura nacional e internacional foram apresentadas em conjunto. Foram três propostas internacionais e quatro nacionais, que mais tarde, antes das defesas, viraram três pela integração entre duas delas.

Os coletivos Democracia e Luta, Liberta Fenajufe, Judiciário Progressista e Luta Fenajufe fizeram, nessa ordem, suas apresentações. O Democracia e Luta foi representado pelos colegas Marcelo Carlini, do Rio Grande do Sul, e Ana Paula Cusinato, de Brasília. Carlini apontou que "a chave para defender a democracia e combater a reforma e os demais ataques a direitos é botar toda nossa energia para construir a greve geral". Por sua vez, Ana Paula questionou "quem mandou matar Marielle? Quem mandou prender Lula?". Para ela, a mesma estrutura do sistema Judiciário que impede a identificação e punição dos mandantes do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro é a responsável pela prisão de Lula.

A seguir, a tese do Liberta Fenajufe foi apresentada pelo colega Guilherme da Silva, do Distrito Federal, e constou de uma defesa do governo Bolsonaro. Mais tarde, durante a apresentação de outra resolução pelo mesmo colega, a maior parte do plenário virou-se de costas em protesto contra as posições intolerantes que ele expressara. Quem apresentou sua tese em seguida foi o coletivo Judiciário Progressista, representado pelo colega Cristiano Cabral, da Bahia. Em sua fala, defendeu a unidade entre os grupos políticos do campo de esquerda para combater o avanço da direita.

O diretor do Sintrajufe/RS Cristiano Moreira e o colega Saulo Arcangeli, do Maranhão fizeram a apresentação das teses do coletivo Luta Fenajufe. Saulo falou primeiro e caracterizou o governo Bolsonaro como um "legado do PT", recordando que os ataques aos trabalhadores não começaram agora. Cristiano, por sua vez, destacou que é preciso entender o que ocorreu para que trabalhadores votassem em Bolsonaro e, assim, buscar dialogar com o conjunto da classe trabalhadora para combater a reforma da Previdência. Afirmou que o "Lula Livre" não pode ser o centro da pauta, porque assim não se vai dialogar com o conjunto da classe trabalhadora: "a grande tarefa que tem que nos unificar é derrotar o governo Bolsonaro", sublinhou, criticando, ainda, a colega Ana Paula Cusinato, de Brasília e do coletivo Democracia e Luta, que comparara a prisão de Lula à execução de Marielle Franco: "não comparem a morte da Marielle com a prisão de Lula".

A tese do coletivo Democracia e Luta venceu a votação na conjuntura internacional. Na conjuntura nacional, as propostas dos coletivos Democracia e Luta e Judiciário Progressista acabaram integradas e aprovadas por maioria.

Mulheres respondem a ação machista na mesa do Congresso

Durante a votação das demais resoluções, que trataram de diversos outros temas, houve um momento de grande tensão no plenário. O colega Gláucio da Silva, do Paraná, era um dos integrantes da mesa, e foi substituído durante uma votação pelo colega José Rodrigues Costa, do Distrito Federal, o que não é permitido. As demais integrantes da mesa, todas mulheres – Mara Weber (RS) e Elcimara de Souza (DF) – solicitaram que Costa deixasse a mesa, ao que ele se recusou. No plenário, iniciaram gritos contra a atitude machista e exigindo a saída de Costa da mesa. "Sai da mesa" e "machistas não passarão" foram gritos que tomaram conta do centro de convenções, e muitas mulheres subiram ao palco reiterando a exigência. Assim permaneceram por vários minutos, enquanto o dirigente do Sindjus/DF recusava-se a descer. Depois de muita discussão, a resistência das mulheres fez a mesa original ser restabelecida, uma vitória da união das mulheres contra quem não respeita a voz delas.

    Veja também

    Últimas Notícias

    Clique aqui e cadastre-se para receber nossos INFORMATIVOS

    cadastre-se

    Faça seu Login

    Recuperar Senha / Primeiro acesso

    O e-mail foi enviado com sucesso.

    Ocorreu um erro no envio.