Ato unificado contra a reforma da Previdência mobiliza centenas no Centro de Porto Alegre


15.Fevereiro.2019 - 13h36min

Nessa quinta-feira, 14, foi realizado na Esquina Democrática, em Porto Alegre, novo ato contra a reforma da Previdência anunciada pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL). O Sintrajufe/RS participou da atividade, que contou com a presença de diretores do sindicato e colegas do Judiciário Federal. A atividade foi convocada por oito centrais sindicais.

O ato público foi uma demonstração de unidade e representatividade. Além de diversas entidades sindicais de categorias do serviço público (esferas federal, estadual e municipal) e da iniciativa privada, estavam presentes representantes do movimento social e popular, como mulheres, juventude, antirracistas, LGBTs e parlamentares. Nas falas, todos mostraram disposição para tomar as ruas contra a reforma, e diversos manifestantes falaram sobre a necessidade de construção de uma grande greve geral. Foi ressaltado que, segundo anúncio da equipe do governo, a reforma de Bolsonaro deve ser pior que a proposta por Michel Temer (MDB), a transição será reduzida de 20 para apenas 12 anos. Além disso, deve estabelecer idade mínima para aposentadoria de 62 anos para mulheres e 65 para homens, além de 40 anos de contribuição para que o trabalhador receba 100% do benefício.

Vários manifestantes lembraram que o modelo seguido pelo governo é o mesmo que não deu certo no Chile, onde há um grande número de idosos em situação de miserabilidade, que os leva até mesmo ao suicídio. Em muitas falas, foi citada a CPI da Previdência, que demonstrou, com dados oficiais, que não há déficit na Previdência, mas má gestão dos sucessivos governos, que retiram dinheiro do sistema para utilização em projetos e interesses próprios e proteção de empresas devedoras. Os manifestantes denunciaram, ainda, a intenção do governo de acabar com o sistema previdenciário atual, garantido na Constituição Federal e pautado pela solidariedade, por outro, de capitalização, que utiliza a aposentadoria e o futuro dos brasileiros para beneficiar banqueiros e a especulação financeira. Foi reforçado que, desde 2016, há uma sucessão de iniciativas para retirar direitos históricos dos trabalhadores, como a terceirização irrestrita e a reforma trabalhista.

 Representando o Sintrajufe/RS, o diretor Rafael Scherer afirmou que “no momento, o Brasil vive uma inversão de valores”, em que parece que se tem vergonha de ser trabalhador, almejar chegar à aposentadoria e querer respeito aos direitos. Ele ressaltou que os ataques não são isolados, como mostra a tentativa de extinção da Justiça do Trabalho. O dirigente disse que o modelo que o governo Bolsonaro quer aplicar no Brasil, com regime de capitalização, “foi uma tragédia no Chile” e criticou duramente a proposta de reduzir para menos de um salário mínimo o valor do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que atende idosos e pessoas com deficiência em condições de miserabilidade. Ao citar o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que afirmou em entrevista que qualquer um pode trabalhar até os 80 anos, Rafael ressaltou que Maia, “que nunca trabalhou na vida”, exemplifica os que querem retirar direitos dos trabalhadores enquanto sempre viveram de explorar o Estado. Para o diretor, o momento é de unidade para a construção de uma grande greve geral para barrar a reforma da Previdência.   Esse foi o segundo ato em defesa da Previdência neste ano; o anterior ocorreu em 24 de janeiro. No dia 27, ocorrerá uma plenária de mobilização do Fórum Gaúcho em Defesa da Previdência, do qual o Sintrajufe/RS é um dos integrantes, no auditório do Cpers (avenida Alberto Bins, 480), às 18h.

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