Valor de R$ 954,00 não recompõe poder de compra do salário mínimo


12.Janeiro.2018 - 16h32min

O novo valor do salário mínimo, válido a partir de 1º de janeiro, é de R$ 954,00, um acréscimo de 1,81% sobre os R$ 937,00 que vigoraram durante 2017. O percentual é inferior à variação anual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que, em 2017, foi de 2,07%. Com o novo valor, o salário mínimo e voltou ao nível de 2015, quando valia R$ 953,87.

 

De acordo com Nota Técnica do Departamento Intersindical de Economia e Estudos Socioeconômicos (Dieese), é necessária a revisão do reajuste anunciado, de modo a devolver ao salário mínimo o poder de compra do início do ano passado.

 

Em 2004, as centrais sindicais, em movimento unitário, lançaram a campanha pela valorização do salário mínimo, para pressionar Executivo e Legislativo sobre a importância social e econômica dessa proposta. Como resultado, houve aumento real do salário mínimo nos anos seguintes e foi acordada uma política permanente de valorização, a ser aplicada até 2023.

 

Essa sistemática, de acordo com o Dieese, mostrou-se eficiente na recuperação do valor do salário mínimo e foi um dos fatores mais importantes no aumento da renda da população mais pobre. “A valorização do salário mínimo conquistada até aqui trouxe resultados muito positivos para a sociedade brasileira. A elevação real do poder aquisitivo de um contingente muito expressivo de brasileiros ampliou o mercado consumidor e viabilizou melhorias nas condições de vida de suas famílias, como a possibilidade de prolongar a formação educacional dos jovens.”

 

Ainda de acordo com o Dieese, 48 milhões de brasileiros têm rendimento referenciado no salário mínimo. Desde meados de 2014, no entanto, o PIB brasileiro recua. O país empobreceu 7% e o salário mínimo, já em janeiro de 2017, não obteve ganho real nem teve o poder de compra recomposto. Uma das consequências imediatas disso foi a interrupção do processo de desconcentração de renda. “A valorização dessa remuneração deve continuar, sobretudo porque o país segue profunda e resistentemente desigual. A desigualdade de renda se manifesta de modo explícito, tanto na comparação entre indivíduos e famílias, quanto entre o trabalho e o capital”, é afirmado na Nota Técnica.

 

De qualquer modo, o valor do salário mínimo bem está distante do que é considerado necessário para que o salário supra as necessidades de uma família de quatro pessoas com alimentação, moradia, educação, saúde, vestuário, higiene, transporte e previdência. Considerando essas necessidades, o salário, calcula o Dieese, deveria ser de R$ 3.856,23 em dezembro de 2017.

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