Toma lá dá cá: governo oferece R$40 milhões a cada deputado que votar a favor do desmonte da previdência


25.Abril.2019 - 18h00min
-->

Parlamentares de cinco partidos (DEM, PP, PSD, PR, PRB e Solidariedade) confirmaram à imprensa  que o governo Bolsonaro ofereceu destinar um extra de R$40 milhões em emendas parlamentares para cada deputado que votar a favor do desmonte da previdência no Plenário da Câmara. A proposta foi feita pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS).
 
 
Nesta quinta-feira, 25, foi instalada a Comissão Especial que irá debater o projeto na Câmara dos Deputados, mais uma etapa da tramitação em que a força dos trabalhadores será fundamental para ampliar a pressão sobre os parlamentares e enfrentar a tentativa de patrolamento por parte do governo. 
 
 
Uma das principais promessas de campanha de Jair Bolsonaro era fazer uma “nova política”, acabando com o chamado 'toma lá, dá cá', que é a antiga prática de governos obterem apoio no Congresso em troca de cargos federais, verbas ou outras benesses da máquina pública. O que se tem visto, especialmente na disputa em torno da reforma da Previdência, é justamente a manutenção e o aprofundamento dessas práticas.
 
 
Mandado de segurança questiona decisão da CCJ e sigilo de dados
 
 
Ao mesmo tempo em que compra deputados, o governo fere a transparência necessária para a tramitação democrática de qualquer projeto, ainda mais no caso de uma alteração constitucional tão profunda e com tanto impacto na vida de todos os brasileiros. Os relatórios e estudos que o governo alega sustentarem os argumentos pró-reforma foram postos em sigilo e, na segunda-feira, 22, ainda antes da admissão do projeto na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara, partidos de oposição entraram com mandado de segurança pela liberação dos dados, o que não ocorreu a tempo de que fossem discutidos na Comissão.
 
 
A batalha judicial, porém, permanece. Nesta quarta-feira, 24, deputados de oposição solicitaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão da tramitação da reforma, já que o projeto, em especial no que se refere à instituição de um sistema de capitalização, fere cláusulas pétreas da Constituição.
 
 
Mobilização nas ruas e nos gabinetes
 
 
Desde o início da tramitação da reforma (e assim seguirá até o fim) o Sintrajufe/RS tem tido presença constante em Brasília. Nesta semana, o diretor Rafael Scherer esteve na capital federal, acompanhou a sessão da CCJ e manteve contato direto com diversos parlamentares. Essa atuação nos gabinetes é apenas uma das ações que serão cada vez mais necessárias nesse enfrentamento. As mobilizações nas ruas, que já estão acontecendo desde o início do ano, também devem crescer, e o 1º de Maio, Dia dos Trabalhadores, será mais um momento para isso, preparando uma greve geral que se mostra cada vez mais urgente para derrotar a reforma da Previdência e garantir o direito dos brasileiros a uma aposentadoria digna.

    Veja também

    Últimas Notícias

    Clique aqui e cadastre-se para receber nossos INFORMATIVOS

    cadastre-se

    Faça seu Login

    Troca de Usuário

    Recuperar Senha / Primeiro acesso

    O e-mail foi enviado com sucesso.

    Ocorreu um erro no envio.