8 de Março: um ato de resistência em defesa da Previdência pública e da vida das mulheres


11.Março.2019 - 15h33min
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Foto: Foto: Guilherme Santos/Sul21

 O Centro de Porto Alegre se tingiu de lilás na sexta-feira, 8 de março. A cor que simboliza a luta internacional das mulheres estava em roupas, lenços, bandeiras e tomou o Largo Glênio Peres, no Centro da capital, onde, desde o início da manhã, aconteciam atividades relativas ao Dia Internacional da Mulher, como conversas públicas com informações sobre a reforma da Previdência, violência de gênero e soberania alimentar. Com o slogan “Pela vida das mulheres”, o dia foi pautado pela afirmação da resistência à reforma da Previdência e à violência, em defesa da vida das mulheres, de seus direitos sexuais e reprodutivos. A programação foi construída em conjunto por mulheres sindicalistas, estudantes, lutadoras sociais, trabalhadoras rurais, militantes do movimento feminista negro.

O Sintrajufe/RS e colegas do Judiciário Federal integraram-se às atividades no final da tarde, quando começou a concentração na Esquina Democrática que culminou com um ato público que reuniu milhares de pessoas. A denúncia da reforma da Previdência de Jair Bolsonaro (PSL), o direito à aposentadoria, a equidade salarial, a defesa da educação e da saúde públicas estavam presentes em várias falas. A vereadora Marielle Franco, executada com o motorista Anderson Gomes em março de 2018, foi lembrada em várias falas, que cobraram a punição dos assassinos e lembraram seu legado de lutas. Os manifestantes também falaram sobre feminicídio (nestes primeiros meses de 2019, mais de 120 mulheres já foram assassinadas no país), machismo, LGTBfobia e intolerância religiosa. A unidade das mulheres, em seu protagonismo na luta contra o fascismo e o crescimento da intolerância, nos históricos atos realizados em 2018, também foram lembrados.

Frases como “Marielle vive!”, “Nenhuma a menos!” e “Ninguém solta a mão de ninguém!” foram repetidas, em coro, durante o ato e depois, ao longo da caminhada que, mesmo sob chuva, seguiu levando o roxo pelas ruas do Centro até o Largo Zumbi dos Palmares.

Manifestações vinculadas ao Dia Internacional da Mulher também ocorreram por todo o mundo. Pela primeira vez as mulheres gregas saíram às ruas em Atenas no 8M. Em Madri, foram 375 mil pessoas em protesto pelos direitos das mulheres. Também houve grandes mobilizações em cidades como Roma, Barcelona, Oslo, Montevidéu e Buenos Aires – onde as lutas das mulheres ganharam força no último ano com as mobilizações pela legalização do direito ao aborto seguro. No Brasil, grandes mobilizações foram realizadas nas principais capitais, com destaque para São Paulo e Rio de Janeiro, além de diversas cidades no interior.

Para a diretora do Sintrajufe/RS Alessandra Krause, o 8 de Março, originalmente criado como data de visibilidade das lutas das mulheres, “foi cooptado pelos interesses comerciais por algum tempo, até que voltamos a referendá-lo como o dia em que expomos a todos as violências que sofremos por conta de um sistema machista e patriarcal”. A dirigente ressaltou a opressão diária sofridas pelas mulheres, por parte de “quem pretende nos manter em situação de submissão e subserviência”. Na avaliação de Alessandra, a força da união feminina dá a tônica às manifestações e vem aumentando: “A cada ano, somos mais plurais, e há uma tendência de assim se seguir, especialmente num momento de nova tentativa de prejuízo às mulheres com uma reforma da Previdência descolada da realidade, justificável apenas pelos interesses rentistas”.

A colega Elaine Lídia, diretora de base da Justiça do Trabalho de Canoas, que também participou do ato, fala da importância da mobilização das mulheres: "mais uma vez as mulheres tomaram as ruas para mostrar que seguimos em luta e que temos consciência da transitoriedade dos direitos conquistados historicamente. Num cenário de retrocessos, as mulheres são as primeiras a serem atingidas, como, por exemplo na atual proposta de reforma da previdência. Em mais uma bela demonstração de força e de resistência, marchamos juntas num ato inteiramente protagonizado por mulheres, mesmo sob a chuva intensa".

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