Sintrajufe/RS atua em Brasília contra a reforma da Previdência: Paulo Guedes falta à sessão da CCJ e expõe fragilidade do governo


26.Março.2019 - 19h35min
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Nessa terça-feira, 26, o diretor do Sintrajufe/RS e da Fenajufe, Cristiano Moreira, acompanhou, em Brasília, o início da tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) 6/2019 e fez pressão e contatos com parlamentares, em uma articulação para derrotar a proposta. A PEC está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, primeira a analisar a matéria. A expectativa era a presença do ministro da Economia, Paulo Guedes, convidado pela CCJ para prestar esclarecimentos sobre a reforma, mas, pela manhã, ele anunciou que não compareceria.

A versão oficial é que a ida de Guedes à CCJ seria “mais produtiva” quando já houver relator designado na CCJ. A desistência, no entanto, não foi bem recebida nem mesmo pela base aliada e pelo PSL, partido de Jair Bolsonaro. Felipe Francischini (PSL-PR), presidente da CCJ, disse que foi pego de surpresa, e a comissão não aceitou ouvir os técnicos do Ministério da Economia enviados por Guedes em seu lugar. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, o líder do PSL na Câmara, Major Waldir, de Goiás, afirmou que nem no próprio partido a reforma é unanimidade: “Nem o PSL está convencido da reforma. Isso eu já falei. Quando chegou a reforma da Previdência, eu fui o primeiro a questionar que veio um abacaxi aqui e até agora a faca não chegou aqui não. Não vamos abrir esse abacaxi no dente”. Depois de forte pressão da oposição, que queria a convocação de Guedes, um acordo acabou por ser fechado e ele foi convidado, novamente, a comparecer à CCJ, no dia 3 de abril, próxima quarta-feira.

Um dos possíveis articuladores da reforma, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem travado um embate com o governo nas redes sociais e chegou a classificar o governo como um “deserto de ideias”. Por outro lado, o chamado Centrão, que reúne siglas como DEM, MDB, PSD, PP, PR, PTB e PRB manifestou ser contra a redução do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que atende idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, e a parte da PEC que atinge trabalhadores rurais.

Em contraste com as divisões em setores que apoiam o governo, os partidos de oposição – Psol, PT, PDT, PCdoB, PSB e Rede –, em uma demonstração de unidade, lançaram nota pela rejeição total da PEC 6/2019 e em defesa da Previdência pública.

Trabalhadores devem aproveitar divisão do governo para fortalecer a mobilização

O recuo de Guedes mostra o medo do governo quanto a uma sabatina da oposição e, mais ainda, avalia Cristiano Moreira, deixa clara sua fragilidade e desarticulação. O dirigente conversou com Fernanda Melchionna e Marcelo Freixo, deputados federais pelo Psol do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. Fernanda ressaltou que a reforma segue uma “lógica nefasta” de sobrecarga de trabalho, aumento da idade mínima e criação de um filão para os bancos a partir do regime de capitalização. Para ela, o governo é despreparado e isso está fazendo aumentar as dúvidas e os questionamentos em diversas bancadas: “quando começa esse burburinho aqui dentro significa que, se houver pressão de fora, nós podemos, sim, derrotar essa reforma da Previdência”. De acordo com Melchionna, os trabalhadores precisam aproveitar a divisão na base do governo para fortalecer a mobilização e fazer um forte trabalho para mostrar as mentiras do governo quanto à reforma, pois, afirma a parlamentar, as pessoas ainda não sabem o quão brutal é essa proposta.

Freixo classificou de lamentável o cancelamento da ida de Guedes à CCJ, pois o ministro “tem obrigação de prestar contas”, e ironizou: “certamente, se o convite fosse um convite de banco, Paulo Guedes estava lá num instante; como é no parlamento e passa por questões democráticas, ele não tem muito apreço”. O deputado afirmou que a PEC 6/2019 “não combate privilégio, não combate desigualdade social; muito pelo contrário, o que faz com o trabalhador rural é uma perversidade; com idosos pobres, professores, policiais civis é uma perversidade”. Para ele, não será possível para o governo aprovar a reforma sem debate, pois essa é uma proposta autoritária, que amplia as desigualdades sociais. Sobre a crise no governo, Freixo avalia que tem muito a ver com a forma como Bolsonaro foi eleito, supostamente como um candidato antissistema, fora da política, o que não é verdade: “existe uma política corrupta, uma política ruim? Sim, mas da qual ele sempre foi muito próximo”. Além disso, ressaltou, na democracia, é na política que se debatem e se resolvem as questões; a ideia que Bolsonaro quer passar de que toda política é ruim e que ele está fora da política “cria um processo de desgovernança permanente”.

Para Cristiano, o cancelamento da ida de Guedes à CCJ da Câmara ocorreu, “nitidamente, para evitar desgaste e exposição diante do Congresso, com quem o governo segue em crise e demonstra, mais uma vez, a fragilidade de sua articulação política”. De acordo com o dirigente, esse fato, combinado com o crescimento da mobilização em todo o país, como demonstraram os atos no Dia Nacional de Lutas, 22 de março, mostra que temos totais condições de derrotar a proposta de Bolsonaro. Portanto, afirma, “nossa obrigação e prioridade segue sendo fortalecer a luta nas ruas e locais de trabalho e, paralelamente, intensificar a pressão no Congresso Nacional, como fizemos para derrotar a reforma de Temer em 2017. Podemos vencer".

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