Adoção e diversidade foi o tema de conversa no Sintrajufe/RS


02.Agosto.2018 - 17h29min

A adoção em diversas situações e perfis foi tema da roda de conversa "Famílias que adotam: adoção e diversidade no Judiciário Federal", promovida pelo Núcleo de Diversidade Sexual (Nuds) do Sintrajufe/RS nessa terça-feira, 31. Os colegas do Núcleo conduziram a atividade e explicaram que pretendem, cada vez mais, fazer discussões amplas, que tratem de diversidade em vários aspectos.

Estavam presentes colegas da categoria e também pessoas da comunidade, e o espaço foi aberto para quem quisesse falar sobre suas experiências. As alegrias de se tornar mãe e pai, mas também os percalços da adoção, as dificuldades e os entraves de um sistema que, muitas vezes, parece não favorecer que crianças e jovens encontrem uma família, além da difícil situação dos que abrem mão dos filhos, colocando-os para adoção (em sua maioria, pessoas negras e pobres) foram relatados.

A colega da JT Porto Alegre Kenia Varela e o marido, Leonardo, são pais adotivos dos jovens Laura e Pablo. O casal contou sobre as dificuldades iniciais, a adaptação e afirmaram que, logo depois da adoção, já não pensavam mais em "filho adotivo"; "são filhos apenas, sem essa distinção". Pablo se emocionou – e também aos demais, ao falar sobre os momentos de raiva que sentia, na infância, quando perguntavam se ele tinha vindo "da barriga da mãe" e como, em períodos difíceis, deu-se conta do amor incondicional do pai e da mãe: "eu não sei o que seria de mim sem minha família; o afeto é muito importante, o abraço, o carinho são muito importantes".

A maioria dos adotantes no Brasil ainda procura por crianças com poucos meses e brancas. Alguns dos presentes à atividade fugiram desse perfil e contaram sua experiência, como a Juíza Federal Ana Inès Algorta Latorre, que adotou dois irmãos, ambos com mais de 4 anos. As colegas Marilene de Bem, aposentada, e Júlia Viegas, da JT Porto Alegre, adotaram meninas negras. Além dos percalços enfrentados no processo de adoção, também lidam com o preconceito e a incredulidade das pessoas pelo fato de serem brancas e terem filhas negras. Emocionada, Marilene falou sobre a angústia enfrentada por ela e pelo ex-marido devido à demora até concretizar o processo, a alegria de ter a filha, Alexia. Júlia e sua companheira, Vanessa Balula, relataram os preconceitos que sofreram por formarem um casal de mulheres e a difícil situação dos abrigos em que vivem as crianças e os jovens que aguardam a adoção, como a pequena Dora, filha delas.

A colega Roberta Vieira, da JT Porto Alegre e integrante do Nuds, não é adotante, mas estava presente para saber mais sobre o assunto, assim como a diretora do Sintrajufe/RS Alessandra Krause. Roberta questionou o conceito tradicional de família e a insistência de que esse seria o ideal. "Não seria mais importante a segurança, o amor, os laços que unem as pessoas?", indagou. Alessandra concordou e ressaltou que não importa o formato, que há uma romantização de maternidade e paternidade, da relação biológica. A sociedade como um todo também tem responsabilidade, afirmou, lembrando o provérbio africano "é preciso uma aldeia inteira para criar uma criança".

Confira abaixo fotos da atividade.

 

 

 

 

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