Tragédia humana e ambiental em Brumadinho serve como mais um alerta sobre privatizações e interesse público


28.Janeiro.2019 - 16h06min

O Brasil vive uma nova tragédia socioambiental desde a última sexta-feira, 25. Uma barragem da mineradora Vale do Rio Doce se rompeu na cidade de Brumadinho (MG), atingindo a área onde os trabalhadores da empresa estavam e também a comunidade da Vila Ferteco, pertencente ao município. Até as 14h desta segunda-feira, 28, já estavam confirmadas 60 mortes, e ainda há quase 300 desaparecidos. Uma grande tragédia humana, que vitima, além dos mortos e feridos, suas famílias e uma grande quantidade de desabrigados.

Tragédia se repete

Esta é a segunda tragédia do tipo em menos de cinco anos, na medida em que a barragem da mineradora Samarco, da qual a Vale detém 50% das ações, se rompeu no município de Mariana em 2015, causando o maior desastre ambiental do país até então. Quatro anos depois, as empresas não foram punidas e muitos moradores, além de não receberem indenização, permanecem vivendo em condições insalubres.

Lucro acima do interesse público

A Vale foi privatizada em 1997, em meio à agenda neoliberal de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Criada em 1942 com recursos do Tesouro Nacional, durante 55 anos a Vale foi uma empresa mista e o seu controle acionário pertencia ao governo. A empresa foi vendida por R$ 3,3 bilhões, quando somente as suas reservas minerais eram calculadas em mais de R$ 100 bilhões à época. Depois do leilão de privatização da companhia, a Vale passou a ser comandada pelo banco Bradesco, integrante do consórcio Valepar, detentor de 32 por cento das ações, enquanto os investidores estrangeiros passaram a somar 26,7% das ações totais da empresa.

Agora, o governo Bolsonaro (PSL), capitaneado pelo ultraliberal Paulo Guedes, promete uma pauta ainda mais mais radical de privatizações. O governo já anunciou que a venda de estatais é uma das 35 metas a serem cumpridas nos primeiros 100 dias do governo. Ao mesmo tempo, o presidente tem criticado, desde a campanha, os "entraves" do licenciamento ambiental, defendendo uma liberalização que deverá facilitar a reincidência de tragédias como a de Mariana e a de Brumadinho.

A tática já conhecida é a precarização sistematizada de serviços públicos, para a consequente venda dos mesmos para as grandes empresas, sobretudo multinacionais. Apontadas como o único caminho da resolução de crises econômicas pelos governos liberais, as privatizações têm o objetivo de favorecer o mercado e o lucro das grandes empresas, em detrimento do interesse público. O desmonte do Estado também precariza as relações de trabalho e cerceia os direitos dos trabalhadores. 

O Movimento dos Atingidos por Barragens publicou uma nota afirmando que a tragédia de Brumadinho já era anunciada, já que denúncias em relação ao comlexo de barragens de Minas Gerais vinham sendo realizadas há alguns anos. Segundo o movimento, o atual modelo de mineração do país  prioriza "empresas privatizadas e multinacionais que visam ao lucro a qualquer custo. Mais uma vez, o lucro está acima de vidas humanas e do meio ambiente”, criticou o movimento.

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