Contra o protofascismo, o preconceito e o ódio, em defesa da democracia, não hesitamos em dizer: #eleNão!


04.Outubro.2018 - 13h39min

1. O Brasil passa por uma das mais profundas crises políticas, econômicas e sociais de sua história. Os sucessivos escândalos de corrupção revelados nos últimos governos e envolvendo boa parte dos parlamentares do Congresso Nacional evidenciam a podridão do sistema político de nosso país. Por outro lado, as malas de dinheiro do noticiário político e policial contrastam com o aumento do desemprego e da pobreza no Brasil, resultado dos diversos ataques a direitos desferidos contra os trabalhadores e o povo pobre, intensificados durante o governo Temer, buscando jogar a conta da crise econômica sobre as nossas costas: para preservar os lucros de banqueiros e rentistas, a quadrilha que governa o país aprovou, recentemente, a reforma trabalhista, a terceirização irrestrita e a EC 95/16, congelando por 20 anos os gastos com os serviços públicos necessários à população.

2. A crise do regime político e o fracasso das instituições para resolver os problemas sociais da população abrem um grande vazio de representatividade, aumentando o ceticismo com a política e criando um terreno fértil para gestação de falsas alternativas, “salvadores da pátria”, que se amparam no medo e na insegurança para defesa de propostas atrasadas. É esse o contexto do surgimento do “bolsonarismo” no Brasil, alternativa política autoritária e de extrema-direita, com traços de protofascismo e que tem se expressado publicamente em especial através de discursos de LGBTfobia, racismo e machismo, além da defesa aberta da tortura e da ditadura militar.

3. Não alimentamos ilusões com o processo eleitoral. Sabemos que todas as candidaturas melhor colocadas nas pesquisas de opinião estão, de alguma forma, comprometidas com o projeto de ajuste e retirada de direitos. A retomada da reforma da Previdência, por exemplo, derrotada pela mobilização no ano de 2018, é pauta de praticamente todos os programas de governo apresentados. Haddad, Ciro, Marina, Alckmin, Meirelles e os demais não hesitarão em propor medidas de austeridade que penalizam trabalhadores como saída para a crise. Portanto, é importante ter claro que, independentemente do resultado das eleições, teremos um adversário no Palácio do Planalto e, seja quem for o presidente da República, o ano de 2019 será mais um período de resistência para a classe trabalhadora.

4. Apesar disso, não há como estabelecer qualquer equivalência entre esses projetos e aquele defendido por Bolsonaro. Sua candidatura, embora um discurso pseudoanti-sistêmico, é a expressão mais apodrecida e atrasada do sistema político nacional. Não bastasse a defesa do autoritarismo militar e o discurso de ódio, incentivando a violência como solução para a insegurança e até como método de fazer política, bem como manifestações que legitimam todo tipo de preconceito (de raça, gênero e sexualidade), a retirada de direitos está fortemente presente no programa de Bolsonaro e seu vice, general Mourão. Não é demais lembrar que Bolsonaro votou a favor da EC 95/16 e da reforma trabalhista. Ao longo da campanha eleitoral, já houve manifestações públicas defendendo o fim da estabilidade no serviço público, a defesa da desigualdade salarial entre homens e mulheres, além de críticas ao pagamento de 13º salário e adicional de férias. Em entrevistas, chegou a dizer que os trabalhadores precisam escolher entre ter direitos ou ter empregos e defendeu “acabar com os sindicatos”. Por fim, há uma constante e absurda tentativa de deslegitimar o processo eleitoral, afirmando que só aceita sua vitória como resultado e, inclusive, fazendo uma afirmação caluniosa e covarde tentando atribuir aos servidores da Justiça Eleitoral a possibilidade de fraude durante o pleito.

5. Por esses motivos, nos últimos dias, uma forte mobilização contra o presidenciável tomou as ruas do país. No dia 29 de setembro, sob a liderança das mulheres, mais de 1 milhão de pessoas se mobilizaram em todo Brasil para dizer: #eleNão! Com grande participação da categoria no RS e presença de eleitores(as) de diversas tendências políticas, os atos foram uma demonstração de força e resistência importante para fazer frente ao projeto protofascista defendido por Bolsonaro, uma luta que, certamente, precisará seguir após o processo eleitoral, seja qual for o seu resultado. Defender a violência contra setores e minorias sociais, o fim dos sindicatos, a tortura e a ditadura militar é inadmissível. Nas ruas e nas urnas, é importante impedir que a retirada de direitos, o ódio e o preconceito avancem. Em defesa da democracia, estaremos juntos nessa luta e convocamos a categoria a ser parte, também, da resistência: #eleNão.

Direção Colegiada do Sintrajufe/RS

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