Plenária da Fenajufe: em painel sobre conjuntura, convidados convocam à luta


10.Novembro.2017 - 21h00min

 

A Plenária da Fenajufe entrou no segundo dia nesta sexta-feira, 10, tendo como destaque da programação interna o painel sobre conjuntura nacional e internacional. Durante a manhã foi definido o regimento da Plenária e foram aprovadas as contas da federação. Na parte da tarde, participaram do painel sobre conjuntura Nildo Ouriques, professor do departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSC e presidente do Instituto de Estudos Latino-Americanos (Ilea); Rodrigo Rodrigues, professor de História na rede pública do Distrito Federal e secretário-geral da CUT/Brasília; e Aurora Maria Miranda Borges, auditora fiscal, diretora da Associação Nacional dos Auditores Fiscais (Anfip).

O primeiro a falar foi o professor Nildo Ouriques. Para ele, não há onda conservadora no Brasil, nem no mundo. A demonstração disso, de acordo com o professor, é a grande reprovação aos governos de direita que estão em vigor, como Donald Trump nos Estados Unidos, Mauricio Macri na Argentina e, claro, o mais reprovado de todos, Michel Temer no Brasil. Ao mesmo tempo, lembrou que a classe trabalhadora brasileira poucas vezes fez tanta luta, como demonstram os dados referentes às greves nos últimos períodos.

Na avaliação de Ouriques, os governos petistas nada mais fizeram do que distribuir migalhas, e “esse tipo de conciliação não cabe mais. Não porque eu não queira, mas porque a realidade não permite mais”. Conforme o professor, a burguesia declarou guerra aos trabalhadores e está em processo uma mudança na forma do capitalismo na América Latina, onde já não mais se precisa produzir – o centro da produção industrial está na China – e avança o mercado financeiro, em especial através do sistema da dívida. Por isso, “não há condições de praticar políticas públicas mínimas se não enfrentarmos o rentismo e o sistema da dívida”.

Depois de Ouriques, quem falou foi o professor e secretário-geral da CUT/Brasília Rodrigo Rodrigues. Ele centrou sua fala nos problemas causados pela reforma trabalhista, que entra em vigor nesta semana. Sua avaliação é de que os acúmulos de direitos conquistados pela classe trabalhadora nos últimos 100 anos, desde a greve geral de 1917, foram rasgados com essa reforma, que ameaça a Justiça do Trabalho, os trabalhadores e também os sindicatos. Destacou como única boa notícia, nesse sentido, o fim do imposto sindical, que, para ele, irá acabar com os sindicatos burocratizados que fazem apenas “trabalho cartorial”.

Rodrigues citou diversos pontos da reforma que precarizam o trabalho, e, com isso em mente, defendeu que “a reforma nos coloca a necessidade de pensarmos em uma construção unitária de lutas da classe trabalhadora diferente do que foi construída até o momento”. Mais do que isso: “a força do movimento sindical está posta em questão. E nós precisamos nos organizar”, defendeu, destacando que o golpe está na origem desses ataques e relaciona-se diretamente com a composição do Congresso, que não representa de fato a diversidade da sociedade brasileira.

Por fim, a auditoria fiscal e diretora da Anfip Aurora Maria Miranda Borges fez sua fala. Seu tema principal foi a reforma da Previdência, ainda não votada no Congresso mas em relação à qual o governo Temer vem centrando esforços novamente nas últimas semanas com o objetivo de aprová-la ainda neste ano ou no início de 2018. A auditora apresentou diversos dados sobre o sistema previdenciário e a Seguridade Social, onde a Previdência está inserida, criticando o fato de que o Estado está sendo desmontado pelo governo Temer, com especial atenção aos servidores públicos.

Para Borges, o governo e o grande empresariado querem acabar com a aposentadoria para, entre outros objetivos que contrariam os interesses da maioria da população, incentivar a previdência privada e aumentar o lucro dos bancos. Como soluções reais para os problemas da Previdência, por fim, defendeu medidas como o fim das renúncias fiscais e da DRU, o aumento do combate à sonegação, ao capital financeiro e ao rentismo, além de dar mais voz ao trabalho.

Por conta da participação dos delegados dos diversos estados no ato unificado realizado na tarde desta sexta em Campo Grande, não houve espaço para perguntas ao final das exposições. Assim, encerradas as falas, os servidores seguiram para a manifestação na rua.

Texto: Alexandre Haubrich / Sintrajufe/RS. Fotos: Alexandre Haubrich e Joana D'arc (foto 3).

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