Ameaça: Paulo Guedes fala que servidores ficarão sem salários se reforma da previdência não for aprovada; chantagem indica dificuldades do governo


26.Março.2019 - 18h40min

Nessa segunda-feira, 25, em uma clara tentativa de chantagear os trabalhadores, o ministro da Economia Paulo Guedes disse, em evento da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), que a interrupção do pagamento de salários aos servidores públicos será a “primeira coisa a acontecer” caso a “reforma” da previdência não seja aprovada.

Nesta terça-feira, 26, Paulo Guedes compareceria à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados para explicar a reforma da previdência e também a reestruturação da carreira dos militares, com aumento generoso da remuneração principalmente das maiores patentes por meio de “penduricalhos”, mas acabou desistindo. A participação estava prevista na agenda oficial, mas, pela manhã, a assessoria do ministro informou que ele não iria mais e enviaria representantes da área técnica, o que causou revolta em parte dos deputados. Foi fechado um acordo entre oposição e a base aliada do governo para Guedes ser ouvido na próxima quarta (3), na condição de convidado e não de convocado.

No Congresso, oposição e “centrão” criticam a proposta do governo

Nesta terça-feira, 26, os líderes dos partidos de oposição (PDT, PT, PCdoB, PSB, Psol e Rede, além dos líderes da Minoria e da Oposição) se manifestaram sobre a reforma da Previdência por nota oficial. Eles criticaram o teor da reforma e reafirmaram a intenção de lutar pela rejeição da proposta, debater propostas que garantam a sustentatibilidade da Previdência Pública, "incluindo a eliminação de distorções e privilégios, o reforço das fontes de financiamento por meio da taxação de lucros e dividendos, das grandes fortunas e dos juros sobre capital próprio, revisão de isenções e desonerações e o combate à sonegação", e defender a Previdência Pública e a Seguridade Social.

Também nesta terça, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que tem andado às turras com o governo, criticou dois pontos específicos da proposta de Bolsonaro. Para Maia, as mudanças propostas pelo governo na aposentadoria rural e no Benefício de Prestação Continuada (BPC) "têm mais atrapalhado do que ajudado" a reforma da Previdência. Mais cedo, líderes de 13 partidos do chamado “centrão” (PSDB, DEM, PP, PR, PRB, PSD, PTB, SD, MDB, Podemos, Cidadania, PROS e Patriota) divulgaram nota apoiando a proposta de Bolsonaro, mas defendendo as mesmas mudanças no texto que seriam reivindicadas por Maia.

Para o diretor do Sintrajufe/RS Rafael Scherer, “essa chantagem do Paulo Guedes é inaceitável. Ele quer que a gente acredite que com a aprovação da reforma da previdência vai sobrar dinheiro para outras áreas. Pelo contrário. Hoje os trabalhadores da ativa pagam as aposentadorias. Quando nós nos aposentarmos quem vai pagar a conta, se os próximos trabalhadores entrarão no regime de capitalização? Se a reforma for aprovada, aí sim teremos menos recursos para o serviço público. Paulo Guedes ajudou o ditador Augusto Pinochet a jogar milhões de idosos chilenos na miséria. Não podemos permitir que essa proposta criminosa de desmonte da previdência seja aprovada também no Brasil”.

Em Porto Alegre, no dia 30 de março o Fórum Gaúcho em Defesa da Previdência realiza seminário sobre a proposta de reforma da Previdência de Bolsonaro. buscando aprofundar os debates a respeito dos efeitos da possível aprovação da reforma e também para organizar a continuidade da luta, que impõe também a construção de uma greve geral o mais rápido possível.

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