Em meio a luta dos trabalhadores, Bolsonaro afirma que uma reforma da Previdência "bastante substancial" será aprovada


24.Janeiro.2019 - 15h34min

Após discursar por seis minutos e cancelar, minutos antes do horário marcado, a entrevista coletiva que daria à imprensa internacional em Davos, na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial, o presidente Jair Bolsonaro prometeu, em entrevista a uma rede de televisão, que o governo "irá aprovar" uma reforma da Previdência "bastante substancial". A luta contra esse projeto já começou, e teve, nesta quinta-feira, 24, ato público do qual o Sintrajufe/RS participou, em Porto Alegre.

Na entrevista, para a Bloomberg, Bolsonaro disse que há uma consciência da "necessidade" de uma reforma da Previdência, o que, para ele, deve garantir a aprovação do projeto: "Esse sentimento é que nos dá praticamente a certeza de que a reforma da Previdência será aprovada, obviamente com pequenos ajustes entre a nossa proposta e aquela que o Parlamento irá aprovar". Está marcada para o dia 30 de janeiro uma reunião do ministro da Economia, Paulo Guedes, com o futuro líder do governo na Câmara, o deputado eleito Major Vitor Hugo (PSL-GO), tendo como tema justamente a reforma da Previdência.

Militares

Na entrevista à Bloomberg, sem dar detalhes, Bolsonaro afirmou que os militares deverão entrar apenas em uma segunda etapa da reforma, via projeto de lei – e não Proposta de Emenda à Constituição (PEC), como é exigido para alterações no regime geral da Previdência. A situação dos militares tem gerado atritos e divergências entre algumas das principais figuras do governo. Nesta quinta-feira, 24, ainda em Davos, Paulo Guedes, afirmou, referindo-se à Previdência, que os militares devem "liderar pelo exemplo". Admitiu, ainda, que "se não for simultâneo, fica estranho". Por sua vez, também nesta quinta, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, reiterou a posição de Bolsonaro, observando que "já estava decidido há muito tempo que a reforma dos militares viria em uma segunda fase.

Trabalhadores

Embora a possibilidade de que os militares fiquem de fora da reforma da Previdência demonstre mais claramente as contradições do governo, o fato é que, de uma maneira ou de outra, a reforma proposta irá prejudicar o conjunto da classe trabalhadora. A exigência de idade mínima, a desvinculação do salário mínimo, a redução da pensão por morte e muitos outros pontos já são dados como certos na proposta. A criação de um regime de capitalização, nos moldes chilenos, também está entre as ideias centrais do projeto. Tudo baseado na mentira de que há um déficit previdenciário.

Frente a esse cenário, resta aos trabalhadores a luta. Nestas primeiras semanas de 2019 as mobilizações já estão sendo reativadas em torno desta e de outras pautas. O primeiro ato do ano em Porto Alegre aconteceu na última segunda-feira, 21, em defesa da Justiça do Trabalho, parte de uma mobilização nacional contra a proposta de extinção da JT e do MPT. Na terça-feira, 22, teve lugar a primeira reunião de 2019 do Fórum Gaúcho em Defesa da Previdência, que já realizou manifestação nesta quinta-feira, 24, na Esquina Democrática, e marcou uma plenária de mobilização para 27 de fevereiro, em Porto Alegre. Em Brasília, no dia 5 de fevereiro, teremos ainda mais um capítulo da defesa da Justiça do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho, com um ato conjunto nacional.

Bolsonaro pode ter a intenção de aprovar rapidamente o fim da nossa aposentadoria, mas nós, trabalhadores, temos a intenção de resistir nas ruas.

    Veja também

    Últimas Notícias

    Clique aqui e cadastre-se para receber nossos INFORMATIVOS

    cadastre-se

    Faça seu Login

    Recuperar Senha / Primeiro acesso

    O e-mail foi enviado com sucesso.

    Ocorreu um erro no envio.